Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2022 | 03h00

Recursos públicos

Menos pão, mais circo

Sobre a reportagem Cidades sem saneamento, asfalto e emprego gastam milhões em shows (6/6, A6), como na antiga Roma, alguns prefeitos destinam, com fins eleitoreiros, recursos públicos para alimentar seu rebanho com pão e circo – aliás, cada vez menos pão e mais circo. As prioridades desses municípios ficam adiadas. Pobre país!

Jorge Spunberg

jspunberg@gmail.com

São Paulo

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A farra dos shows

Sobre a boa reportagem de ontem no Estado, eu questiono, primeiramente, a facilidade com que qualquer área urbanizada no Brasil vira sinônimo de município, independentemente de seu tamanho populacional, densidade demográfica, infraestrutura urbana, arrecadação de tributos próprios (IPTU), distribuição populacional, funções econômicas principais, evolução populacional, entre outros critérios que me parecem necessários para que seja possível aceitar tal enquadramento. Por outro lado, no decorrer de nossa história há uma forte crença no município como a base do desenvolvimento socioeconômico do País, o que tem alguma dose de fundamento, mas igualmente muitos exageros que facilitam decisões políticas irresponsáveis tomadas em Brasília, como as demonstradas na reportagem. Se o País voltasse a recorrer a territórios para retirar dos ombros dos municípios jurisdição sobre enormes extensões territoriais que não têm qualquer capacidade de administrar, já haveria melhora no encaminhamento de recursos públicos.

Rui Tavares Maluf

rtmaluf@uol.com.br

São Paulo

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Política

Novas lideranças

Sobre o artigo de Luciano Huck (Estado, 5/6, A15), em que ele diz que há anos vem “fomentando a formação de novas lideranças”, considero um esforço louvável, e, mesmo assim, talvez nunca tenhamos tido lideranças políticas de tão baixa qualidade e de princípios tão questionáveis, para dizer o mínimo, em todos os níveis: municipal, estadual e federal. Interessa às nossas elites, todas elas, indiscriminadamente, mudar este país e, para tanto, abrir mão dos privilégios e das benesses que o Brasil propicia? Ainda que, de repente, houvesse a percepção de que é preciso mudar e há tempo e condições para tanto, com todo o atraso, todo o abismo que acumulamos, em detrimento de milhões de brasileiros desalentados, de quantas gerações vamos necessitar, se começarmos amanhã (e não vamos, nem mesmo num futuro visível)? Já teremos passado do ponto de não retorno? Realisticamente, é bem provável.

Domingos Fernando Refinetti

dfrefinetti@gmail.com

São Paulo

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Dia do Meio Ambiente

Tempos difíceis

Enquanto a questão demográfica for tratada como tabu, o problema ambiental será insolucionável. São 8 bilhões de pessoas consumindo, cada uma, de 110 litros a 200 litros de água por dia, sem contar que a produção de alimentos, produtos de consumo e bens duráveis exige que esses números sejam multiplicados. Além disso, a população mundial precisa de no mínimo 8 milhões de toneladas diárias de alimentos. Para produzi-los, lá se vai 1,5 milhão de km² de terras cultiváveis. E ainda há o dilema do lixo. Em média, cada ser humano produz 1 kg por dia. Mais milhões de toneladas diárias despejadas em aterros, ocupando áreas onde se avolumam detritos e escórias diversos. Tempos difíceis para o futuro do planeta Terra.

Lincoln S. Pessoa

lsp.austria@sapo.pt

São Paulo

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Amazônia

Regeneração?

Lendo o artigo Cidades perdidas na Amazônia, de Fernando Reinach (Estado, 4/6, A28), pensei em trazer o que ele mostrou para a realidade atual. Ele menciona que numa área de cerca de 100 hectares na região da Amazônia boliviana foram encontradas ruínas de duas cidades. Portanto, naquela área a floresta teria sido derrubada, muito provavelmente. Com o abandono da área, a floresta voltou a ocupá-la, encobrindo todas as construções de tal forma que do alto, a olho nu, só se vê o dossel de árvores. Só se tomou ciência das cidades encobertas por meio de equipamentos tecnologicamente sofisticados. Diante disso, podemos prever que a floresta derrubada (ou queimada) nos dias de hoje, caso seja abandonada, se regenera com o tempo?

