Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2022 | 03h00

Petrobras

Quem manda

O presidente da Petrobras é indicado pelo presidente da República e tem de ser aprovado em assembleia de acionistas composta de 11 membros, sendo 7 indicados pelo governo federal. Com esse número de conselheiros, o governo pode vetar qualquer indicação à presidência da empresa ou outra ação administrativa, como um aumento abusivo dos preços dos combustíveis. Se o presidente da Petrobras e seus conselheiros não barram os aumentos constantes de preços, o responsável por isso, de forma direta, é quem indicou essas pessoas. Bolsonaro, que diz nunca poder fazer nada, que sempre se diz traído quando contrariado, agora pede uma CPI para apurar os constantes aumentos, como se não fosse ele o responsável pela indicação do presidente e dos conselheiros. Que venha a CPI. Que o Messias seja o primeiro a ser investigado e diga aos brasileiros quem são os verdadeiros donos da empresa e o que fez com o dinheiro dos dividendos que o governo federal recebeu por ser o maior acionista da empresa.

Valdecir Ginevro

valdecir.ginevro@uol.com.br

São José dos Campos

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O governo e a Petrobras

A cara de pau de Jair Bolsonaro não tem limites. Ele finge que não tem qualquer responsabilidade sobre a Petrobras, como se ela não fizesse parte de seu governo e ele não tivesse escolhido seus dirigentes. Pior é que seus seguidores acreditam nele.

Magdalena F. Hausch

magdalenafloreshausch@protonmail.com

Belo Horizonte

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Recibo

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, que abasteceu o seu entorno com verbas do orçamento secreto revelado pelo Estadão, não satisfeito por ter se associado ao projeto bolsonarista de poder, cortou na marra o ICMS de Estados e municípios e agora quer ditar os rumos da Petrobras. É inaceitável que o presidente de um dos Poderes da República fale da forma como ele vem se manifestando em suas redes sociais. Lira passa o recibo do desespero que o acomete de perder poder ou até o mandato, no próximo ano. Lira passará e a Petrobras ficará.

Calebe H. Bernardes de Souza

calebebernardes@gmail.com

Mogi das Cruzes

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Eleição na Colômbia

Barbaridade

As grandes lições que podemos tirar da eleição ocorrida na Colômbia no domingo são a vontade e a efetiva constatação de obediência ao processo democrático. O que se ouve por aqui, no Brasil, sobre o resultado das urnas colombianas evidencia a marca do nosso atraso. Até a noite de ontem, não vimos a manifestação do nosso presidente no sentido de cumprimentar o novo eleito. E inúmeras nações já o haviam feito. Não há nenhuma dúvida de que os colombianos estão concordando com este resultado. O que dizer, portanto, da barbaridade do comportamento deste senhor que é presidente do Brasil, querendo jogar dúvidas sobre os resultados futuros das eleições deste ano e vociferando contra tudo e contra todos, qual um pobre Dom Quixote sem eira nem beira? E isso com a ajuda dos grandes chefes do Centrão, que só vislumbram o seu quintal, sua própria reeleição. Pobre Brasil na mão deste tipo de gente.

Maria Tereza Centola Murray

terezamurray@hotmail.com

São Paulo

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Desabafo

Durante oito décadas de vida e 72 anos desde que cheguei ao Brasil (idos de 1951), fui espectador da odisseia, com fim projetado e nunca alcançado, do grande futuro do Brasil. O que pude constatar neste tempo é que o futuro de um Brasil grande ficou inalcançável, e hoje, mais do que nunca, em razão do descalabro do País e dos Poderes do Estado. Tudo virou falso (fake). A libertinagem grassa no nosso país e não há poder que a detenha porque os poderes do Estado também estão infectados por ela. O que fazer e como? Maquiavel já dizia: “Nada é mais difícil de executar, mais duvidoso de ter êxito ou mais perigoso de manejar do que dar início a uma nova ordem de coisas. O reformador tem inimigos em todos os que lucram com a velha ordem e apenas defensores tépidos nos que lucrariam com a nova ordem”. Então uma possibilidade, e talvez a única, seja achar um reformador com coragem de enfrentar os que lucram com a velha ordem e incentivar os que lucrariam com a nova ordem. É por isso que a grande responsabilidade para mudar o status quo depende simplesmente de nós nas próximas eleições e nas posteriores, para aos poucos ir eliminando a escória que assola este país.

