Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2022 | 03h00

 Amazônia

Desaparecidos

Faço votos de que sejam resgatados com vida o jornalista Dom Phillips e o indigenista Bruno Araújo Pereira, que estão desaparecidos desde domingo. Ao mesmo tempo, gostaria de conhecer melhor o trabalho que os dois vinham desenvolvendo na Amazônia e possíveis resultados do projeto. Digno de nota que, apesar de já terem recebido ameaças de morte, dois profissionais detentores de certa experiência na área tenham se embrenhado na floresta para reportar invasões de terras indígenas, aparentemente desprovidos de recursos de segurança ou meios de contato compatíveis com o grau de risco envolvido em tal empreitada.

Patricia Porto da Silva

portodasilva@terra.com.br

Rio de Janeiro

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Pressão internacional

A única pergunta que o presidente Jair Bolsonaro vai ouvir na Cúpula das Américas, em Los Angeles, será sobre o jornalista inglês que desapareceu na Amazônia, ameaçado de morte por desmatadores, mineradores, pescadores e invasores da terra indígena Vale do Javari, onde vivem milhares de povos originários isolados. Será impossível mentir sobre como o seu governo atua na área ambiental: incentivando o desmatamento, apoiando a mineração, os madeireiros e os grileiros de reservas de terras há séculos preservadas pelos povos guardiões de nossas florestas. Los Angeles vai virar Los Diablos.

Paulo Sergio Arisi

paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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Poder Judiciário

Pedido de vista chicaneiro

André Mendonça, na ansiedade de manter sua posição pessoal contra o plenário virtual do Supremo Tribunal Federal (STF) convocado pelo presidente Luiz Fux, bloqueou o curso da decisão presidencial um minuto após seu desencadeamento, pedindo vista. Assim, pretendeu mostrar que o mandante do País é seu chefe, Jair Bolsonaro, a quem interessa a causa. Ocorre que pedido de vista, ainda que sempre possível a qualquer julgador, sob o princípio da justificação racional deriva da dúvida que assalta o espírito de um dos julgadores, após o início dos debates. Não é, pois, uma ferramenta de chicana ab initio. Esta, utilizada por um juiz no STF, é simplesmente deplorável. Se o ministro bolsonarista já não justificou seu impeachment precoce, lançou a primeira semente. E cumprimentos à Procuradoria-Geral da República, que imediatamente reagiu, pedindo a cassação do deputado Fernando Francischini, embalado pelo Planalto e pelo ministro, cuja manobra começou a ser fulminada. O direito tem veredas multifrontais que os bolsonaristas, adrede derrotados, desconhecem.

Amadeu R. Garrido de Paula

amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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Eleições 2022

Tumultuando

A cada dia que passa fica mais cristalino que há várias frentes, tanto no grupo político do atual governo federal como em setores privados beneficiados pelo projeto de destruição do País por este governo, incumbidas de produzir narrativas e mecanismos de toda ordem para tumultuar o processo eleitoral deste ano. Ao que tudo indica, esses grupos, interessados na continuidade da política do empobrecimento da classe média, de destruição da natureza e desmonte das instituições e de todo arcabouço razoável construído por governos anteriores, estão articulando ações planejadas com a finalidade de criar um acirramento descomunal que, por vias tortas e inimagináveis, produza na marra o resultado mais conveniente nas próximas eleições. Que a maioria silenciosa e sensata da sociedade atente para isso, prepare-se para reagir à altura e apoiar as instituições competentes, pois, tristemente, como já houve “ensaios”, até uma possível tentativa de ruptura institucional está no radar da política nacional.

Lotario Wessling

lotariowessling@yahoo.com.br  

Venâncio Aires (RS)

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Eleição ao governo de SP

(Fernando) Haddad quer Marina na vaga de vice para atrair eleitor moderado em SP (Estado, 5/6, A12). Marina Silva foi a primeira vítima de fake news em escala industrial na eleição de 2014, quando o Partido dos Trabalhadores (PT) apresentava um prato vazio sobre a mesa sugerindo que a fome seria consequência se Marina fosse eleita presidente. Como podemos ver, o PT e Bolsonaro têm muito em comum: fake news, o desejo de controlar a imprensa, ligações com o Centrão, o “meu exército” e o “exército do Stédile”, e assim vai.

