Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2022 | 03h00

Vale do Javari

A Amazônia esquecida

Desde a notícia do desaparecimento do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, há oito dias, é revelado aos brasileiros que o discurso de que “a Amazônia é nossa” não passa de mero ufanismo. Constatou-se que a região do Vale do Javari é dominada por traficantes de drogas e exploradores ilegais de caça e pesca que transitam impunemente entre as fronteiras do Brasil com a Colômbia e o Peru. Em Atalaia do Norte, líderes indígenas são obrigados a contratar segurança particular para protegê-los de atentados promovidos por esses bandidos, enquanto a delegacia local nem sequer possui rádios comunicadores. Revelou-se também que, embora tenhamos a Fundação Nacional do Índio (Funai) para cuidar da política indigenista do País, uma entidade privada, a União das Organizações Indígenas do Vale do Javari (Univaja), substitui as omissões da Funai. E quanto aos trabalhos de busca, estes seguem sem um comando único, e a coordenação é realizada de Manaus, a mil quilômetros de distância. É a total ausência do Estado brasileiro na Amazônia. Enquanto isso, o ministro da Defesa se preocupa com a auditagem de urnas eletrônicas, em consonância com o capitão-presidente. É estarrecedor constatar nossa desintegração como nação.

Honyldo Roberto Pereira Pinto

honyldo@gmail.com

Ribeirão Preto

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Vidas preciosas

Creio que, como eu, muitos cidadãos, brasileiros ou não, estão chocados com a possibilidade de estarmos diante de mais um crime envolvendo seres humanos especiais que talvez tenham dado suas vidas preciosas tentando preservar um bioma e uma cultura que vêm sendo desrespeitados há séculos em nome da ganância e de suas consequências funestas. Quando as providências cabíveis conseguirão despertar a atenção de mais pessoas como os dois? Com eles, as nossas orações e a torcida mundial para que retornem sãos e salvos.

Vera Bertolucci

veravailati@uol.com.br

São Paulo

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Eleições 2022

Cada um no seu quadrado

A apuração dos votos sempre foi acompanhada por fiscais dos partidos, o que não mudou com a chegada das urnas eletrônicas. No entanto, ao participar da pantomima que o presidente pretende montar a fim de justificar eventual derrota, o general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, ministro da Defesa, pretende agora se imiscuir no processo eleitoral com palpites infelizes do tipo “auditoria externa, pois quem administra não pode auditar”. O interessante é que os militares, sempre tão ciosos das próprias responsabilidades, acham que precisam tutelar o processo eleitoral para dar-lhe transparência, resultado da ingenuidade do ministro Barroso, ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), quando, num lapso de bom senso, convidou as Forças Armadas para comporem a comissão de verificação da inviolabilidade das urnas eletrônicas. Como dizia meu avô, se não consegue domar a onça, não a convide para dançar.

Alberto Mac Dowell Figueiredo

amdfigueiredo@terra.com.br

São Carlos

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Urnas eletrônicas

Por que toda essa interferência das Forças Armadas no processo eleitoral? As urnas eletrônicas estão em uso há mais de 20 anos sem que houvesse qualquer constatação de fraude ou erro de apuração. Neste período foram eleitos os presidentes FHC, Lula, Dilma e Bolsonaro, filiados a partidos diferentes. Tenho 82 anos, participei de várias eleições, de apuração com contagem de votos de papel e através das urnas eletrônicas. Nunca soube de qualquer contestação de resultado, os eleitos assumiram os cargos normalmente. A reação das Forças Armadas nas eleições de 2022 deixa muita preocupação. Se em mais de 20 anos nada tiveram que obstar, por que isso agora?

Adalberto Amaral Allegrini

adalberto.allegrini@gmail.com

Bragança Paulista

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Lula e Bolsonaro

Winston Churchill teria dito que “a democracia é a pior forma de governo, à exceção de todas as demais”. Mas, no Brasil, é demais ter de escolher entre Lula e Bolsonaro. Aí, já foi longe demais.

Maike André Marques

maikeandremarques@gmail.com

Itapira

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Aécio Neves

Tancredo Neves deve estar se revirando no túmulo. Ao contrário de sua conduta ao longo de toda a vida política, seu neto tenta impedir a única chance de melhorar o Brasil, com Simone Tebet.

