Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2022 | 03h00

Escândalo do MEC

Grave interferência

A Polícia Federal sabia do que estava falando quando mencionou possível vazamento da operação em que prendeu o ex-ministro da Educação pastor Milton Ribeiro. Como a imprensa vem divulgando desde sexta-feira, áudios de grampos autorizados pelo Judiciário indicam que o próprio Jair Bolsonaro avisou o ex-ministro sobre a operação. Ribeiro diz para sua filha ao telefone: “Hoje o presidente me ligou (...) ele acha que vão fazer uma busca e apreensão”. Em outro áudio, a mulher do ex-ministro diz a um interlocutor que seu marido “estava sabendo (da operação da PF)”. Ora, trata-se de uma gravíssima suspeita de interferência do presidente da República na Polícia Federal, de dano irreparável à administração judiciária e por favorecimento pessoal. Pior ainda, num caso que envolve desvios de verbas de um ministério da importância do da Educação. Está mais do que na hora de Jair Bolsonaro ser incriminado. Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) devem ser implacáveis diante da gravidade deste comportamento do irresponsável presidente. E também o Congresso Nacional não pode mais ser cúmplice de um presidente sem capacidade moral de continuar no comando da Nação.

Paulo Panossian

paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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Eleições 2022

Ataque à Justiça Eleitoral

Sem discordar em nada do editorial do Estadão de 24/6 (A3), Bolsonaro quer controlar as eleições, sobre o ataque à Justiça Eleitoral, entendo que não é só Jair Bolsonaro que ensaia um golpe contra a democracia brasileira. Ele estaria falando sozinho, se não contasse com a colaboração extraordinária do líder do Centrão, o deputado Arthur Lira. Extrapolando sua competência constitucional, o presidente da Câmara vem retendo ilegalmente mais de uma centena de pedidos de impeachment contra o presidente da República. Setores das Forças Armadas e, agora, o Ministério da Justiça e a Polícia Federal, lembra o editorial, vão pelo mesmo caminho, extrapolando suas atribuições em afronta à Carta Magna. Enquanto mais de 33 milhões de brasileiros acordam pela manhã sem saber se vão comer naquele dia, Bolsonaro desperdiça sua jornada de trabalho, bem remunerada, com ilicitudes.

Gilberto Pacini

benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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Única alternativa

O que o editorial Bolsonaro quer controlar as eleições (24/6, A3) aponta é a única alternativa para o atual presidente se manter no poder, uma vez que, seguindo um processo eleitoral com lisura, sua derrota deverá ser fragorosa, de acordo com os mais recentes levantamentos de intenção de voto. Ou ele subverte o sistema ou dá um golpe, pois a cadeia, que lhe é a única morada lógica e justa a partir de 2023, não será pacificamente aceita.

Adilson Roberto Gonçalves

prodomoarg@gmail.com

Campinas

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Sem cabimento

Que as Forças Armadas e a Polícia Federal cumpram com o papel que cabe a elas. Não tem cabimento interferência destes órgãos nas próximas eleições.

Robert Haller

São Paulo

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Governo Bolsonaro

Pacote de bondades

Faltando poucos meses para as eleições, o governo do presidente Bolsonaro pretende distribuir tantas bondades que, na próxima propaganda eleitoral, acredito que ele vá aparecer vestido de Papai Noel.

Virgílio Melhado Passoni

mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)

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Reformas

O governo que pretende reeleição propagandeia um auxílio de R$ 600,00 mensais como seu grande feito. Em primeiro lugar, não é ajuda deste tipo que um governo deve buscar (ainda que ela seja necessária topicamente em certos momentos), mas mudanças ou reformas estruturais num país débil e desorganizado. Segundo, não há como crer na afirmativa de que esse valor permitiu aos beneficiados enfrentar o custo de todas as necessidades humanas mencionadas. Terceiro, foi fugaz. Certamente, nós reelegeríamos um governo que tivesse promovido com razoável êxito, ao menos, uma reforma administrativa e uma reforma tributária, com efeitos de reduzir a desigualdade social e não permitir a fome em nosso território. Ocorre que essas transformações jamais foram o objetivo do sr. Jair Messias Bolsonaro.

