Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2022 | 03h00

Ministério da Educação

Corrupção no governo

A prisão, pela Polícia Federal, do pastor pecador e ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, por supostos crimes de corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência, é mais uma prova da ocorrência de malfeitos de grande monta no desgoverno Bolsonaro, que tem como um de seus motes a não existência da prática corruptiva sob as suas barbas. Como foi noticiado, o Ministério da Educação (MEC), sob as bênçãos do presbiteriano, foi transformado no Ministério da Corrupção, por meio da operacionalização de um gabinete paralelo que controlava a distribuição de vultosos recursos públicos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) a prefeituras, em troca de propinas solicitadas e recolhidas por pastores lobistas. O presidente Bolsonaro, que disse em alto e bom som alguns meses atrás que “botava a cara no fogo” por Milton Ribeiro, acabou com a língua e a cara queimadas. Muda, Brasil. Basta de corrupção e de Bolsonaro.

J. S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

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Propaganda

A prisão do pastor Milton Ribeiro não é o primeiro caso de envolvimento de religiosos em crimes dos mais diversos, inclusive assassinato. A prisão revela a qualidade do ministério de Bolsonaro e a falsidade da propalada inexistência de corrupção no governo, como diz o próprio presidente candidato em sua peça de propaganda eleitoral.

Celso Battesini Ramalho

leticialivros@hotmail.com

São Paulo

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Petrobras

Revisão da Lei das Estatais

A oportuníssima matéria dos jornalistas André Borges e Adriana Fernandes A revisão na Lei das Estatais mira poder do diretor de governança da Petrobras (23/6, B1) deixa claras as intenções do presidente Jair Bolsonaro. Nomeações de apadrinhados, corrupção, aparelhamento sindical, desvirtuamento dos objetivos da empresa e tudo mais que a Lei das Estatais conseguiu barrar na esteira da Operação Lava Jato para a Petrobras está prestes a acabar e cair no gosto do político e do governante desonesto. Tudo porque o governo não consegue visualizar uma forma de modificar a política de preços dos derivados de petróleo sem destruir os alicerces que colocaram a Petrobras no patamar atual de governança empresarial, dando lucro aos seus acionistas minoritários e ao próprio Estado. Se, ao contrário desse caminho, patrocinasse uma Lei das Agências Reguladoras que lhes proporcionasse as mesmas proteções da Lei das Estatais, o governo, por meio de um projeto de lei, poderia simplesmente transferir à Agência Nacional do Petróleo a autoridade para administrar os preços dos derivados de petróleo, segundo regras também aprovadas pelo Congresso Nacional. Aliás, não tem sentido uma empresa monopolística fixar preços a si. E se for dividida e/ou privatizada? Um bom exemplo de administração de preços é a praticada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que, ao fixar a tarifa ao consumidor, considera um mix de energia nacional (hídricas, solares e eólicas) e as importadas, como as térmicas movidas por derivados de petróleo. Algo parecido, considerando as particularidades dos dois setores, poderia ser perfeitamente estudado e implementado, sem comprometer a moralidade e a necessária segurança jurídica requerida pelos investidores.

Nilson Otávio de Oliveira

noo@uol.com.br

São Paulo

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Sacrifício

O ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, esmerou-se em troçar do povo ao dizer: “Os Estados estão fazendo sacrifícios, o Congresso está fazendo sacrifícios, o governo federal está fazendo sacrifícios. Ora, é natural que a Petrobras também o faça”. Senhor ministro, quem paga as contas dessas quatro entidades governamentais, que nada economizam, é o sacrificado povo brasileiro. Esqueceu?

Antonio Manoel Vasques Gomes

amavago@gmail.com

Rio de Janeiro

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CPI

O que se pode esperar de um presidente da República candidato à reeleição que pede que se instale uma CPI sobre uma empresa da qual ele próprio tem o controle, tanto que já trocou quatro presidentes dela? Um presidente que põe em dúvida as urnas eletrônicas e chega a afirmar que a eleição de 2018 – da qual ele mesmo saiu vencedor – foi fraudada. E, por fim, um presidente que, apesar de buscar a reeleição, diz que não nasceu para o cargo. Oremos!

Roberto Croitor

roberto.croitor@gmail.com

São Paulo

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

CORRUPÇÃO DA DIREITA

Após a prisão preventiva do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, sob suspeita de tráfico de influência e corrupção na liberação de verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), o discurso do governo federal mudou rápida e radicalmente (Estado, 23/6, A10). O capitão, que colocaria a “cara no fogo” por Ribeiro, agora acha que “se for culpado, vai pagar”. Considera a operação um sinal de que ele não interfere na Polícia Federal. A essa acusação, somam muitas outras: a tentativa de compra superfaturada da vacina de Covaxin, intermediada por um cabo da Polícia Militar e um “pastor” da Senah; a tentativa de cobrança de propina de algumas prefeituras, em barras de ouro, por um “pastor”; a notícia de que as “nossas” Forças Armadas compraram medicamentos para o tratamento contra a disfunção erétil e a calvície, e por aí vai. Fica a seguinte indagação para os “refratários” seguidores do capitão: a corrupção de direita é mais simpática que a da esquerda?