Rita de Cássia Guglielmi Rua

ritarua@uol.com.br

São Paulo

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

ATAQUES ÀS ELEIÇÕES

Quinta-feira, 9/6: “Presidente ignora apelos e volta a atacar STF e urnas". Sexta-feira,10/6: "Empresa indicada por Bolsonaro quer mudar regras eleitorais". Sábado,11/6: "Defesa insiste em acionar TSE e se diz desprestigiada". Como podemos observar, os ataques às urnas e ao Supremo Tribunal Federal (STF) são coordenados pelo atual governo. Caso perca as eleições, está evidente que não entregará o poder ao ganhador. Ou seja, para Bolsonaro, só tem um resultado: ele vencedor ou pelo voto ou pelo golpe.

Vital Romaneli Penha

vitalromaneli@gmail.com

Jacareí

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DEFESA DA AMAZÔNIA

A cada hora que passa desde o desaparecimento do jornalista inglês Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira, tomamos conhecimento do caótico estado de abandono em que se encontra a Amazônia brasileira. São áreas imensas em mãos de quadrilhas que cometem toda sorte de crimes, desde o desmatamento ilegal e descontrolado, a derrubada de milhares de árvores destinadas ao contrabando e a exploração ilegal de minérios. Sabe-se agora que estão sob o controle de organizações criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho e a Família do Norte, vastas áreas utilizadas para o tráfico de drogas e de armas provenientes da Colômbia e do Peru. Difícil entender como foi possível chegar a tal situação de abandono da região por parte do Estado, um abandono que revela o fracasso das forças de segurança que lá atuam, ou deveriam estar atuando. Era de se esperar que o sr. ministro da Defesa demonstrasse preocupação pelo que vem ocorrendo e nos informasse sobre as medidas que vêm sendo ou que serão tomadas para acabar com tais descalabros. Mas não, por enquanto o sr. ministro parece mais preocupado em agradar o sr. presidente ao questionar a lisura das urnas eletrônicas e a dar palpite sobre a sua auditoria externa, assunto que absolutamente não lhe diz respeito. Façamos votos para que ele passe a dar prioridade ao que realmente lhe compete, que é a segurança do nosso território e, hoje, mais do que nunca, da nossa Amazônia em mãos de bandidos.

Marcos Candau

carvalhocandau@gmail.com

São Paulo

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CHEGA DE MENTIRAS

Até quando Bolsonaro vai dizer tanta mentira descaradamente? O Brasil é o país que mais preserva o meio ambiente – preservava! O Brasil é o país que tem a melhor legislação ambiental – que ele não obedece. O Brasil tem o melhor código florestal do mundo – que ele critica fortemente e que quer alterar. Seu governo está controlando o desmatamento na Amazônia – a Imazon acaba de apontar alta de 54% no mês de maio. Seu governo respeita a democracia – "Só saio desta cadeira se Deus me tirar!". O governo tomou providências assim que  soube do desaparecimento do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips – o primeiro helicóptero chegou ao local na quarta-feira, 8/6, sem contar o desdém de sua manifestação, só faltou dizer "bem feito!". Deveria ter sido vaiado na Cúpula das Américas.

Elisa Maria Andrade

elisa@portuguesemforma.com

São Paulo

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FOME

O sr. Jair disse que, se não fosse o agronegócio brasileiro, 1/3 da população mundial passaria fome, ou seja, mais ou menos dois bilhões e meio de pessoas passando fome. É interessante que exista a informação de que 15,6% dos brasileiros estão passando fome, ou seja, 33 milhões de pessoas. Na minha opinião, aí fica claro a diferença entre trabalhar e discursar.

Sérgio Barbosa

sergiobarbosa19@gmail.com

Batatais

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FALTA DE RENDA

Desolador o resultado da pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de que 50%, ou 106 milhões de brasileiros, sobreviviam em 2021 com apenas R$ 13,83 por dia, ou R$ 415 mensais (Estado, 11/6, B1). Com relação aos R$ 489, de 2020, ocorreu uma queda de 15,1%, que também é 7,4% menor que os R$ 448 de 2012. E essa perversa falta de renda ainda é pior na região Nordeste, em que boa parte da população sobrevivia com R$ 251, ou R$ 8,37 por dia, queda de 23% com relação a 2021. Já no Norte, tiveram de sobreviver com queda de 19,9%, ou mensalmente com R$ 281, e R$ 9,37 por dia. Uma coisa é certa: a situação desses dignos brasileiros teria sido melhor se tivéssemos um presidente sério e interessado em servir a Nação.

