Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2022 | 03h00

Crime na Amazônia

O fim deste governo

A dor do presente é a mesma dor do passado. A liberdade de imprensa é vítima nos tempos sombrios, mas sua luz ilumina os caminhos em momentos de combate ao mal que aflige o País, pois ajuda a superar obstáculos para avançar a democracia desde a Independência (1822). Depois do assassinato de Líbero Badaró (1830) seguiu-se a abdicação de Dom Pedro I (1831). Após a ampla liberdade de imprensa do Segundo Reinado (1840-1889), houve um período de intolerância política e polarização ideológica, com empastelamento de jornais e o assassinato de Gentil de Castro (1897). Saltando de tempos longínquos aos tempos anteriores à redemocratização do Brasil, tivemos o assassinato de Vladimir Herzog (1975) sob tortura e o de Alexandre von Baumgarten (1982), após o que ocorreu o fim do regime militar (1985). Agora, o assassinato do jornalista Dom Phillips e do indigenista Bruno Araújo Pereira mancha de maneira indelével a Nova República. Marcará o fim deste governo, que não será reeleito, pois haverá o repúdio das urnas ao atual mandatário diante de um crime inominável.

Luiz Roberto da Costa Jr.

lrcostajr@uol.com.br

Campinas

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Insustentável

O presidente Jair Bolsonaro vai encerrar sua carreira política se continuar responsabilizando as vítimas Dom Phillips e Bruno Pereira pelo crime que eles sofreram na Amazônia. Se houver comemorações, como houve no assassinato da vereadora Marielle Franco, quando políticos como Daniel Silveira quebraram uma placa de rua que prestava homenagem à vereadora covardemente assassinada, se houver algo parecido, celebrando a morte do jornalista inglês e do indigenista brasileiro, a situação de Bolsonaro ficará insustentável.

Mário Barilá Filho

mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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Indefensável

Quero ver, agora, Bolsonaro dizer ao mundo que está tudo ótimo na Amazônia, que não tem nada de errado acontecendo lá, que o desmatamento está controlado, as populações indígenas estão sendo bem tratadas e que, enfim, as autoridades estrangeiras podem voltar a investir na preservação da floresta.

José Claudio Canato

jccanato@yahoo.com.br

Porto Ferreira

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A Amazônia perdida

Como estão sendo utilizados os bilhões de reais do orçamento de 2022 das Forças Armadas (a dos tanques fumarentos), cuja principal atribuição seria a defesa do território nacional? Pelo visto, o tal slogan ufanista “a Amazônia é nossa” só existe na propaganda do desgoverno federal. A floresta já é propriedade de milhares de aventureiros que dela se apossaram com a clara conivência e incentivo dos que se aproveitam de alguma forma do saque promovido por criminosos brasileiros e por invasores provenientes de países vizinhos.

Frederico Fontoura Leinz

fredy1943@gmail.com

São Paulo

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Ausência do Estado

Há muito o Brasil abriu mão da soberania sobre a Amazônia. Ao deixar “passar a boiada”, deixou o território livre de fiscais para a ação de todo tipo de delinquente e assaltante, o que inclui fazendeiros, garimpeiros ilegais e traficantes. Simples assim.

Nilson Otávio de Oliveira

noo@uol.com.br

São Paulo

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Investigação do Denarc

Apenas coincidência?

Leitores deste jornal devem, como eu, ter sentido calafrios com a página A11 da edição de 16/6 (Contador ligado a Lula é suspeito de lavar R$ 16 mi em loteria com PCC). O endereço em Pinheiros que abriga empresas do conhecido empresário de sucesso Fábio Luiz da Silva, o Lulinha, filho do ex-presidente, também acolhe a empresa do ex-contador de Lula, João Muniz Leite, que, com sua mulher, ganhou na loteria por inacreditáveis 55 vezes em 2021. Apenas coincidência? Um tenebroso enredo este.