Amadeu R. Garrido de Paula

amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

PRENDE E SOLTA

Na quinta-feira, 23/6, toda a imprensa noticiou a prisão do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro. Na sexta, 24, os mesmos veículos noticiaram a soltura dele (Delegado da PF relata interferência em ação; prisão é revogada, 24/6, A10). Amanhã, bem, o amanhã a Deus pertence.

Virgílio Melhado Passoni

mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)

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CRIME

Prender Milton Ribeiro e pastores? Prender corruptos, ladrões e assaltantes?  Isso não é mais possível, e nem é justo. Se Lula está solto e ainda é candidato novamente ao cargo de presidente do País, não se faz mais necessário manter celas ou prisões. Os espaços públicos destinados a cadeias deveriam ser usados para outros fins sociais, como moradias para pessoas sem teto ou creches, por exemplo. Manter abertas as cadeias somente para crimes contra a vida, como homicídio. Precisamos ser justos e determinados a entender que o verbo roubar não existe mais. Temos que respeitar a nossa nova história. Roubar, desviar recursos públicos e corrupção não são mais crime no nosso Brasil.

Arcangelo Sforcin Filho

arcangelosforcin@gmail.com

São Paulo

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‘SÓ’ TRÁFICO DE INFLUÊNCIA

Jair Bolsonaro justificou seu ex-ministro dessa forma. Me faz lembrar Lula no mensalão, explicando que era "só" caixa dois. A alternativa a esses dois senhores que têm esses estranhos conceitos de honestidade é Simone Tebet, a nossa salvação.

Aldo Bertolucci

aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

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SIGILO DE BOLSONARO

Pelo jeito, Bolsonaro se ligou aos evangélicos porque descobriu que parte deles são verdadeiras "galinhas dos ovos de ouro", e trancou o acordo entre eles num baú por cem anos para ninguém descobrir o quanto as galinhas são gordas e penosas, quero dizer, rendosas. Será que alguém vai conseguir abrir essa verdadeira "caixa de Pandora" e o que há dentro dela antes de cumprir um século? Afinal, nunca se ouviu dizer que algum presidente tenha ordenado sigilo de cem anos até sobre gastos pessoais. Ora, para que o sigilo? Quem não deve, não teme. A transparência é sinal de confiabilidade. Se ele é o honesto que diz ser, então que levante esse absurdo sigilo, próprio de quem tem o que esconder.

Eliana França Leme

efleme@gmail.com

Campinas

 

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TROCA DE VICE

Não sei por que o presidente Jair Bolsonaro e alguns de seus apoiadores parlamentares chegaram à conclusão de que, se ele aceitar a ex-ministra da agricultura Tereza Cristina para ser sua vice na chapa (descartando o General  Braga Neto, o que não será fácil), terá muito mais chances de chegar ao segundo turno, ou mesmo vencer e ser reeleito. Acreditam que, tendo um nome feminino como vice, ele terá milhões de votos das mulheres, que hoje não votariam nele. Ledo engano. Ele pode colocar quem ele quiser como vice. Nenhuma mulher, creio eu, não votaria nele só porque tem um nome feminino na chapa. No final, o presidente seria ele mesmo. É o caso de votar no Lula só porque ele tem Alckmin como vice. Não vai fazer nenhuma diferença, o presidente será Lula, certo?

