Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2022 | 03h00

Governo Bolsonaro

Escuta telefônica

Era para ser um grande escândalo no setor mais fragilizado e abandonado do Brasil, a Educação. Mas, graças ao vazamento da operação que investiga o gabinete paralelo do MEC – segundo a mulher de um dos envolvidos, vindo “do alto” –, não vai dar em nada. Quem vazou a operação não disse que haveria somente a busca e apreensão aos envolvidos, mas também que havia escuta telefônica em andamento. Assim, as conversas telefônicas após o vazamento não passam de uma grande farsa.

Jorge de Jesus Longato

financeiro@cestadecompras.com.br

Mogi-Mirim

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Polícia Federal

Epa, será que temos policiais federais sabotando outros policiais federais com intuito de sabotar operações? A Polícia Federal (PF) é órgão de Estado, não de governo. E, com o atual governo, é preciso tomar muito cuidado.

Sérgio Barbosa

sergiobarbosa19@gmail.com

Batatais

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O presidente Jair Bolsonaro prometeu colocar “a cara no fogo” por Milton Ribeiro. Percebendo que iria se queimar, resolveu avisá-lo de que a Polícia Federal estava em seu encalço. Afinal, Bolsonaro está no cargo para governar ou para interferir na PF e proteger seus asseclas? Se não colocou a cara, colocou a reeleição no fogo.

Júlio Roberto Ayres Brisola

jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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Eleições 2022

Candidatos perdidos

Tínhamos dois excelentes candidatos nesta eleição: um grande comunicador, jovem com grande potencial; e um governador com uma lista enorme de realizações em prol das reformas que o País precisa. O primeiro optou por sua carreira, com todo o direito, e o segundo foi rifado pelas forças que nos mantêm no atraso. Agora só nos resta escolher entre dois candidatos cujos modelos nos trouxeram até aqui. E aceitar, de troco, um Congresso que continua nas mãos das mesmas famílias desde o final do Império. Só não mudam os problemas: educação, inflação, crescimento, miséria e segurança, que é consequência.

Ricardo Freitas

r.l.a.freitas@gmail.com

São Paulo

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Fome

Durante o período trágico da pandemia, açougues passaram a vender e até fornecer ossos aos mais necessitados. Outros se aventuravam nas lixeiras de supermercados em busca de restos de carne. A novidade do momento é a venda de pele de frango, a R$ 2,99 o quilo. Esse é o retrato da insegurança alimentar no Brasil. Enquanto o povo passa fome, lautos jantares são realizados para arrecadar fundos para a campanha presidencial do mensaleiro Lula. Bolsonaro, por sua vez, insiste com as motociatas para queimar combustível, enfrentando a ira dos caminhoneiros e prometendo aumentar o Auxílio Brasil para R$ 600. Com Lula ou Bolsonaro, a fome, que não é novidade, vai persistir, como mostrava o médico pernambucano Josué de Castro com sua geografia da fome, na década de 1950.

J. A. Muller

josealcidesmuller@hotmail.com

São Paulo

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Oportunidade

O artigo de Marco Aurélio Nogueira (Uma oportunidade a mais, 25/6, A8) me remete a quatro anos atrás, nas vésperas das eleições de 2018. Aos que tinham olhos só para os dois candidatos da disputa polarizada, eu sugeria que prestassem atenção nas candidaturas que ocupavam a terceira e quarta posição nas pesquisas de intenção de voto. “Não quero nem saber”, foi o que ouvi. Insisti para que analisassem – mais com o cérebro e o coração do que com o fígado – a experiência em gestão pública, projetos e propostas dos outros candidatos, mas não tive abertura para conversa. Deu no que deu: frustração, arrependimento, retrocesso civilizacional. E agora, eleitor?

João Pedro da Fonseca

fonsecaj@usp.br

São Paulo

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Telefonia

Limites ao telemarketing

É preciso impor limites ao telemarketing. Ligações gravadas são disparadas o dia inteiro, fora do horário comercial, uma insistência insuportável. A direção das empresas que utilizam o telemarketing poderia treinar suas equipes de venda: o número que recusa a ligação não deveria receber novas ligações, o horário comercial deveria ser respeitado, etc. Se uma autorregulação não funcionar, alguma lei precisa ser criada para coibir os abusos.