Paulo Panossian

paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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POBREZA

No Jornal da Cidade, leio com tristeza que há crianças que repetem cinco vezes a merenda. É a fome aumentando muito. E o que se sabe é uma briga de foice para político ter mais milhões do dinheiro público para se reeleger.

 

Maria do Carmo Zaffalon Leme Cardoso 

zaffalon@uol.com.br

Bauru

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MODERNIZAÇÃO 

Em relação ao editorial Fora do mapa da modernização (Estado, 10/6, A3), no meu entender, infelizmente a indústria brasileira passará por uma lenta e dolorosa derrocada, motivada em grande parte pela recusa em se modernizar e competir com o resto do mundo. Como Peter Pan, parece que a indústria nacional se recusa a crescer e a assumir seu lugar de direito no mundo. No futuro, provavelmente sobrarão apenas meras empresas maquiladoras e industriais que conhecem melhor os cavalos de seus haras do que as máquinas e empresas que administram.

Fernando T. H. F. Machado 

fthfmachado@hotmail.com

São Paulo

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VAREJO

É uma injustiça o governo imputar ao varejo responsabilidade pela inflação. O setor de varejo experimentou uma enorme evolução em seus métodos de trabalho com grande desenvolvimento, principalmente na logística, causando enorme diminuição nos custos. Hoje a margem de lucro nas empresas de modo geral são diminutas principalmente devido à grande concorrência. O setor empresarial brasileiro é onerado com uma das cargas tributárias mais pesadas do mundo. Para diminuir a inflação, é necessária uma gestão pública dos recursos oficiais com mais eficiência.

Marco Antonio Martignon

mmartignoni1941@gmail.com

São Paulo

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REGULAÇÃO DA MÍDIA

Lula voltou a falar num órgão regulador da mídia, em outras palavras, censura, usando o termo “democratização dos meios de comunicação”. Um órgão desse tipo, por exemplo, serviria para a imprensa não denunciar a ligação de um vereador do PT, de São Paulo, com o PCC e empresas de ônibus. Esse é o PT, o partido da tramoia.

J. A. Muller

josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

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IMPRENSA ENCABRESTADA

Para quem prega a democracia e a liberdade da mídia, de expressão e outras liberdades, mas como em Cuba, Nicarágua e Venezuela, vote no PT. Vamos ter de engolir a “democratização dos meios”, frase de impacto bonita mas com consequências que nunca mais vamos esquecer.

Jaime E. Sanches

jaime@carboroil.com.br

São Paulo

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OUVIR O OUTRO LADO

O editorial Lula quer imprensa encabrestada (11/6, A3) aborda um tema preocupante, citando a entrevista do ex-presidente ao portal Metrópoles em 8/5, quando declarou “O que a gente quer é que os meios de comunicação sejam efetivamente democratizados, que as pessoas possam ouvir a oposição, que tenha sempre o outro lado falando”. Não sou jornalista e muito menos opositor de Lula, ante um Bolsonaro devastador em todos os aspectos. Porém, à sua teoria, falta um fator importante, que é a lógica. Ao raciocinar sobre a aplicação prática do que entendi de seu projeto, fiquei em dúvida. Por exemplo, o Estadão publica uma informação, ou mesmo uma crítica ao governo. Na mesma matéria, teria a versão oposta, de outro jornal, ou do próprio governo, ou alguém ligado a ele. Eu, leitor, no caso, teria que descobrir, por meus meios, com quem estaria a verdade. Aliás, o que, graças à internet, ou mesmo conversando com outra pessoa, faz-se atualmente, sem nenhuma legislação a nos pajear. São diante de tais manifestações de ambos os candidatos que lideram as pesquisas que me revolto contra os partidos que almejam a tal terceira via, que deveria ser unificada, mas que não se entendem, devido à pretensão de “candidatos” sem capacidade técnica ou moral para tanto. Teremos que escolher, de novo, entre o menos ruim, graças a figuras incultas para o cargo, nos diversos partidos, com a pretensão injustificável de se achar o líder que irá recuperar um país levado à beira do abismo.

