Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2022 | 03h00

Crime na Amazônia

Apuração surpreendente

É fazer muito pouco-caso da inteligência dos brasileiros, quando a Polícia Federal (PF), em apenas dois dias de investigação – não se sabe baseada em que provas, porque não as traz –, informa peremptoriamente que não há mandante dos assassinatos do jornalista Dom Phillips e do indigenista Bruno Araújo. Quanta eficiência! Quanta celeridade na apuração dos fatos! Se há dúvidas quanto ao mandante deste crime hediondo, parece não haver dúvidas quanto ao mandante da açodada informação. Afinal, a quem interessa colocar uma pá de cal, enterrar de vez este tristíssimo episódio, uma grande pedra no caminho da reeleição?

Junia Verna Ferreira de Souza

juniaverna@uol.com.br

São Paulo

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Quem mandou?

Quando do episódio burlesco da facada em Juiz de Fora (MG), a Polícia Federal demorou dois anos para dizer que não havia mandantes ligados a Adélio Bispo e que o PT e o PSOL nada tinham que ver com o caso. Agora, o Brasil e o mundo assistem perplexos ao desfecho do crime bárbaro contra um jornalista britânico e um indigenista brasileiro e leem que a Polícia Federal, em alguns dias, sem ter investigado profundamente, diz que não há mandantes no caso deste crime pavoroso. A história se repete no governo Bolsonaro, assim como Marielle e Anderson foram assassinados numa emboscada e até hoje, quatro anos depois, não se conhece o nome do(s) mandante(s). Quem mandou a PF dizer que não há mandantes?

Rafael Moia Filho

rmoiaf@uol.com.br

Bauru

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Plano de longa duração

Um caloroso aplauso ao editorial Réquiem para dois amigos do Brasil (18/6, A3). Está mais que claro que o problema amazônico brasileiro é muito maior e mais complexo do que gente boa pensa, neste país ou mundo afora. Ele não será resolvido no curto prazo. Talvez sejam necessárias várias décadas até que o Brasil (e o mundo) respire aliviado, ao menos com um efetivo início do progresso na mitigação dos vários aspectos negativos dessa situação. Será preciso que a inteligência brasileira, isenta de paixões político-partidárias, formule um plano de longa duração, aceito pela Nação, e que mostre que é possível, aos poucos, ir melhorando este péssimo estado de coisas por lá. Um plano de uma nação, não de um governo ou de um partido. Não deixa de causar estranheza, por outro lado, a legenda da foto publicada na página A6, na mesma edição do jornal, dando conta do início da desmobilização de tropas do Exército em Atalaia do Norte. Como assim? Não há mais coisa alguma que tropas como essas poderiam fazer na região?

José M. Frings

jmfrings64@gmail.com

São Paulo

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50 anos de Watergate

De Nixon a Trump

Sensacional a histórica matéria sobre os 50 anos de Watergate, da dupla Carl Bernstein e Bob Woodward (Estado, Manobras de Trump foram além das de Nixon, 18/6, A20 a A22). Impressionante a comparação entre os perfis de Richard Nixon e Donald Trump, ainda que, infelizmente, somente o primeiro tenha sido forçado a renunciar pelas evidências. Ambos tentaram “minar a democracia” pela busca de “interesse pessoal e político”, um por conspiração e espionagem e outro, por sedição, mas tendo em comum a prática da subversão e da desinformação. Curioso também o fato de serem paranoicos e indignados com a maneira como eram tratados, sendo homens “profundamente inseguros”, com medo da derrota e com “a percepção do mundo pelo prisma do ódio”. No mesmo texto, os autores lembram o discurso de despedida de George Washington, em 1796: “Homens ardilosos, ambiciosos e sem princípios serão capazes de subverter o poder do povo e usurpar para si as rédeas do governo”. Qualquer semelhança com a realidade do Brasil não é mera coincidência. E aproveito para citar a crônica de Marcelo Rubens Paiva O estúpido (17/6, C8), que faz menção a Nelson Rodrigues: “Os idiotas vão dominar o mundo não pela capacidade, mas pela quantidade”.

Marcelo Mauri Viana

marcelomauriv@gmail.com

São Paulo

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Ataques à democracia

Brilhante o artigo de Carl Bernstein e Bob Woodward. Mas pergunto: esquemas como o petrolão e o mensalão não são também ataques sórdidos à democracia, como os perpetrados por Nixon e Trump? Quem os idealizou e implantou não deveria ser banido da política?

Celso Francisco Álvares Leite

celso@celsoleite.com.br

Limeira

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

CONTADOR

Conversando com um amigo contador uma vez, disse-lhe que eles faziam muitas “maracutaias” no Imposto de Renda. Ele respondeu que eram a “cara do freguês”, pois simplesmente faziam o que lhes era solicitado. As notícias recentes sobre o contador de Lula, que teve seus bens bloqueados, me fazem pensar na cara de seu ilustre freguês (Estado, 16/6, A11).