Omar El Seoud

elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

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J. R. GUZZO

Lamentável a colocação do jornalista J. R. Guzzo (Estado, 23/6, A12): “Com bilhões de reais desviados para um ensino superior de péssima qualidade, aparelhado por professores, políticos e funcionários, e inútil na transmissão de conhecimentos capazes de ajudar uma sociedade”. Afirmação gratuita, desairosa e ofensiva à toda a comunidade universitária que labuta diariamente nas universidades federais brasileiras, em que tenho orgulho de ter sido professor. A falta de embasamento de afirmação dessa natureza nos remete ao entendimento do antropólogo Roberto DaMatta sobre o “complexo de vira-lata”: “Por complexo de vira-lata entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca voluntariamente em face do resto do mundo”.

Pedro Luiz Bicudo

plbicudo@gmail.com

Piracicaba

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GALINHA AFOGADA

No Evangelho de Mateus, Jesus Cristo exorta seus seguidores a vê-lo e servi-lo naqueles que sofrem, com estas pungentes palavras: “Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e foste me ver” (Mateus 25:35-36). A desfaçatez e a hipocrisia que grassam no mundo evangélico é tão abissal, que eu não me surpreenderei se os pastores presos por maracutaias no Ministério da Educação vierem a alegar, na maior cara de pau, quando estiverem soltos por alguma manobra nebulosa do Poder Judiciário, que são inocentes e só estiveram na prisão para cumprir a exortação de Cristo de visitar os presos. A igreja evangélica brasileira é uma galinha estúpida que seguiu o satânico pato Bolsonaro e, agora, está morrendo afogada.

Túllio Marco Soares Carvalho

tulliocarvalho.advocacia@gmail.com

Belo Horizonte

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PASTORES

Confesso que tenho preconceito contra pessoas que tentam mudar os conceitos de outros. Pastores das diversas denominações evangélicas então estão na minha mira. Muitos são pretensiosos, desejosos de “aparecer” e impressionar os candidatos fiéis com seus ternos e gravatas. O pior é que temos uma “bancada evangélica”, coisa inimaginável num país dito “laico”. Pior ainda é um presidente professar publicamente seu apoio a essas facções, buscando votos e até nomeando um deles como ministro da Educação – logo a educação, um pilar básico para o desenvolvimento do País.

Nestor Rodrigues Pereira Filho

nestor.filho43@gmail.com

São Paulo

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RELIGIÃO E ESTADO

Essas prisões dos pastores, em especial a do ex-ministro da Educação, revela o quanto a mistura entre religião e Estado pode ser deturpada, perniciosa, ilegal. A corrupção no Brasil tem muitos tentáculos, mas investigar o Ministério da Educação (MEC) será a pá de cal nesse desgoverno de gananciosos e vorazes guardiões da própria conta bancária, regada com dinheiro público. Um escândalo.

Elisabeth Migliavacca

São Paulo

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MALFEITOS CABELUDOS

No editorial A putrefação do governo Bolsonaro (Estado, 23/6, A3), o editorialista fala em malfeitos cabeludos cometidos pelo "pastor" Milton Ribeiro. A julgar pelas fotos do cidadão, entendo que seriam malfeitos carecas, apesar de cabeludos. Ouro, venda de Bíblia, "pastores" que liberam verbas, disparo acidental de arma, a lista de malfeitos é grande. Talvez maior que as tranças de Rapunzel.

Renato Amaral Camargo

natuscamargo@yahoo.com.br

São Paulo

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PRISÃO DE EX-MINISTRO

Como pastor cristão, o ex-ministro deveria saber ler nas entrelinhas em que Deus escreve certo por linhas tortas.

Fernandes

standyball@hotmail.com

São Paulo

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MEC

O Ministério da Educação sempre foi um ninho de pilantras comunistas. Já passou da hora de acabar com essa corja de vagabundos.

Ariovaldo Batista

arioba06@hotmail.com

São Bernardo do Campo

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E AGORA, JAIR?

E agora, Jair? O jogo acabou. Ficou sem discurso. Colhe o que plantou. Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) costuma destruir governos. Perdeu o carinho do povo. O Brasil agoniza. E agora, Jair? Você briga com a sombra. Inferniza e demoniza ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Delira. Xinga jornalistas. Insulta jornais. Garante que não há corrupção no governo. Como não tem, Jair? E agora, Jair, com a prisão do ex-ministro da Educação? Lascou-se, se o reverendo Milton abrir o bico. O brasileiro não tem paz. Ninguém aguenta ser ultrajado no preço da gasolina. E agora, Jair? Acabou o riso, Jair. Fim da linha chegando. O povo não tem mais alegrias. A fome e a miséria destroem famílias. Debochou dos assassinatos do indigenista e do jornalista inglês. Em seguida, foi andar de motocicleta. Papelão, Jair. Foi omisso na compra das vacinas. Milhares de mortes poderiam ser evitadas. E agora, Jair? As esperanças do brasileiro fogem pelo ralo. Ninguém aguenta mais tantos desatinos e ódio. E agora, Jair?