Vital Romaneli Penha

vitalromaneli@gmail.com

Jacareí

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

PALAVRA DO PRESIDENTE

Queria uma palavra do presidente Bolsonaro às ameaças sofridas pelo indigenista Bruno Pereira e agora ao desaparecimento dele e do jornalista Dom Phillips (Estado, 7/6, A11). Talvez dirá: “E daí, o que posso fazer? Acontece todo dia”.

Marcos Barbosa

micabarbosa@gmail.com

Casa Branca

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DIA DA LIBERDADE DE IMPRENSA

Por ocasião do importante Dia Nacional da Liberdade de Imprensa, comemorado em 7/6, cabe citar trechos da Declaração de Chapultepec, uma carta de princípios adotada em 1994 pela Conferência Hemisférica sobre Liberdade de Expressão, realizada na cidade do México e assinada por chefes de Estado, juristas, entidades e cidadãos comuns que coloca a imprensa livre como condição fundamental para que as sociedades resolvam seus conflitos, promovam o bem-estar e protejam sua liberdade: “I- Não há pessoas nem sociedades livres sem liberdade de expressão e de imprensa. O exercício dessa não é uma concessão das autoridades, é um direito inalienável do povo; V- A censura prévia, as restrições à circulação dos meios ou à divulgação de suas mensagens, a imposição arbitrária de obstáculos ao livre fluxo informativo e as limitações ao livre exercício e à movimentação dos jornalistas se opõem diretamente à liberdade de imprensa. VI- Os meios de comunicação e os jornalistas não devem ser objeto de discriminações ou favores em função do que escrevam ou digam. IX- A credibilidade da imprensa está ligada ao compromisso com a verdade, a busca de precisão, imparcialidade e equidade e a clara diferenciação entre as mensagens jornalísticas e as comerciais. A conquista desses fins e a observância desses valores éticos e profissionais não devem ser impostos. São responsabilidades exclusivas dos jornalistas e dos meios de comunicação. Em uma sociedade livre, a opinião pública premia ou castiga. X- Nenhum meio de comunicação ou jornalista deve ser sancionado por difundir a verdade, criticar ou fazer denúncias contra o poder público.” Nestes tempos conturbados e bicudos que o País vive sob o autoritário, fascistoide e negacionista desgoverno Bolsonaro, em que grande parte das fake news são produzidas dentro do próprio Palácio do Planalto, pelo chamado "gabinete do ódio", e em que dia sim e outro também a imprensa é atacada de forma contundente, a declaração é um guia a ser trilhado e um atestado de independência da liberdade de expressão e de imprensa. Que a sociedade esteja atenta e vigilante para que o que foi acordado no México seja rigorosa e fielmente cumprido pelo governo, sem nenhum desvio, por menor que seja. Democracia e liberdade de imprensa, sempre. Ditadura e censura nunca mais.

J. S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

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CRÍTICAS X AMEAÇAS

Importante a posição e a defesa dos veículos de imprensa, em especial do Estadão, neste Dia Nacional da Liberdade de Imprensa (Ações populistas reforçam cenário de ameaça à liberdade de imprensa, 7/6, A12). Espero que haja clareza para diferenciar entre críticas e ameaças. Aquelas são saudáveis e importantes para aprimorar a interlocução da imprensa com a sociedade; estas, por outro lado, devem ser duramente combatidas.

Adilson Roberto Gonçalves

prodomoarg@gmail.com

Campinas

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IMPRENSA LIVRE

Eu amo a imprensa livre, a ponto de assinar e ler cinco periódicos mainstream confiáveis, incluindo este veículo. Parabéns!