Jose Perin Garcia

jperin@uol.com.br

Santo André

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Vizinhos

João Muniz Leite, contador ligado à família Lula há uma década, é investigado por lavagem de dinheiro num esquema envolvendo o grupo criminoso PCC e teve decretado o sequestro de seus bens pela Justiça. Seu escritório ocupa o mesmo condomínio das empresas de Lulinha. Que nível de colaboradores tem Lula, que pretende agora voltar a governar o Brasil. Cruz credo!

Paulo Panossian

paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br


ESTADO AUSENTE

Não demorou muito para que as autoridades chegassem aos autores do brutal assassinato do jornalista Dom Philips e do indigenista Bruno Pereira. Mas, e quanto aos mandantes, serão facilmente descobertos? Embora sejam situações diferentes, é preciso lembrar que, embora os executores da vereadora Marielle Franco tenham sido identificados e presos, quem ordenou a execução ninguém sabe até agora. É esse tipo de situação que incomoda, não só o mundo, mas sobretudo nós, brasileiros. Facções criminosas poderosas, de diversos matizes e interesses, exercem ao bel prazer seu poder paralelo organizado e sofisticado, certos de não serem incomodados. O motivo não é difícil de entender: onde o Estado deixa de exercer, deliberadamente ou por incompetência, a função que lhe é devida, o crime organizado não tarda a ocupar esse lugar. Mudar esse estado de coisas requer tempo, dinheiro e vontade política. Enquanto este Brasil “novo” não surge, só nos resta protestar.

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

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SERÁ PRECISO MAIS ALGUM?

Serão necessárias mais mortes de indigenistas e de jornalistas dedicados à preservação e à informação do que ocorre na região amazônica, palco remoto e desconhecido de boa parte, para que nós brasileiros deixemos de ser avestruzes e vejamos nossas riquezas (minerais, vegetais, biológicas, antropológicas e climáticas), como se não tivéssemos autoestima, ser deixadas em mãos criminosas que a estão destruindo? Que o mente desprovida não consiga enxergar e trabalhe como saúva em favor de sua destruição não é novidade, porém, o seu potencial destrutivo seria ínfimo se não fosse acolitado por surpreendente ignorância e ausência de valores de alguns, que detestando um oponente o aplaudem, incapazes de construir alternativas. Militares com discurso nacionalista de manutenção patrimonial à deixam ao relento, fato incansavelmente exposto nos últimos dias, cujos comandos preferem refastelar-se no Rio de Janeiro, Brasília e algures bem distantes da selva. O setor do agrobusiness moderno, tido como sustentáculo do atual governo, não percebe o abismo climático que está sendo criado em detrimento do próprio negócio, com índices pluviométricos cadentes no Sudeste, 50% aos de uma década, pela redução das “chuvas voadoras” e cuja ex-ministra costumava afirmar não precisar de um metro quadrado de desmatamento para ampliar a produção, inclusive com áreas degradadas a recuperar, mas sem coragem moral de contestar as afirmações obtusas do chefe. O setor da mineração, da manufatura, incluindo o da Zona Franca, se calam diante das afirmações de botequim daquele incapaz de perceber as dimensões nefastas de suas ações e omissões, além de nada entender da questão de custos, benefícios e mercado ao falar de fertilizantes, nióbio e grafeno, substantivos para discurso decorado. Finalmente, as soluções para preservação da floresta são sobejamente conhecidas e defendidas por estudiosos do assunto e que seriam iniciadas a partir do respeito aos povos nativos, à natureza e ao bioma, com soluções adequadas e específicas ao desenvolvimento sócio econômico da região e sua população. Apenas uma simples questão de inteligência.

Alberto Mac Dowell Figueiredo amdfigueiredo@terra.com.br

São Carlos

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CRIME NA AMAZÔNIA

O brutal e covarde assassinato de dois ativistas – um brasileiro e um inglês – que apenas defendiam a preservação da Amazônia e dos povos indígenas é mais uma faceta horrenda e hedionda do Brasil de Jair Bolsonaro. Não foi por acaso. Não é um fato isolado. Há todo um projeto de extermínio em curso. Se não houvesse um jornalista inglês envolvido, o caso cairia no esquecimento, como tantos outros. O antigoverno Bolsonaro é o da destruição do meio ambiente e de seus defensores. Estamos sendo governados por genocidas e assassinos. Esta é a dura e trágica realidade brasileira dos últimos quase quatro anos. Parabéns aos quase 58 milhões de eleitores ignorantes e insensatos que ajudaram a nos tornar em párias mundiais e que levaram o Brasil ao fundo do poço.