Vicente Limongi Netto

limonginetto@hotmail.com

Brasília

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CPI

Em lugar de uma CPI para investigar a Petrobras, melhor seria, evidentemente, uma CPI para investigar a guerra na Ucrânia.

Euclides Rossignoli

clidesrossi@gmail.com

Ourinhos

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CESTA BÁSICA

Com a crescente espiral inflacionária no País, o aperto das classes menos favorecidas é ainda maior e mais grave do que se pensa. Segundo dados de estudo liderado pelo economista Jackson Teixeira Bittencourt, coordenador do curso de Ciências Econômicas PUC-PR, que desenvolveu o Índice de Inflação da Cesta Básica, os preços de alimentos que compõem a cesta tiveram aumento de nada menos que 26,75% nos últimos 12 meses, mais do que o dobro da inflação oficial de 11,73% no mesmo período (Estado, 23/6, B6).O indicador mede o custo de 13 alimentos essenciais que fazem parte do consumo mensal dos brasileiros, a saber: arroz, feijão, farinha, batata inglesa, tomate, açúcar cristal, banana prata, contrafilé, leite longa vida, pão francês, óleo de soja, margarina e café em pó. Como disse o economista, "o País vive um processo de empobrecimento. O poder de compra está diminuindo e as famílias ficando mais pobres, não só a classe D, mas também a C”. Pobre Brasil.

J. S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

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FIGURÕES DOS TRÊS PODERES

Time de governadores do Rio jogava pelada com time de prefeitos do Rio, em Bangu 9. Ministros de vários governos já viram o sol nascer quadrado, como Milton Ribeiro, agora. Um procurador do município tentou matar a socos uma colega de trabalho. Uma Juiza, sem juízo e perversa, não permite a uma menina de 11 anos, grávida por motivo de estupro por um monstro, fazer um aborto. A corrupção e a bandidagem correm soltas nos altos escalões do Brasil e ninguém fica preso pelo tempo mínimo de pena a que deveriam ser julgados e condenados, porque são doutores do colarinho branco ou do vestido de griffe. Cadeia só para quem rouba alimentos por passar fome. Um país de todas as injustiças e dos canalhas no poder.

Paulo Sergio Arisi

paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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FASE FINAL DA GRAVIDEZ.

A menina de 11 anos, de Santa Catarina, estava grávida de 22 semanas. Portanto, já tinha superado mais da metade do período. Então, para preservar a sua vida, a magistrada poderia ter decidido que deferia o pedido de aborto legal, desde que os médicos encarregados declarassem a viabilidade e a possibilidade da ação abortiva. Caso contrário, seria a própria ciência que resolveria o problema, orientação e decisão que não daria margem para tanta celeuma.

José Carlos de Carvalho Carneiro

carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

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REDOMA DA TOGA

Juízes precisam vir a público enfrentar o contraditório. O Ministério da Saúde adverte: a redoma da toga é prejudicial ao país. Debates e esclarecimentos são bem-vindos à democracia.

Ricardo C. Siqueira

ricardocsiqueira@lwmail.com.br

Niterói (RJ)

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TIRINHA DA MÔNICA

Fiquei estarrecida ao ver a tirinha da Turma da Mônica (Estado, 14/6, C6) em que a piada, a princípio, é sobre a Mônica reclamando com a Magali que os meninos a rechaçavam. Aí, a Magali, em seguida, após dar uma olhada na Mônica, faz outro comentário. Sabemos que essas coisas fazem parte da vida, mas, no caso, os meninos estavam chamando a Mônica de gorducha e a Magali mandou ela confessar o que estava comendo escondida, depois de olhar para o corpo da amiga. Não acredito que em pleno 2022 estou lendo uma coisa dessas. Precisei ler várias vezes para, primeiro, entender a graça e depois para acreditar naquilo. Há pessoas que sofrem de transtornos mentais que afetam gravemente sua saúde e infelizmente têm esses hábitos. E nem todos os gordos comem escondido, como a Magali diz. No passado, não tínhamos consciência de como isso poderia afetar negativamente tantas pessoas e virar um gatilho, mas hoje sabemos. É uma vergonha que um personagem brasileiro tão querido e amado tenha que passar por uma situação dessas. Se isso acontece na ficção, que exemplo damos para a realidade?

Gisela Macedo

giherself@gmail.com

São Paulo

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