Albino Bonomi

acbonomi@yahoo.com.br

Ribeirão Preto

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LEITOR E OUVINTE

Quando será o Dia do Leitor e Ouvinte, que têm que ler e ouvir o que interessa e o que não interessa também? O que seria da imprensa se não fossem os leitores e ouvintes? O direito à boa informação serve para os dois lados. Nós, leitores e ouvintes, também não merecemos ler e ouvir notícias falsas, distorcidas, sem transparência e com tendencionismo. Leitores, ouvintes e imprensa se completam. Viva a imprensa, e viva os leitores também!

Arcangelo Sforcin Filho

arcangelosforcin@gmail.com

São Paulo

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IMPRENSA E GOVERNO

A imprensa livre é respeitada e temida porque sempre está presente, nas horas difíceis ou de conturbação, no âmbito de sua atuação. Quantos malfeitos teriam ocorrido nos governos democráticos se a imprensa livre não tivesse atuado e os demonstrado? É por isso que governos autoritários jamais permitem a vida da imprensa livre e sem amarras. Suas ações e manifestações apreendem as situações inaceitáveis de governos voltados a seus interesses exclusivamente, colidindo com os dos governados. Nunca um dia foi tão merecido como o da imprensa livre, porque nunca é demais lembrar-se das ditaduras que tolheram a liberdade em todos os sentidos, especialmente a da imprensa. Com a imprensa arrolhada, Lula da Silva e Bolsonaro estariam navegando em céu de brigadeiro.

José Carlos de Carvalho Carneiro

carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

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VERDADE QUE INCOMODA

O Dia Nacional da Liberdade de Imprensa tem um sabor especial neste ano de eleições. Se dependesse de Lula ou de Bolsonaro, esse dia não faria parte do calendário nacional de datas comemorativas, tampouco existiria imprensa livre. Lula continua obcecado em seu projeto de controlar a mídia, e Bolsonaro constantemente a agride por sentir-se perseguido. Seus respectivos seguidores fanáticos acusam constantemente a imprensa de fazer campanha em favor do outro. Fato é que, como afirmou a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia, o cala-boca já morreu e não existe a mínima possibilidade de algum presidente, governo, grupo ou seja lá quem for de censurar, por força de lei ou pressão, a liberdade de imprensa, cujo papel primordial é o de buscar a verdade dos fatos. Lula e Bolsonaro argumentam que a imprensa distorce a verdade. Ladainha. É a verdade que incomoda os autocratas populistas.

Luciano Harary

lharary@hotmail.com

São Paulo

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CHANCE PERDIDA

O artigo de Paulo Hartung (A polarização e o debate político-eleitoral deficitário, 7/6, A4) é a melhor plataforma de governo que esperei acontecer para as eleições deste ano. A candidatura dele à Presidência da República foi minha única esperança de termos, finalmente, um governo sério, honesto, competente, livre de conchavos. Uma pena.

Paulo M. B. de Araujo

pmbapb@gmail.com

Rio de Janeiro

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‘INQUIETANTE PRIMAVERA’

Sobre a carta do leitor Carlos Ritter (Fórum dos Leitores, 6/6, A4), certamente há alguém mais humano em que se possa votar para a Presidência neste ano. A questão é que esse ou aquele alguém não tem chance alguma contra Lula e Bolsonaro. Minhas esperanças de um Brasil melhor, bem melhor, residem em 2026, com Romeu Zema e Tarcísio de Freitas no páreo.

Marcelo Melgaço

melgacocosta@gmail.com

Goiânia

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CANDIDATOS

Os principais candidatos à Presidência da República são candidatos à ditadura, militar ou civil. Enquanto um arrasa com a economia com pretensões ditatoriais, o outro promete reestatizar e arrombar o teto de gastos (Estado, 7/6, A8). Como nenhum dos dois sofrerá com as consequências, o povo que se cuide mesmo já sofrendo com cheias, porque nenhum planejamento para aliviar esses desastres está nas intenções deles.