Renato Khair renatokhair@uol.com.br

São Paulo

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AMAZÔNIA DOMINADA

O presidente Bolsonaro cansou de afirmar que governos estrangeiros pretendem se apoderar das riquezas da Amazônia, mas o que vemos, por total falta de fiscalização, e é intencional, é a região ser dominada, e criando fortes raízes, por traficantes de drogas, grileiros, contrabandistas de madeira, etc. Este é o grande legado de seu incompetente governo.

Luiz Frid fridluiz@gmail.com

São Paulo

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O BRASIL NÃO SOBREVIVERÁ

A Amazônia não vai sobreviver a mais quatro anos com Bolsonaro na Presidência da República. O Brasil não sobrevive sem a Amazônia, sem a floresta, os rios voadores vão secar e o resultado será catastrófico e irreversível. O Brasil não sobreviverá a mais quatro anos de Jair Bolsonaro.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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MENTALIDADE PRIMITIVA

Num vídeo com mais de 127 mil visualizações, o influenciador Gustavo Gayer, que tem quase 1 milhão de seguidores, disse há dois dias que a esquerda encontrou duas Marielles para usar contra Bolsonaro, referindo-se aos dois assassinados na Amazônia, o indigenista Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips. Como brasileiro, sinto vergonha e me constranjo profundamente com esses tantos que são tão íntimos da pobreza de espírito e de uma mentalidade primitiva, tacanha e ridícula. Pobre Brasil, tão longe da maturidade social e tão próximo dos indigentes de espírito.

Marcelo Gomes Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

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FALTAM PALAVRAS

Faltam palavras para expressar o horror da barbárie confessada, finalmente, pelos dois algozes de Bruno Araújo Pereira e Dom Phillips. Faltam palavras... Famílias, sentimos no mais profundo de nosso ser que estejam passando por isso! Força! Força!

Jane Araújo janeandrade48@gmail.com

Brasília

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MORTE NO PARAÍSO

A Amazônia está perdendo seu verde. Hoje, se tinge de vermelho de sangue inocente, no caso do assassinato de Dom e de Bruno. Uma terra sem lei, com o beneplácito deste desgoverno.

Elisabeth Migliavacca

São Paulo

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ASSASSINOS

O sentimento nacional é de dor, indignação e repúdio, pelos assassinatos de Bruno Pereira e Dom Phillips. Não é hora de Bolsonaro expor ao mundo a vergonha do Brasil, com desculpas e declarações estapafúrdias. Intolerável que o governo não tenha autoridade para neutralizar a escalada da escória da bandidagem que comete todo tipo de desmandos na Amazônia.

Vicente Limongi Netto limonginetto@hotmail.com

Brasília

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CRIME HEDIONDO

No coração das trevas da Amazônia Legal, transformada em narcoEstado paralelo e casa da mãe Joana pelo crime organizado nas barbas do governo federal, na desguarnecida tríplice fronteira do Brasil com o Peru e a Colômbia, foram assassinados o ambientalista Chico Mendes, em 1988, a missionária americana Dorothy Stang, em 2005, o indigenista Bruno Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips, na semana passada, entre outros milhares de anônimos defensores das terras indígenas e valentes combatentes contra a pesca, a mineração, a grilagem, a pistolagem e o desmatamento da riquíssima região. Como bem escreveu Flavia Piovesan, professora da PUC-SP e ex-vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OEA (16/6, A8), “os parâmetros protetivos internacionais requerem dos Estados o dever de garantir o direito de defender direitos, enfatizando o dever de proteção reforçada e o dever de devida diligência em relação a defensores de direitos humanos. E há a obrigação internacional de criar ambiente seguro e livre de ameaças, hostilidades e outras formas de violência, via políticas públicas, marcos normativos e mecanismos protetivos. Na hipóteses de violação a defensores de direitos humanos, há a obrigação de investigar, processar, punir e reparar a violação, de forma efetiva, adequada e sem demoras. Violar o direito de defender direitos constitui uma grave violação a direitos humanos em si mesma, que tem o impacto de violar outros tantos direitos”. À luz do crime hediondo com requintes de crueldade cometido no Vale do Javari contra Bruno e Dom, vítimas indefesas e inocentes de dois sanguinários facínoras, cabe lamentar o fim trágico e o desaparecimento de dois profissionais comprometidos com a causa indígena. A eles, um minuto de respeitoso silêncio; aos irmãos assassinos, o rigor da lei. Pena não haver nesta hora macabra prisão perpétua e pena de morte no País. Fazem por merecer.