Mercedes P. Cuencas Dias

mercedesadv@hotmail.com

São Paulo

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GOVERNO PARA FAMÍLIA E AMIGOS

O sr. presidente Bolsonaro diz em sua propaganda eleitoral: “Sem pandemia, sem corrupção e com Deus no coração, ninguém segura o Brasil”. Muito bonito o slogan da sua campanha, sr. Bolsonaro, mas, primeiro, você deve reconhecer que a atuação do seu governo no controle da pandemia foi um verdadeiro desastre e uma vergonha. Foram o esforço e a boa vontade do povo brasileiro que “amenizaram” a pandemia no País. Segundo, você fala tanto em Deus, mas a sua atitude nunca confere com a de um religioso. Esse discurso todo é só para ganhar votos de pessoas religiosas, não é? Gostaria de perguntar para o sr. Bolsonaro, com sinceridade, se não se sente nem um pouco envergonhado em se candidatar à reeleição após quase quatro anos à frente de um governo que nunca se preocupou com nenhum dos problemas básicos e essenciais do País, como a saúde, a educação, o meio ambiente. Comprovadamente, o “governo Bolsonaro” existiu só para ele, a família dele e os seus amigos, nunca para o povo brasileiro. Um bom exemplo disso é o caso de corrupção do ex-ministro da Educação, que nem “esquentou o colchão” da prisão. Mas agora que a eleição está logo aí e mais de 50% do povo o rejeita, espero que o sr. perceba que, para poder continuar como presidente do País, depende muito do povo, para quem nunca deu a menor atenção. E agora, sr. presidente, qual será a sua meta principal para o próximo governo?

Tomomasa Yano

tyanosan@gmail.com

Campinas

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PRESIDENTE

“Com Deus no coração e armas de fogo na mão, com feridos e mortos em profusão, ninguém segura esta nação.” Isso é discurso de um presidente da República?

Bismael B. Moraes

bismoraes@uol.com.br

Guarulhos

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PROFETA X MITO

O Estadão utilizou de modo perfeito a palavra profecia quando notou que os petistas esperam uma enxurrada de investimentos caso seu candidato seja eleito. Faz sentido. Afinal, seu candidato foi descondenado "por milagre", é considerado ungido pelos seus seguidores e é líder de uma seita. Com absolutamente nenhuma ideia nova e consistente para o Brasil, o PT nos oferece um profeta para enfrentar um mito. Estamos bem servidos ou não?

Oscar Thompson

oscarthompson@hotmail.com

São Paulo

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TERCEIRA VIA

Invenção da imprensa, bancos e corretoras em pesquisas pagas desde janeiro. Forçam o voto nos dois que agradam ao mercado, o ex-condenado e o miliciano genocida.Tentam criar outro nome para dispersar votos. A bola da vez é a senadora Tebet. E o terceiro lugar na disputa, com ficha limpa, experiência e projeto para saída da crise, é ignorado e taxado de "nervoso" pela mídia democrática.

João Bosco Egas Carlucho

boscocarlucho@gmail.com

Garibaldi (RS)

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ELEIÇÕES 2022

Lula pode ser eleito no primeiro turno, certo? Errado, esse cara deveria continuar preso, roubou muito quando presidente. Bolsonaro poderia ter uma nova oportunidade? Não, é despreparado, um verdadeiro idiota. Qual opção? Votar nulo, em branco ou sumir no dia da eleição. Brasileiro consciente, se você não fizer o que é necessário para a sua sobrevivência, você está ferrado. Governo nenhum no Brasil vai resolver seus problemas.

José Roberto Iglesias 

rzeiglezias@gmail.com

São Paulo

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MARCELO RUBENS PAIVA

Parabéns a Marcelo Rubens Paiva pela coluna O estúpido (17/6, C8)! Podia ter declinado do nome citado no último parágrafo, por absoluta desnecessidade. Está tudo tão explícito que citar o nome era irrelevante. Só não reconheceriam a pessoa nomeada se fossem parvos como a própria. Em caso de  esperneio, poderia alegar ser tudo de maneira de dizer.