Mário Barilá Filho

mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

FIM DA PICADA

Vemos atônitos uma pessoa que se diz líder religioso, ex-ministro da Educação, metido com outros em práticas nebulosas na administração de setor primordial para este país. Nefasto, porque prejudica a quem mais precisa. Na saúde, outro setor fundamental, vimos de tudo a nível federal, estadual e municipal, desde desvio de verbas para pandemia, compra de próteses com propina embutida, aborto da compra de vacina de valor majorado vendida por pessoas não categorizadas para tal. Se formos comentar sobre a insegurança vivida pela população, daria para escrever um livro. Absurdos tais como os comentários de um ex-presidente candidato, preso por presumida corrupção, que tem a cara de pau de criticar desvios verificados na seara de seu sucessor, como se nada tivesse cometido. Isso é Brasil.  E o fim da picada.

Sergio Holl Lara

jrmholl.idt@terra.com.br

Indaiatuba

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O PASTOR E O PASTOREIO

Neste caso do ex-ministro da Educação, temos algumas pérolas. A filha do pastor diz que está falando do celular normal e o pastor desconversa. O que seria um celular anormal? Foi dito que o presidente teve um pressentimento de que o pastor teria sua residência investigada. Será que o presidente não teve outros pressentimentos sobre reeleição, inflação, guerra da Rússia, preço de combustível, subida do dólar? O advogado diz que o pastor tem que pedir autorização para falar o nome do presidente. Desconheço essa legislação que o causídico tenta impor.

Vital Romaneli Penha

vitalromaneli@gmail.com

Jacareí

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CORRUPÇÃO NO MEC

Os pastores, tão apegados à Bíblia, se realmente fossem verdadeiros exemplos no cumprimento daquilo que pregam, deveriam estar mais preocupados em salvar as almas de sua igreja do que em enriquecer os próprios bolsos à custa de propinas. Corrupção não rima com religião.

Geraldo Tadeu Santos Almeida

gege.1952@yahoo.com.br

Itapeva

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‘MINTO’

E agora, será que Bolsonaro vai continuar dizendo que não há corrupção no seu governo? Será que ainda os fanáticos continuarão a bater palmas para o maluco e dizer que ele é mito? Ele é “minto”. Não é mais possível passar por cima de tudo isso. Acorda, Brasil.

José Claudio Canato

jccanato@yahoo.com.br

Porto Ferreira

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JUSTIÇA OU INJUSTIÇA?

É considerado fascismo criticar a prisão imediata do ex-ministro do MEC pelo suposto envolvimento com R$ 50 mil, enquanto o “cara” da quadrilha envolvida na corrupção totalizando muitos bilhões de reais na Petrobras, só depois de condenado em três instâncias ficou hospedado num SPA em Curitiba, está limpo também na Lei da Ficha Limpa e lidera a corrida presidencial. No Brasil, para a Justiça, é pecado roubar pouco.

Humberto Schuwartz Soares

hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES) 

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O DEBATE INTERDITADO

O artigo O consequencialismo dos conservadores (Estado, 22/6, A4), de Nicolau da Rocha Cavalcanti, é um texto provocador na direção da superação do diálogo de surdos em que se converteu o debate de ideias desde quando foi plantada a discórdia entre os que pensam diferente, tomados por inimigos. O texto defende que “respeitados conservadores”, como reação, seguem apoiando Bolsonaro apesar de tudo por este se constituir numa espécie de barreira contra determinadas teses, diuturnamente marteladas, enquanto não surge alguém melhor. Diante dessa conclusão, como poderia ser retomado o debate civilizado, racional e respeitoso se a condição prévia é o apaziguamento de ânimos e o desarmamento de espíritos, tendo em vista que nossas liderança políticas investem permanentemente no conflito e em narrativas? Os mais combativos tentam aniquilar mesmo os silenciosos adversos, como se esses fossem beócios dinossauros, em vez de tentar convencê-los pela argumentação e, se não o conseguem, apenas admitir a pluralidade de ideias, própria à natureza humana e pedra de toque inerente à democracia. O contrário é a ditadura do pensamento único ou o cansativo “politicamente correto”, dos detentores da verdade, o que apenas demonstra pobreza intelectual e que conduz ao impasse destrutivo, como o que vivenciamos.