Gilberto Pacini

benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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TEBET E TASSO

Com todo o respeito à opinião do leitor sr. Francisco Eduardo Britto (Fórum dos Leitores, 10/6, A4), acho a chapa Simone Tebet e Tasso Jereissati brilhante. Além de Tasso ter uma atuação destacada no Senado, foi excelente governador do Ceará e traz um pouco do Nordeste para a chapa. Ufa, temos uma alternativa. Graças!

José Renato Nascimento 

jrnasc@gmail.com

São Paulo

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SUPREMO

O Supremo Tribunal Federal (STF) continua com suas decisões inusitadas, como mostra matéria Supremo limita interferência de Nunes Marques e Mendonça em votações antigas (Estado, 10/6, A15). Afinal, como pode um voto dado por ministro aposentado ser automaticamente validado em julgamento a ser realizado pelo colegiado atual? A lei da causalidade está sendo violentada abertamente com o passado virando o futuro, sem contar que mudança de voto ao longo do tempo tem sido até recentemente praticada.

José Elias Laier

joseeliaslaier@gmail.com

São Carlos

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IGREJA E POLÍTICA

Quando perguntaram a Jesus se deviam pagar impostos a César, ele pediu para ver uma moeda e, ao olhar para ela, perguntou: “De quem é esta imagem?”. Quando ouviu a resposta “É de César", ele respondeu: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. O arcebispo de São Paulo não precisa declarar publicamente suas preferências políticas (Estado, 11/6, A8), mas é sua obrigação firmar posição contra o aborto, o divórcio, a união civil entre duas pessoas do mesmo sexo, enfim, todo pecado descrito nos dez mandamentos. Segundo as palavras de Jesus, Deus ama os pecadores mas abomina o pecado.

Maria Gilka

mariagilka@mariagilka.com.br

São Paulo

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RELIGIÃO X IGREJA

Há uma confusão generalizada de se entender que igreja não é religião, como empresa não é ciência. Igreja e empresas são entidades humanas e por isso mesmo estão ligadas aos interesses das pessoas que as comandam. Religião, como ciência e artes, são acervos de conhecimentos humanos. Como acervos, são como bibliotecas de conhecimentos, não agem, não têm interesses particulares. Os governos se apoiam na ciência hoje como se apoiavam nas religiões há algum tempo atrás, porque precisam de conhecimentos. Então, é errada a discussão sobre laicidade, esta é devida à promiscuidade entre governos e igrejas e seus cleros, nada a ver com a religião, que é apenas um dos três acervos de conhecimento. Quando a Igreja Católica era governo (desde o Império Romano até o século 19), era ditatorial, predatória, de certa forma comunista como partido único, etc. O clero no poder fazia as maiores barbaridades e punia os que não eram “a favor”. Tudo o que um governo comunista faz hoje, a Igreja Católica fazia durante o seu longo reinado na Europa de quase 1,5 mil anos. No final do século 19 e século 20, o clero católico perdeu a vez, e hoje os pajés são os banqueiros. O mundo deu um salto de qualidade principalmente tecnológico (moral e eticamente ainda estamos mais próximos de Adão e Eva). Dizemos que o capitalismo não resolveu isso, e não foi criado para isso. O capitalismo foi criado para resolver o problema da intensa urbanização humana que precisa sobreviver cada vez mais como formigas num formigueiro. O capitalismo não foi criado para dar moral e ética, isso sempre foi função da religião através de suas igrejas e cleros, que nunca de fato cumpriram seu papel quando no poder. Daí a ideia da laicidade, que é referente às igrejas. Igreja no poder sempre foi uma lástima de moral e ética, e como sabe que o conhecimento leva à moral e ética, sempre emperrou o quanto pode o avanço científico e tecnológico, isso aconteceu em toda Idade Média na Europa. Quando surgiu o capitalismo, a agricultura na Europa ainda era a primitiva de Adão e Eva (arado de bois, enxada e foice). Com a Revolução Industrial (fruto do capitalismo), o mundo se tornou outro, "não religioso", daí surgiu o ateísmo, que nada mais é do que contestar a estupidez dos religiosos, como aliás já haviam feito os sábios gregos 500 anos antes de Cristo. A religião tem uma função de dar moral e ética a cada um. Se cada um for melhor, a sociedade também o será, e poderá ter a ciência e as artes como ferramentas.

Ariovaldo Batista

arioba06@hotmail.com

São Bernardo do Campo

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