Milton Marcos de Camargo

milmarcam@yahoo.com.br

São Paulo

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WILLIAM WAACK

Necessário e oportuno o alerta do jornalista William Waack em sua coluna no Estadão (‘Brace for impact’, 26/6, A11). A poucos dias do esperado 2 de outubro, é nosso dever nos preparar para o impacto e assumir a nossa intransferível responsabilidade de cidadãos que têm compromisso com o presente e o futuro do País. Sim, é disso que se trata, pois o 1.º de janeiro de 2023 passa e depende do voto do eleitorado em 2 de outubro. É preciso que cada eleitor rejeite o papel de eleitor cativo e ouse pensar, refletir, discernir e exercer sua cidadania. Só assim poderá votar de modo consciente e consequente. Para não se arrepender e lamentar o voto preguiçoso, belicoso, massificado e pouco crítico.

João Pedro da Fonseca

fonsecaj@usp.br

São Paulo

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MUNICÍPIOS

A notícia de que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vai iniciar estudo para mapear a geografia e a infraestrutura dos municípios brasileiros é, por um lado, muito bem-vinda mesmo sendo algo que deveria ter sido levantado a décadas. É possível afirmar que a maioria dos brasileiros não sabe o que é ou o que pode ser uma cidade. Mesmo as mais limpas e organizadas apresentam problemas estruturais que deveriam ter sido superados há pelo menos um século. O mais gritante é a falta de saneamento básico, invisível, tanto na coleta e tratamento de esgoto quanto no destino final correto do lixo e entulho que ainda hoje é lixo varrido para debaixo do tapete. Reciclagem? Construiu-se onde não poderia ter sido construído por ser área de risco, de preservação de meio ambiente ou mesmo terreno público onde deveria estar uma praça. Impermeabilizou-se muito além da lógica que nossa natureza tropical permite. Faltam parques, áreas verdes, árvores, sim, árvores para sombreamento. É comum encontrar cidades com clima tórrido praticamente sem a sombra de árvores, o que é muito mais que um contrassenso. Aponta tanto para erro cultural crasso que custa muito aos cofres da saúde pública, isso para não dizer dos problemas de qualidade e produtividade do trabalho, relacionamento familiar e educação dos filhos. O levantamento que será realizado pelo IBGE se dará pelo que os olhos dos pesquisadores veem, o que sem dúvida é de grande valia, mas muito das distorções de nossas cidades está no invisível. É do convívio cordial e sadio entre cidadãos que se constrói a democracia e portanto um país. Uma das funções da cidade é justamente ser indutora de convívios cordiais e sadios. Infelizmente mais uma vez se aproxima uma eleição majoritária sem que se coloque em pauta a cidade que precisamos, o berço da democracia. A bem da verdade não se discute nada, não se propõe nada. Levantar questões pontuais desconectadas do todo, da cidade e de sua vida é continuar incorrendo no erro que está matando o País e fomentando populismos tão valiosos quanto a reforma da fonte da praça da matriz.

Arturo Alcorta

arturoalcorta@uol.com.br

São Paulo

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LUCRO DOS CARTÓRIOS

No ano de 2021 os cartórios do Brasil faturaram R$ 23,4 bilhões. O lucro faz parte de qualquer negócio, porém as taxas são diversas e algumas muito caras. Exemplo são os imóveis, em que a taxa de escritura é em média 3% do valor da propriedade, que é feito em cartório de notas. Depois, para registrar, tem que ir ao cartório de registro, mais 3% do valor do bem. E também tem o Imposto de Transmissão de Bens e Imóveis (ITBI), uma taxa municipal, valor em média 3%. E nisso tudo tem as autenticações e reconhecimento de firma, etc. Enfim, tudo somado são quase 10% de taxas e impostos, um absurdo. Acredito que dois cartórios para legalizar um imóvel é muita exploração. Isso tem que acabar.