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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A IMAGEM DO PAÍS

Com a confirmação das mortes de Bruno Pereira e de Dom Phillips, significa que para a imagem do Brasil lá fora, o que já estava ruim, provavelmente irá ficar pior.

Virgílio Melhado Passoni mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)

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UNIVAJA

A par da natural comoção gerada pelo desaparecimento dos indigenistas Dom e Bruno, seria importante conhecer detalhes do trabalho realizado pela Univaja no Vale do Javari. Li que Bruno Pereira estaria treinando indígenas a utilizarem computadores e drones. Esse tipo  de intervenção  é discutível. Em especial no caso do Vale do Javari, onde vivem tribos em total isolamento do mundo exterior. Caberia sopesar a pertinência, a validade e possíveis decorrências da introdução de tais produtos tecnológicos na cultura nativa, e até que ponto tal intervenção poderia causar rupturas no equilíbrio social e ambiental dos silvícolas.

Patricia Porto da Silva portodasilva@terra.com.br

Rio de Janeiro

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O STF NA MIRA DO CENTRÃO

Ao ler a notícia no Estadão de que há uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) sendo preparada pelo Centrão para que o Congresso possa anular decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), imediatamente me lembrei de Stanislaw Ponte Preta. Lembrei-me, também, de Giuliano Da Empoli. Se houvesse uma bancada dos “Parlamentares do Caos”, eu proporia uma emenda à emenda: só terá validade se for aprovada por unanimidade nas duas Casas do Congresso.

João Pedro da Fonseca fonsecaj@usp.br

São Paulo

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OS PODERES DA CÂMARA                       

São inacreditáveis as atitudes dos parlamentares deste grupo. Eu não votei em deputados para a Câmara tirar poderes de outros poderes. Não votei para a Câmara ser revisora de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). Então para que serviria o STF? A Câmara, além de legislar, vai também ser o Judiciário? São os atos dos antigos coronéis que ainda mandam nos bastidores desta Câmara, temos a obrigação de renovar estes quadros, a começar nos governos estaduais e para presidente.

Sergio Ramos Santana srslimeira@gmail.com

Limeira

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RIR OU CHORAR?

PEC do Centrão dá ao Senado poder para anular decisões não unânimes do Supremo Tribunal Federal (STF). Não sei se é para rir ou chorar. E quem garante que as decisões unânimes foram justas? Que legalidade ou justiça confere uma decisão unânime para não ser anulada? Eu questiono o sistema que hoje confere ao Senado o poder de rejeitar ou aceitar a indicação, pela Presidência da República, de um candidato à vaga de ministro na Suprema Corte, mas é o que está na Constituição. Os cargos nos tribunais de 3.ª e 4.ª instâncias deveriam ser preenchidos por juízes de carreira, togados, e não pelo famoso QI (quem indicou). Provavelmente, evitaria o famoso “rabo preso”. Hoje todos sabem como é. Esta Constituição é que deveria ser revista. Feita logo após o período militar, saiu o monstrengo que temos. O País é ingovernável com esta Constituição. O Executivo, se não agradar os outros dois poderes, não consegue fazer nada. Principalmente se não agradar o Legislativo. Enquanto isso, a sociedade não tem nem os serviços básicos. Mas como brasileiro diz que vai melhorar, o brasileiro é muito pio. Vamos ver até quando.

Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro

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