Filippo Pardini

filippo@pardini.net

São Sebastião

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

ESTUPRO E ABORTO

Bolsonaro elegeu-se prometendo castração química para estupradores. Ainda não viramos uma ditadura teocrática de extrema direita, mas já temos um exemplo do que vai acontecer: juíza retira criança autorizada a abortar do convívio familiar e a impede de interromper a gravidez, após um estupro. A menina foi estuprada aos 10 anos de idade. Permitam que Bolsonaro e seus pastores evangélicos inseridos nas instituições brasileiras, como a Justiça, tornem-se ditadores e veremos genocídios diários. Não vai sobrar nada do Brasil.

Magdalena F. Hausch

magdalenafloreshausch@protonmail.com

Belo Horizonte

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ABORTO LEGAL

As gestantes vítimas de estupro que quiserem interromper a gravidez têm o direito de fazer a cirurgia pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Código Penal estabelece que não é punível o aborto praticado por médico “se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante”. Entretanto, a objeção de consciência é um conceito defendido no Código de Ética Médico, que concede o direito de todo profissional do setor a recusar procedimentos que contrariem suas ideologias de ética, moral e religião. Ou seja, em caso de gravidez consequente a estupro, o profissional está legalmente autorizado a realizar o aborto, mas não obrigado a fazê-lo, desde que a saúde da paciente não seja negligenciada.

João Manuel Maio

clinicamaio@terra.com.br

São José dos Campos

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PETROBRAS

Coitados de nós, brasileiros. Bolsonaro querendo colocar cabresto na Petrobras e até privatizá-la. E Lula-PT querendo "abrasileirar" a política de preços dos combustíveis e morrendo de medo de uma privatização neste ano. Um pensa na reeleição e o outro, no seu futuro se eleito.

Tania Tavares

taniatma@hotmail.com 

São Paulo

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HERESIAS

Pressão política faz presidente da Petrobras deixar o cargo (Estado, 21/6, B1). Apesar da gasolina “batizada”, excomungam a direção da empresa.

A. Fernandes

standyball@hotmail.com

São Paulo

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AUTONOMEAÇÃO

Como nenhum nomeado consegue “esquentar” a cadeira da presidência da petrolífera, Jair Bolsonaro deve se autonomear como o novo presidente da Petrobras. Só assim conseguirá impor suas mirabolantes ideias para barrar os aumentos dos combustíveis e, ao mesmo tempo, dará uma trégua nos desmandos no País. “É matar dois coelhos com uma cajadada só”, como já dizia aquela senhorinha de Taubaté.

Júlio Roberto Ayres Brisola

jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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VOTO IMPRESSO

O presidente Jair Bolsonaro continua dizendo que "sem voto impresso não haverá eleições em 2022”. Na minha modesta opinião alguém tem de avisá-lo que, independentemente das eleições serem com voto impresso ou voto eletrônico, a derrota dele já está desenhada.

Virgílio Melhado Passoni

mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)

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A FILA DOS POBRES

Bem-aventurados os que se encontram na fila dos pobres de Bolsonaro, porque deles será o reino dos céus. O crucificado falava por metáforas e alegorias. Não era deste mundo e o reino dos céus não era da eternidade. O homem, com livre arbítrio, o alcançava neste maravilhoso planeta, se o tratássemos bem. Os dados expostos pelo Estadão em A fila dos pobres e pobreza da política (21/6, A3) são inatacáveis e talvez até uma expressão minorada dos sofrimentos dos brasileiros. O reino dos céus, ainda que um tanto quanto espectral, pois as realidades políticas reclamam tempo a serem transformadas, está muito próximo e neste mesmo país, que aprendemos a reverenciar desde nosso nascimento e não queremos abandonar. E nosso bastão sagrado é o voto que se aproxima.