Diarone Paschoarelli Dias

diaronedias@hotmail.com

Campinas

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

CENTRÃO

A reportagem sobre os shows em cidades pobres e sem estrutura (Estado, 6/6, A6) mostra a realidade nua e crua de uma administração pública dominada pelo famigerado Centrão. Como um exemplo de deboche a uma população desassistida, é apresentado o caso da cidade de Mar Vermelho, localizada a 110 km de Maceió, capital de Alagoas, Estado do deputado Arthur Lira, líder do Centrão. Deu-me engulho ao ler a matéria, tamanho o absurdo. É uma das cidades com a menor renda do País, com 3.474 habitantes, onde falta saneamento e pavimentação e tinha apenas 9,4% da população empregada em 2019. Nessa realidade, o prefeito, do MDB, gastou R$ 370 mil em um espetáculo eleitoreiro com Luan Santana, recursos enviados pelo senador Renan Calheiros e pelo deputado Isnaldo Bulhões, ambos do MDB. Na reportagem, é explicado que é mais fácil desviar recursos de um entretenimento do que de uma obra. Ou, acrescento eu, do que da compra de um caminhão compactador de lixo para cidades desse porte. Faz-se necessário neste ano publicar mais sobre essas improbidades para o eleitor tomar ciência de como somos espoliados. O Brasil não pode mais ficar nas mãos dessas verdadeiras quadrilhas, que tomaram de assalto o governo federal e estão nos levando para o fundo do poço.

Gilberto Pacini

benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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GESTOR PÚBLICO

A arma contra um gestor público que prioriza o investimento em infraestrutura ou segurança e não em saúde e educação, por exemplo, é o voto na urna. Já priorizar show de artista, onde falta saúde, educação e saneamento básico, a única alternativa é a cadeia.

Ely Weinstein

elyw@terra.com.br

São Paulo

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‘QUERIDINHOS’

Curioso: não vejo essa gritaria toda de agora, contra os contratos de shows nos municípios dos cantores sertanejos, quando os contratados são os queridinhos da mídia, os intocáveis Gilberto Gil e Caetano Veloso. A febre dos justiceiros sociais do Brasil é seletiva e não atinge a Vila Madalena, em São Paulo, ou Copacabana, no Rio.

Paulo Boccato

pofboccato@yahoo.com.br

Taquaritinga 

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FELIPE MOURA BRASIL

Sobre a coluna Os bons companheiros de Bolsonaro e Lula (Estado, 6/6, A8), Felipe Moura Brasil fez uma analogia perfeita com a nossa política rançosa e perversa no mesmo dia em que aparecem os shows milionários de sertanejos em prefeituras miseráveis do País. E segue o andor, com milhares de seguidores cegos e ofuscados pela luz de um mito ignorante e sem escrúpulos. Lula levará o troféu? Torço por Simone Tebet. Triste país, o nosso.

Heloisa Leandro

helolean@gmail.com

São Paulo

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NUREMBERG BRASILEIRO

Assim como aconteceu após o final da 2.ª Guerra Mundial, quando vários nazistas foram julgados e condenados pelas atrocidades cometidas contra a humanidade, aqui no Brasil, em breve, teremos de fazer algo parecido. O (anti)governo Bolsonaro jogou o País nas trevas. Genocídio durante a pandemia, destruição da Amazônia, homofobia, racismo, machismo, corrupção, maldade, burrice, estupidez, selvageria e barbárie foi o que vimos por aqui nos últimos três anos e meio. Um verdadeiro show de horrores. Viramos párias internacionais e motivo de preocupação e de deboche em escala planetária. Hoje, dá vergonha de ser brasileiro. Isso não pode ficar impune. É muito grave e as consequências são atrozes. Bolsonaro, sua gangue e seus apoiadores diretos terão de ser responsabilizados e pagar pelos muitos crimes e ignomínias por eles cometidos.

Renato Khair

renatokhair@uol.com.br

São Paulo

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‘A MORTE’

Texto irrepreensível e cirúrgico do filósofo Denis Lerrer Rosenfield (A morte, 6/6, A5), que ninguém, em sã consciência, poderia tachar de radical de esquerda.

Albino Bonomi

acbonomi@yahoo.com.br

Ribeirão Preto

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NOITE DE PRIMAVERA

Bolívar Lamounier escreveu no Estadão do último sábado uma crônica de forma diferente, quando faz uma projeção do nosso futuro com as próximas eleições (Indagações para uma noite de primavera, 4/6, A4). Ao político, deveria ser obrigatória para tentar buscar mudar essa “coisa” que chamamos de Presidência da República quando a realidade mostrar ser apenas um cargo em que se locupletam os aproveitadores políticos, a politicalha, mesmo quando sem quaisquer chances os donos de partidos concorrem para dispor dos milhões de reais vindos do erário, sem precisar justificar de forma convincente. Eu, assim como o autor, só não estou desnorteado porque nada espero de positivo do que deveria ser escolher um presidente da República. Na noite de 2 de outubro próximo, irei dormir sem expectativas boas, então não terei insônia. Meus parabéns a Bolívar Lamounier!

Laércio Zannini

spettro@uol.com.br

São Paulo

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PV

O oligarca do PV se juntou ao PT e PCdoB, e o que ele fala na propaganda de TV em favor de Lula mostra que, com tanto poder na mão, deve ter negociado algo legal com o PT. Já passou a hora de ele deixar o PV, que virou parasita do PT e se vendeu. O que o PV pensava ficou no passado. Prova de que essas parcerias são só de interesses. Vergonhoso.