Alberto Mac Dowell Figueiredo

amdfigueiredo@terra.com.br

São Carlos

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VALE-TUDO

Neste vale de lágrimas que se tornou o Brasil, diante da iminência de vir ocupar a Presidência da República um governante descompromissado com o ideal dos brasileiros de bem, que não é mais do que simplesmente manter o País no trilho que leva ao desenvolvimento econômico, social, político, cultural e ambiental, à medida que o tempo de sufragar o nome do que virá ocupar o Planalto a partir de 1/1/2023 vai se extinguindo, maior é o desespero dos que sabem que perderão as esperanças, e que tudo poderá mudar de rumo, ou mantê-lo. Até então, será o vale-tudo.

Carlos Leonel Imenes

leonelzucaimenes@gmail.com

Nazaré Paulista

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PARLAMENTARISMO

Um parlamentarismo com partidos fortes, provavelmente sem donos, que preserva o Poder Executivo. O presidente define as políticas públicas, com um Executivo forte também, semelhante ao sistema político francês e também ao português. Esse é o caminho para o centro, que pode ser atingido simplesmente por uma emenda constitucional, mantendo-se o calendário eleitoral, inclusive as eleições deste ano.

                                                                                                                                                                                                                                                                            Helio Teixeira Pinto

helio.teixeira.pinto@gmail.com

Rio de Janeiro

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IDENTIFICAÇÃO RACIAL NA USP

Os alertas do ex-reitor da Universidade de São Paulo Vahan Agopyan foram negligenciados pelo Conselho de Graduação ao aprovar a criação da banca de identificação racial, nome nebuloso para um tribunal racial, pois terá a incumbência tenebrosa de julgar quem é negro e quem não é como mostra matéria USP terá banca de identificação racial para coibir fraudes em cotas (Estado, 25/6, A25). Parece que, além de tudo, o Conselho de Graduação ignorou trabalhos científicos apresentados pelo renomado geneticista Sergio Pena em entrevista à revista Pesquisa Fapesp (agosto de 2021), mostrando que a maioria dos brasileiros tem algo como 35% de sua gênese na África, sem contar, desconcertantemente, por exemplo, que o conhecido Neguinho da Beija-Flor apresenta 67% de origem europeia. Os EUA, que criaram cotas raciais, já não têm mais. Por que será?

José Elias Laier

joseeliaslaier@gmail.com

São Carlos

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ABORTO

A Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou sua decisão anterior que garantia nacionalmente o direito ao aborto, devolvendo aos Estados o poder de definir se permitem esse tipo de procedimento (Estado, 25/6, A22). Cabe ponderar o seguinte a respeito: o aborto costuma ser visto como uma decisão consciente da mulher moderna e como forma de controle de natalidade com reflexo direto no aumento do índice de pobreza da população. Os EUA, por exemplo, já realizaram mais de 62 milhões de abortos desde a legalização da prática pela Suprema Corte do país. Que um feto é um ser vivo, ninguém discute. Também é sabido que a produção de ondas cerebrais semelhantes às de um ser humano como nós ocorre a partir da oitava semana e evolui até a 20.ª semana da gravidez. Seria conveniente que fosse obrigatório que as mulheres que desejam abortar tivessem a obrigação de assistir a dez minutos de um ultrassom do seu feto. Só para estarem realmente conscientes de como é o ser cuja vida está em jogo. Isso tornaria a sua decisão bem mais consciente. Também caberia à sociedade desenvolver alternativas de apoio para aquelas mulheres modernas e conscientes que, apesar de não quererem abortar, não têm condições ou vontade de criar o filho que se encontra em gestação no útero. O útero é da mulher (não há discussão a esse respeito), mas quando se trata da vida da criatura dentro dele e do direito de tirá-la, é uma questão delicada e nada elementar.

Jorge Alberto Nurkin

jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo

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SUPREMA CORTE

O mundo está muito chato, tudo é causa de briga. Os desocupados do Supremo Tribunal Federal (STF) comandam o País. Os senadores, os deputados e até o presidente são sustentados à toa. Quem manda é o STF. Agora, a Suprema Corte dos norte-americanos foi lá atrás, logo após a extinção dos dinossauros, fazer voltar uma lei antiaborto. Volta a mando do Supremo de lá, outros desocupados. Aí, as mulheres vão às ruas, berram, surtam. Façam aborto onde pode, vão a outros Estados. E me espanta termos tanta ciência, remédio, preservativo para evitar, no mínimo, aids. Se protejam e pronto. E depois aprendam a votar.