Arnaldo Vieira da Silva

arnaldosilva1946@gmail.com

Aracaju

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FADIGA DO MATERIAL

Apostando na competência e resiliência da senhora Janja, em vão, pensei que o casamento do pré-candidato Lula lhe traria mais amor, alegria, afeto, açúcar e savoir-faire. Em plena lua de mel, diante dos aleatórios pronunciamentos, remotamente ou nos reservados clubinhos exclusivos à sua confraria, o ex-presidiário é só ódio, dissabor, acidez, cizânia, desamor, recalques e afins. Acometido pela fadiga do material no todo, o demiurgo de Garanhuns jamais vai se endireitar. É fato. Lula, a pia está cheia de louça para lavar!

Celso David de Oliveira

david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro

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PLANO PARA ESTATAIS 

No caderno Economia & Negócios do Estadão do último domingo (5/6), o jornalista José Fucs apresenta uma excelente entrevista com o senhor Wilson Ferreira Jr., presidente da Vibra Energia e ex-presidente da CPFL e da Eletrobras (‘Estatal deve triplicar volume de investimento’, 5/6, B8). É impressionante a trajetória de sucesso empresarial desse senhor tanto no comando de empresas privadas quanto no da grande holding do setor elétrico, a estatal Eletrobras. Embora reconheça-se a necessidade das privatizações, principalmente no setor elétrico pelo volume dos investimentos necessários nos próximos anos, existem situações, como o desinteresse do capital privado, ou mesmo a falta de apoio parlamentar para se promover a capitalização ou venda dos ativos à iniciativa privada, em que a existência da estatal de serviços públicos se justifica. Até nos EUA, pátria do moderno capitalismo, essa situação persiste. Apesar das dificuldades que por certo enfrentou, o senhor Wilson Ferreira Jr. demonstrou na gestão da maior empresa de eletricidade do País que é, sim, possível administrar uma empresa com capital majoritário do Estado com honestidade e competência, buscando resultados empresariais e sem desvirtuá-la de seus objetivos. Conclui-se que, se os candidatos à Presidência são bem-intencionados mas que, por ideologia, são contrários à privatização, que demonstrem aos eleitores as medidas que pretendem adotar, no campo institucional, para proteger tais empresas da ação de políticos inescrupulosos. Para esses fins, buscar a experiência de pessoas como o entrevistado já seria um ótimo começo.

Nilson Otávio de Oliveira

noo@uol.com.br

São Paulo

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O PETRÓLEO É NOSSO

Precisamos reavivar o movimento “o petróleo é nosso”, para que esse insumo –  vital para a estabilidade econômica – volte a ser tratado como um produto estratégico, e não como  uma mera commodity, como se fosse arroz, trigo, soja ou ferro, sujeito à gangorra da variação de preços ditada pelo cartel transnacional da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), que a lei não alcança.

Valério Costa Bronzeado

valeriocostabronzeado@gmail.com 

João Pessoa

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SELVAGERIA

A violência física sofrida por um policial militar recentemente, ao ser atingido com tijolada na cabeça quando tentava conter briga entre estudantes em frente a uma escola pública no Rio de Janeiro, revela até onde pode chegar a selvageria fora de controle. Ainda bem que o  governo estadual vem desenvolvendo com pulso firme um trabalho excelente no combate ao tráfico de drogas.

Marcelo de Lima Araújo

marcelodelimaaraujo@yahoo.com.br

Rio de Janeiro

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TIMEMANIA

Há algumas semanas a cédula para se fazer a aposta no Timemania, um dos jogos da Caixa Econômica Federal (CEF), não está disponível, e as casas lotéricas não sabem informar quando as terão, apenas comunicam que a CEF está reformulando o jogo. Alguém pode explicar o motivo da demora? O que está havendo, além da falta de planejamento? Só sei que a CEF está pisando na bola.

Humberto Schuwartz Soares

hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)

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