Amadeu Roberto Garrido de Paula

amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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POBRE POLÍTICA

O editorial do Estadão sobre a fila dos pobres e pobreza da política escancara a falta que faz um projeto de país que comece com um projeto de Estado. Sim, um governo errático –  com uma política econômica errática – só pode produzir desarranjos econômicos e sociais. A impressão de marcas e carimbos em programas de governos transitórios ao invés de políticas permanentes de Estado não podem dar bom resultado. Ao invés de zerar filas, o mais provável é o emperramento ou até “a proeza de dobrar o número de famílias à espera do benefício”. Qual o sentido da extinção do Bolsa Família e sua substituição pelo Auxílio Brasil num país que tem 33 milhões de pessoas com fome? Socorro e alívio aos pobres? Ou populismo e voto de cabresto? Pobre política!

João Pedro da Fonseca

fonsecaj@usp.br

São Paulo

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ESQUERDA NO PODER

As eleições presidenciais na América Latina mostram preferência do eleitorado pelos candidatos populistas e demagogos da esquerda. Em 2018, o povo mexicano elegeu o socialista Manuel López Obrador. Em 2019, foi a vez de Alberto Fernández, na Argentina, país que ostenta uma das maiores inflações do mundo. Luis Arce, na Bolívia, em 2020. Pedro Castillo (Peru) em 2021. E Gabriel Boric (Chile) e Xiomara Castro (Honduras) em 2022. Os colombianos optaram por Gustavo Petro, um ex-guerrilheiro e sequestrador. Em geral, todos prometeram reformas estruturais, emprego, saúde, reforma agrária, educação, distribuição de renda. Castillo, no Peru, com menos de um ano de governo, foi alvo de dois processos de impeachment. E o Brasil está prestes a cair nas mãos, outra vez, de mais uma roubada.

J. A. Muller

josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

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FERIADO NACIONAL

O presidente Joe Biden acaba de sancionar o projeto de lei aprovado pelo Congresso dos Estados Unidos que cria um feriado nacional para comemorar o fim da escravidão naquele país. Aqui no Brasil, nossos legisladores deveriam incluir o dia 20 de novembro no calendário dos feriados nacionais, utilizando-se da Lei n.º 12.519/2011, que instituiu o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra

 

Jorge de Jesus Longato

financeiro@cestadecompras.com.br

Mogi Mirim

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CORPO E MENTE

No Brasil, "a pátria de chuteiras" conforme definição genial de Nelson Rodrigues, é de fundamental importância que os dirigentes do esporte bretão leiam com atenção a reportagem Gestão de crise ignora lado humano no futebol (Estado, 21/6, A18), de Eugenio Goussinsky, que analisa com propriedade o cenário do esporte e a falta de uma análise aprofundada e de atenção especial aos aspectos psicológicos dos jogadores e técnicos no duro dia a dia dentro e fora das quatro linhas das arenas verdes. Para ilustrar o problema de grandes expectativas frustradas com o desempenho de atletas e dirigentes, sem que o tempo devido para a obtenção de bons resultados seja considerado, basta verificar o quadro que a matéria expõe: nos nove clubes de maior torcida do País, há 31 fisioterapeutas, 29 analistas de desempenho, 13 nutricionistas, nove analistas de mercado, nove fisiologistas, sete na enfermagem e apenas três psicólogas. Como se sabe, de nada adianta focar 99% no condicionamento físico e relegar 1% ao importante aspecto psicológico que comanda o corpo. Quando os dirigentes do futebol entenderem que devem dar maior atenção ao lado mental dos jogadores e técnicos, aumentando o número de profissionais da psicologia nos quadros de assessoria dos times e também da seleção canarinho, certamente o rendimento de todo o elenco irá melhorar. Como se dizia muitos séculos atrás, na Roma antiga, mens sana in corpore sano.