Ely Weinstein

elyw@terra.com.br

São Paulo

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LULA

Lula está ficando duro de carregar.

Eugênio José Alati

eugenioalati13@gmail.com

Campinas

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URGENTE RENOVAÇÃO

Os brasileiros lembrarão com tristeza a bravura do ex-juiz Sergio Moro que, sozinho, combateu com louvor a corrupção desenfreada no País. Sem opção, despontam nas pesquisas de um lado um ex-presidiário e do outro um fascista declarado. Na verdade, para afastar essa dupla perniciosa, nada mais resta a não ser torcer por uma urgente renovação. Que venha a chapa de Simone Tebet e Tasso Jereissati. Só assim haverá mesmo uma renovação.

Júlio Roberto Ayres Brisola

jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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TASSO JEREISSATI

Tasso Jereissati, um dos melhores nomes de políticos do Brasil, e por causa da imbecilidade do PSDB, que deveria tê-lo feito seu candidato, talvez seja vice na chapa de Simone Tebet, que não passará de 5%. Não podemos esquecer que, caso ela não vingue, e não irá, já declarou apoio ao golpista Bolsonaro. Tasso, sua biografia não merece isso.

Marcos Barbosa

micabarbosa@gmail.com

Casa Branca

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SIMONE TEBET

Finalmente com Simone Tebet vejo luz no fim do túnel! Estava inconformada, nos meus 80 anos, em ter que ficar em casa fugindo por ter que votar no ruim ou no péssimo. O PSDB, à beira dos minutos finais, ainda dando voz a Aécio Neves e querendo até agora lançar candidato próprio, não percebe que são moribundos e graças à Simone terão sobrevida. Ela tem passado limpo e trabalho árduo, mas luta contra o tempo. Uma pena que só agora lhe deem espaço.

Cecilia Centurion

ceciliacenturion.g@gmail.com

São Paulo

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FOME

O povo mais pobre cada vez mais em estado de extrema vulnerabilidade social, sem ter o que comer, e o presidente só fala em mentiras e desconfianças sobre o sistema eleitoral.

Célio Borba

celioborbacwb@gmail.com

Curitiba

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FARRA DAS ELEIÇÕES

Cinco bilhões de reais do dinheiro público para a farra das eleições e, como resultado habitual, um monte de parlamentares escolados na arte de enganar, ludibriar, locupletar, corromper, sacanear, enriquecer e nos ferrar. E os 33 milhões de brasileiros que passam fome? Ah! Já sabemos – têm de votar porque, senão, não tiram passaporte.

Marcelo Gomes Jorge Feres

marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

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MOTOCIATA

"Cármen Lúcia manda investigar motociata de Bolsonaro em Orlando, Estados Unidos”, diz notícia. Sinceramente, chega a ser ridículo que tal rogatória tenha saído da mesa de uma ministra do Supremo Tribunal Federal (STF). Seriam esses os inadiáveis atributos da mais alta Corte brasileira?

Ricardo C. Siqueira

ricardocsiqueira@lwmail.com.br

Niterói (RJ)

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BOLSONARO E OS NEGÓCIOS

Bolsonaro é ruim para os negócios (Estado, 14/6, A3). Essa foi a chamada da última terça-feira, que sumariamente condena a atitude de enfrentamento de Bolsonaro contra o STF, pois entende que esse enfrentamento instabiliza o ambiente de negócios. Mas será que não é o STF, com suas decisões que qualquer estudante se Direito considerará absurdas, não é o pivô da crise institucional em que vivemos? Quem está atuando fora do desenho constitucional de Ulysses Guimarães? O STF ou o presidente da República? Bolsonaro reconhece em público que ele não é o melhor político brasileiro, mas, pragmático, alerta que ele, com razão, é a melhor das opções disponíveis. Já pararam para analisar a qualidade da equipe de primeiro e segundo escalão no atual governo federal? Já pararam para ver as conquistas dessa equipe? Bolsonaro não é o que os sonhos dos empresários gostariam de ver na Presidência da República, mas a alternativa é insuportavelmente pior.

Oscar Thompson

oscarthompson@hotmail.com

São Paulo

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TRANSPARÊNCIA DO JUDICIÁRIO

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) divulgou o Ranking de Transparência do Poder Judiciário em 2022. É para rir ou para chorar? Na linha do copo meio vazio ou meio cheio, cidadão meio ou 100% honesto, mulher ligeiramente grávida. A que ponto chegamos! Em um país sério, todas as cortes de Justiça devem ser top de linha, imaculadas, insípidas, inodoras e incolores, cada uma na sua casinha, sem ativismos e militâncias políticas. Por que esconder ou abafar as verdades? A notícia não citou a classificação do STF. Para mim, nem precisa desenhar. Por óbvio, dispensando a ajuda de algum bruxo ou das empresas de pesquisas, sem medo de errar, o STF está no grupo Z4 da tabela do Brasileirão – ops, do CNJ.