Alex Tanner 

alextanner.sss@hotmail.com

Nova Odessa

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QUEIJO CANASTRA

Ranking dos 50 melhores queijos do mundo do The Taste Atlas de junho coloca o queijo mineiro em destaque, à frente de produtos célebres. Analisemos: o The Taste Atlas é um site americano que faz pesquisa e emite opiniões sobre comidas, restaurantes e alimentos regionais no mundo inteiro. Porém questiono seus critérios, ranking e autoridade para “lacrar” suas opiniões, e o caso do queijo mineiro é um exemplo. É lógico que gosto do nosso queijo e gostaria que um produto de nosso Estado tivesse realmente esse reconhecimento. Porém, no caso do queijo canastra, tenho algumas considerações. O queijo, originalmente “queijo canastra”, era produzido na Serra da Canastra e seus entornos dentro das seguintes condições: nas décadas anteriores a 1960 ou 1970, a região era de difícil acesso, principalmente no tempo de chuvas, quando as estradas de terra em montanha tornavam muito difícil o escoamento da pobre sustentabilidade agrícola existente. Na região, em épocas passadas, não tinha como escoar o leite diariamente, então os pequenos sitiantes, que de forma pulverizada (essa pulverização é presente até hoje) produziam leite, passaram a fazer queijos, mais durável que o leite in natura e transportável em carroças e tratores até os pontos mais próximos do acesso ao transporte rodoviário. O gado, para sobreviver na região, era muito rústico, pois pastava o capim nativo das serras, o antigo capim “gordura” (Melinis minutiflora), que nasce em terras ruins, é pouco resistente a secas e pisoteio animal. Nesse caso, tinha de ter uma área maior por animal para disponibilizar o seu alimento, e cada animal precisava andar muito para conseguir se alimentar em regiões inclinadas, de alto consumo energético. Assim, cada vaca rústica, nesse regime alimentar, produz ou produzia uma quantidade pequena de leite (3 a 4 litros por dia no máximo), porém muito concentrado, com altos teores proteicos e de gordura, resultado da alimentação com capim gordura. O gosto do queijo nessa época tinha uma forte  característica, incorporando os nutrientes concentrados da forma que eram extraídos das terras locais. Posso afirmar categoricamente que o queijo caipira daquela época não existe mais. Com a fama, o aumento da procura, a melhoria das estradas e os veículos de acesso, os produtores locais também foram se modernizando, passando a procurar raças de gado mais produtivas, plantando capins mais resistentes, em terras mais baixas da região, mudando a alimentação do gado para maior produção, com silos, milho e ração. Manteve-se parte do “sabor da terra”, pois o milho e capim plantados na região se alimentam do mesmo solo, porém o pastoreio montanhês em vegetação nativa foi praticamente extinto. Outra característica que permaneceu foi a pulverização de produtores em mãos de centenas de sitiantes, e o método de produção, com a utilização do leite cru, com o queijo sem ser levado ao fogo. Com essas condições, acentua-se a heterogeneidade da qualidade do produto final, pois tudo depende do capricho ou das condições existentes em cada unidade produtora. Por não existir essa padronização, fica dificílimo estabelecer qual o melhor queijo da canastra, além de ter outra variável que sempre existiu no processo produtivo de origem artesanal: as mudanças de comportamento do nosso produto cru em função das mudanças de tempo, temperatura e umidade relativa. Por todo esse conjunto, fica muito difícil saber, por exemplo, se um membro do provável júri que escolheu o queijo da canastra como o “melhor do mundo”, se vier aqui, vai encontrar com facilidade amostras do mesmo queijo que degustou. O nosso produto mineiro é muito bom, porém não deve ser colocado em métodos comparativos nessa eleição. Se não estivesse em primeiro, nada desmereceria o produto, pois todas as escolhas de “melhor do mundo” são meras lacrações de gente que não escolhemos para fazer o nosso papel, tal como melhor jogador de futebol do mundo ou mulher mais bonita do mundo. Tudo carregado de subjetividades e interesses que não podemos aceitar como representante da nossa opinião. Eu adoro o queijo canastra, porém não o considero necessariamente o melhor queijo do mundo, embora muita gente possa achar. Mas não vai ser um site americano que vai desempatar a questão.

Roberto Barbieri

rrbarbieri@terra.com.br

Passos (MG)

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