Roberto Moreira da Silva

rrobertomsilva@gmail.com

São Paulo

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CONTRACEPTIVOS

A discussão sobre a legalização ou não do aborto é muito válida. Mas por que não se faz uma campanha forte dos métodos contraceptivos? É inexistente, nem se ouve falar.

Fabiana Gonçalves

fabifabigon@gmail.com

São Paulo

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COVARDIA SEM TAMANHO

Muitos leitores, no caso, homens, em cartas aos jornais, expressam revolta com a Justiça ter permitido, finalmente, que a menina de 11 anos realizasse o aborto que buscava por ter sido vítima de um estupro. Direito que está na lei brasileira até agora, isso se não acontecer o que aconteceu nos EUA que, depois de 49 anos anos, viu a Suprema Corte derrubar a suada conquista de americanas após décadas de luta. O retrocesso ocorreu porque hoje, na Corte de lá, três juízes ultradireitistas, colocados por Donald Trump, atuam para impor o atraso a uma das nações mais progressistas do mundo. Aqui, no atual STF, temos dois, inclusive “um pastor terrivelmente evangélico”, levados por Bolsonaro, com o aval de nossos senadores, todos muito probos, diga-se de passagem. As pesquisas sobre intenção de voto já permitem dizer que, por enquanto, vamos ficar apenas nesses dois. Voltando à revolta dos machistas pelo fato de a menina ter conseguido realizar um direito seu, ficam as questões: se fosse ela filha de algum deles, pensariam da mesma forma? Se o fato de, segundo afirmam, o estuprador ter 13 anos, atenua a violência do ato? Estão alegando que nem houve estupro, mas um “namoro” de adolescentes. Pelo amor de Deus! Tudo isso é degradante. O erro começou com o hospital ter se recusado a realizar o procedimento ao ser procurado. Em seguida, uma juíza, que se esqueceu de que o Estado que a emprega é laico, achou por bem recolher a criança em uma instituição para menores para que ela “refletisse carinhosamente sobre levar adiante a gravidez”. Não precisa dizer mais nada. Só Renato Russo expressou de forma contundente a perplexidade de quem olha o Brasil: “Que país é este?”.

Jane Araújo 

janeandrade48@gmail.com

Brasília

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VÍTIMA DE ESTUPRO

A respeito do polêmico caso da menina que engravidou aos 10 anos, vítima de estupo pelo primo de 13 anos, em Santa Catarina, cujo procedimento de interrupção da gestação foi realizado com autorização da Justiça, cabe dizer aos que se declaram contrários à prática que a geração de uma vida deve ser feita num ato de amor, jamais de violência. Em caso de estupro, o aborto, referendado pela lei, é a mais indicada solução. No caso em tela, uma mãe com 11 anos de idade seria absolutamente antinatural, descabido e fora de propósito. A geração de uma nova vida por amor é uma dádiva divina, enquanto a gerada por estupro é do diabo.

 

J. S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

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IGREJA

Hoje, infelizmente, tão desacreditada pelos maus exemplos, mas nem por isso perdeu o seu valor aos “olhos de Deus” e ao nosso “bem-estar”. Afinal, o que é igreja? Igreja somos nós, o corpo vivo e atuante de Cristo nesta terra desgastada e assolada pela avareza e falta de amor ao próximo, um abrigo e sombra aos viajantes. Na semana que passou, tive duas vivências lindas como igreja. Uma caixa de antibiótico muito caro que comprei sobrou, mas nem as farmácias ou laboratórios aceitam a sua devolução, mesmo sendo caixa fechada e recém-comprada, com prazo longo de validade, compreensível pelos riscos de contaminação. Fui então até uma unidade de bairro do Sistema Único de Saúde (SUS) para doar, mas também não podiam aceitar para socorrerem doentes sem condições financeiras para o tratamento. O caminho de socorro aos mais pobres foi doar a uma igreja cristã católica do meu bairro, que ficou de encaminhar a uma “farmácia solidária” no Hospital São Camilo. Outra experiência foi ajudar uma amiga que está sofrendo de depressão e síndrome do pânico levando a uma pequena comunidade cristã evangélica próxima da USP, onde tem sido acolhida e apoiada. São muitas as experiências de socorro e compaixão ao próximo por meio da igreja. Graças a Deus temos essa “sombra de árvore” e “oásis” nesta terra, vamos então valorizá-la.

Silvia R. P. Almeida

silvia_almeida7@hotmail.com

São Paulo

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