J. S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

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DIVERSIDADE DE GÊNERO

Com a questão da diversidade de gênero recebendo tanto destaque em todo o Ocidente, o número de pessoas que assim se posicionam não para de crescer. Especialmente entre os que se declaram bissexuais, mas também em todas as demais modalidades do arco-íris. O efeito da propaganda que revela sermos todos sedentos por “Coca-Cola” e suas similares é enorme. Para citar um exemplo: o número de crianças transgênero nos EUA mais que dobrou. O quão isso irá trazer-lhes felicidade ou diminuir os seus traumas é algo cuja resposta certamente virá nas próximas décadas. Isso faz com que a minoria de gênero diverso ganhe números. Assim, já é hora de trilhar um caminho per si. Há homens genéticos que são do gênero masculino e há mulheres genéticas que são do gênero feminino (cisgênero). E há diversas variantes entre essas duas categorias. A diversidade não precisa tentar se identificar nem como homens nem como mulheres. Vejamos alguns exemplos: toaletes masculinos para homens cis, toaletes femininos para mulheres cis e toaletes para quem não se sente confortável com sua genética. Prática de esportes em equipes para homens cis, em equipes para mulheres cis e em equipes para quem não gostaria de participar de seu grupo genético. Nada mais injusto do que uma mulher trans (dotada de um corpo masculino) competindo com mulheres cis. É sabido que corpos masculinos são diferenciados pelos seus hormônios e são dotados de uma performance esportiva maior. Por isso que há práticas separadas para homens e mulheres. E assim em todos os assuntos. Os direitos femininos têm uma longa história de evolução, e ainda têm muito pela frente. As mulheres cis têm objetivos distintos dos grupos da diversidade. Tais como gerar filhos, participar de cargos privados e públicos em maior quantidade e com remuneração adequada. Os dos grupos de gênero diverso têm diversos outros objetivos. Um grupo não precisa pegar carona no outro. Que cada qual siga o seu caminho da melhor forma possível, convivendo em paz e respeitando-se mutuamente.

Jorge Alberto Nurkin

jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo

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AGRESSIVIDADE SOCIAL

Os últimos acontecimentos me fazem refletir sobre o que está fazendo falta à sociedade moderna: generosidade, a melhor das qualidades humanas. Deveríamos, nas escolas primárias, treinar as crianças a dar lugar aos mais velhos, abrir portas para senhoras, ceder aos que chegaram primeiro e ter respeito a quem realmente tem razão. Assim diminuiríamos a agressividade quando adultos desses seres que representam o futuro.

Ronaldo Rossi

ronaldo.rossi1@terra.com.br

São Paulo

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VÍDEOS ÍNTIMOS

O assunto sobre sexo ainda apresenta tabus, mesmo com tanta liberdade e informações. E sobre fantasias sexuais, então, parece crime. Com o advento dos celulares com câmeras, muitas pessoas fotografam ou filmam o ato sexual. Quem filma geralmente são os homens, mas eles não apagam as filmagens e depois compartilham nas redes sociais o “desempenho”. E nisso expõem as mulheres, que podem ser ex-namoradas, amantes, ficantes, etc. E assim começa a condenação contra o sexo feminino, enquanto o homem sai como o “gostosão” da história. No mês passado, uma vereadora do Mato Grosso teve um vídeo íntimo compartilhado no WhatsApp, o que a fez pensar em se matar. Isso prova que o machismo ainda é dominante e covarde. A lei tem de ser rigorosa com o autor das filmagens, pois foi ele quem filmou e divulgou. E quem compartilha é cúmplice. 

Alex Tanner

alextanner.sss@hotmail.com

Nova Odessa

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ASSÉDIO POR TELEFONE

Como podemos nos proteger do assédio de operadoras de telefonia que nos ligam todo dia e toda hora para oferecer produtos somados a representantes de instituições financeiras que nos comunicam a existência de crédito “à nossa disposição”? Ingenuidade acreditar que tais ofertas sejam vantajosas para alguém mais do que a própria ofertante. No entanto, no Brasil de quase 80 milhões de endividados, a conversa pode seduzir indivíduos que estejam com a “corda no pescoço”. Sugiro à defensoria pública que acione mecanismos apropriados para coibir esse tipo de propaganda invasiva e enganosa, desrespeitosa a direitos do cidadão.

Patricia Porto da Silva

portodasilva@terra.com.br

Rio de Janeiro

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