 

Marieta Barugo

mbarugo@bol.com.br

São Paulo

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CRACOLÂNDIA

Tarcísio de Freitas, como ministro do atual governo, teve desempenho elogiável, fazendo jus ao seu currículo escolar. Mas, por sua sugestão sobre a Cracolândia, recomendo que continue estudando, agora sobre ocupação urbana. Em primeiro lugar, ao querer ser governador do Estado de São Paulo, deveria conhecer mais a capital. Quantas vezes esteve por nossas ruas, pelos nossos bairros? Em segundo lugar, bastaria o anúncio de sua ideia de transferir o centro administrativo do governo para o centro para a ser criada a Nova Cracolândia, ocupando novo bairro ou nova zona de consumo, dessa vez por incentivo governamental. Quanto ao senhor Haddad, qualquer oportunidade é boa para ele falar. Fazer, é outra coisa. Foi avaliado como o pior prefeito desta cidade.

Luis Tadeu Dix

tadix@terra.com.br

São Paulo

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RELÓGIOS ROUBADOS

Então, de acordo com a reportagem Policiais são investigados por suspeita de propina (Estado, 4/6, A29), a elite paulista é receptadora de relógios de luxo roubados e o Shopping Cidade Jardim, da granfinada, possui lojas para lá de suspeitas. Aposto que essa operação, que visava prender ricaços, não passou nos Datenas nem Sikêras da vida e muito menos mostrou as fotos dos envolvidos. Isso prova o que já sabemos: a Justiça, a polícia e a imprensa são seletivas.

Eliel Queiroz Barros

monoblocosantoandre@hotmail

Santo André

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APOSENTADOS

Perguntamos até quando o governo estadual descontará dos nossos proventos 16%. Com a inflação de dois dígitos e alimentos e remédios nas alturas, o direito de envelhecer ficou impossível, sem consideração e justiça. Simplesmente nos esqueceram!

 

Norma Lins de Araujo

noralinsa@gmail.com

Socorro

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TELEFONIA

O Ministério Público (MP), o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Programa Municipal de Defesa do Consumidor (Prodecon) devem ficar atentos ao que vem fazendo a Anatel. As empresas querem, na renovação, ficar com os prédios e edificações que eram das empresas privatizadas, ou seja, do povo brasileiro. É um crime passar esse patrimônio para as mãos de empresas privadas. Do mesmo modo, essas empresas não são fiscalizadas. Os orelhões, os que ainda restam, não funcionam. A telefonia pública no País acabou. Recentemente, a Anatel permitiu mais concentração no mercado de telefonia móvel, um cartel e oligopólio que explora o setor. Na compra da Oi móvel, a TIM simplesmente não está honrando os créditos que os clientes tinham na Oi. Os débitos estão cobrando, mas os créditos que tínhamos nas linhas pré-pagas foram confiscados imoral e ilegalmente pela TIM. Fazem o que querem ante a total ineficiência e ineficácia da Anatel. Caso de polícia!

Helio Silva Campos

ele56@bol.com.br

Brasília

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TV A CABO

O consumidor é a ponta final da cadeia produtiva. Pela prestação de serviços de entretenimento, a televisão brasileira recebe dos patrocinadores a remuneração contratada, entretanto, os planos de acesso aos canais são cobrados dos consumidores. Cobrar mensalidade pelo uso dos canais, como a Net-Claro, Sky e outras, é enriquecimento ilícito. Quem faz o Ibope para chamar patrocinadora é o consumidor, e não a produtora de canais da televisão, logo, o consumidor, ao bom senso da lógica matemática, deveria receber e não pagar pelo plano imposto pela prestadora de serviços.

Benito Vilacha Peres

benitovilachaperes@gmail.com

Belo Horizonte

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FICHA TÉCNICA

A chamada ficha técnica das produções musicais voltaram à estaca zero da obscuridade da década de 1950 e 1960 dos discos de vinil. Nas plataformas de streaming, não se sabe quem foi o maestro arranjador e os músicos instrumentistas que participaram das faixas dos discos que “subiram” à internet. Não se sabe o motivo de tal ausência de informação, mas pode-se imaginar que a questão dos direitos autorais dos, sempre prejudicados, músicos e arranjadores, seja o motivo pelo qual ocorre o desleixo dos organizadores desse tipo de substituição dos discos físicos pela divulgação virtual.

Mário Negrão Borgonovi

marionegrao.borgonovi@gmail.com

Petrópolis (RJ)

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ESPAÇO

Viagem "surreal e emocionante", comemorou o brasileiro que foi ao espaço dentro do foguete de Jeff Bezzos. A novidade ficou por conta do foguete, porque diariamente o brasileiro vai e volta do espaço. Encara viagens amargas e desalentadoras. Vai ao espaço com o cheque especial; vai para o espaço em busca de emprego e de comida; vai ao espaço vítima de golpistas; vai ao espaço atrás de cobertores para não morrer de frio; vai ao espaço sofrendo nos hospitais; vai ao espaço com as prestações que aumentam sem avisar. Vai ao espaço acreditando em políticos inescrupulosos.

Vicente Limongi Netto

limonginetto@hotmail.com

Brasília

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