Celso David de Oliveira

david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro

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PODERES

O editorial Não há liberdade sem Justiça independente (Estado, 15/6, A3) toca na questão delicada da separação de Poderes em regime democrático, suscitada pelos ataques recentes à atuação do Supremo Tribunal Federal, Poder desprovido de voto popular, mas formado por membros presumidamente com destacadas qualificações. Como bem registrado no editorial, nenhum ministro do STF assumiu o cargo sem a aprovação dos senadores. Todavia, o desconforto causado por decisões monocráticas, e também de turmas, merece uma reflexão cuidadosa. Afinal, o que se espera do STF são decisões do colegiado completo.

José Elias Laier

joseeliaslaier@gmail.com

São Carlos

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IMPLOSÃO DO CADASTRO ÚNICO

O Cadastro Único (CadÚnico) é utilizado para determinar quem tem direito a auxílios, mas é totalmente falho. Recente reportagem da revista Veja sobre "assessores parlamentares" de Davi Alcolumbre informa que alguns deles, apesar de terem salário de até R$ 14.000, recebiam também Bolsa Família. Não se pode confiar no Cadastro Único para ficar distribuindo dinheiro público!

Renato Maia

casaviaterra@hotmail.com

Prados (MG)

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INFLAÇÃO, TAXA DE JUROS E MISÉRIA

Quando o "remédio" aumento das taxas de juros é recomendado? Quando há escassez de produtos e serviços no mercado (quando a oferta é pouca e a procura é grande). Quando a procura é muito grande por produtos e serviços? Quando o povo está com um poder aquisitivo muito alto e as empresas não conseguem atender à demanda e, assim, aumenta-se a inflação como se fosse um leilão (vendendo para quem paga mais). Aumentando-se os preços, também se aumenta a inflação. Então, aumenta-se a taxa de juros para frear o crédito e assim conter as compras. O que está acontecendo no governo Bolsonaro? O povo está com um forte poder de compra? As empresas não têm produtos e serviços para atender às demandas? Definitivamente não. O povo perdeu todo o seu poder de compra, seja pelos baixos salários, seja por estar desempregado, seja pelos altos impostos que tomam parte dos seus recursos e principalmente pelo alto custo dos serviços e produtos essenciais, como energia elétrica, gás e combustíveis. O governo Bolsonaro conseguiu reduzir a inflação aumentando os juros? Bolsonaro e o banqueiro Paulo Guedes não estão resolvendo o problema da inflação, mas sim piorando o que já estava ruim, tudo porque não possuem competência para entender as Ciências Econômicas. Deveriam ter feito exatamente o contrário, ou seja, ousando manter a taxa de juros no patamar de junho de 2020 ou mesmo baixado para estimular o comércio e assim gerar emprego e renda. Por quê? Para estimular o consumo. Quem está causando a inflação é o sistema do Preço de Paridade Internacional (PPI), ou seja, a base da formação do preço do produto vendido aos brasileiros pela Petrobras é a cotação internacional da commodity petróleo. Para entender: independentemente do custo de fabricação e transporte ser menos de 25% do que é cobrado hoje pelos combustíveis, a Petrobras cobrará o que é cobrado no mercado internacional. Portanto, não será aumentando as taxas de juros que o preço dos combustíveis baixará. Aumentar as taxas de juros torna o Brasil fragilizado economicamente, pois atraem os dólares dos estrangeiros, que entram no Brasil para aproveitar a rentabilidade dos juros mas, por outro lado, esse dinheiro é muito volátil e pode sair da mesma forma que entrou, muito rápido, ressuscitando os conhecidos ataques especulativos. Independentemente da preservação dos dividendos dos acionistas da Petrobras, se os juros fossem baixos e por conseguinte o crédito, haveria a possibilidade de financiamentos tanto para compras como para investimentos para que saiamos da roda viciosa da paralisação da economia para a roda virtuosa do retorno ao consumo.

Franz Josef Hildinger,

analista contábil da Controladoria Geral do Município de Cubatão

frzjsf@yahoo.com.br

Praia Grande

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ICMS

Concordo com o editorial O presidente que calculava (Estado, 15/6, A3), mas é bom ressaltar que os governos estaduais poderiam ser mais sensíveis. Aqui em Minas, até 2010, o ICMS sobre a gasolina era “somente” 25%. Como é cobrado por dentro, resultava numa alíquota real de 33%. Em 2011, subiu para 27%. Em 2015, nova alta: 29%. E em 2018, 31% (equivalente a 45%). Assim, até parece que os governadores estão empenhados em ajudar o populista do Planalto.

Luciano Nogueira Marmontel

automatmg@gmail.com

Pouso Alegre (MG)

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UNIVERSIDADES

Sobre o artigo Ensino pago na USP, na Unesp e na Unicamp? (Estado, 16/6, A5), estas universidades estão mesmo melhores a cada ano? Sob o citado critério de inclusão, a USP é a centésima décima quinta do mundo? Penso que coparticipar custos eleva e compartilha responsabilidade.

Rick Ringo

rickringo70@gmail.com

São Paulo

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