Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2022 | 03h00

Flávio Bolsonaro

As arengas de sempre

Leitor há décadas do Estadão, me surpreendi com a entrevista de Flávio Bolsonaro, que, embora senador, nada tem de senatorial (‘Como a gente tem controle sobre isso?, 30/6, A10). Na ausência de histórico parlamentar referencial, aproveitou a entrevista para repetir as arengas de sempre: desconfiança das urnas eleitorais, repetindo provável vulnerabilidade (jamais efetivamente comprovada); que os Bolsonaros não têm como controlar eventual levante de seguidores descontentes com o resultado da eleição (mas excitam diuturnamente o desmonte da democracia, via mensagens em redes); que o pai o ensinou a agir sem pensar em votos e que os auxílios sociais que o governo tenta aprovar atualmente são para ajudar os pobres (pai e filhos nos acham idiotas); que Jair Bolsonaro erra tentando acertar (pelo visto, vai terminar o governo sem acertar); que o presidente não interfere na Polícia Federal (o tratamento privilegiado dispensado ao ex-ministro da Educação Milton Ribeiro após sua prisão, amplamente filmado, fotografado e até denunciado por membro da PF, foi delírio da imprensa). Da entrevista, tira-se uma conclusão: o Brasil tem personagens que, entrevistados, efetivamente podem contribuir para uma consciência de reconstrução. Com certeza, Flávio Bolsonaro não está entre eles.

Honyldo Roberto Pereira Pinto

honyldo@gmail.com

Ribeirão Preto

‘Deus quis’

As palavras do filhote 01, Flávio Bolsonaro, ao falar que não podem controlar a reação de seus partidários, caso seu papai perca a eleição presidencial, me fazem lembrar a história do juiz que, durante audiência, pergunta ao assassino: “Então, o senhor matou a vítima?”. Ao que o réu responde: “Não, senhor, só enfiei a faca; se ele morreu, foi porque Deus quis”. É o mesmo caso: o sinal verde para a baderna foi dado pela família, mas, se ela ocorrer, foi porque Deus quis.

Heleo Pohlmann Braga

heleo.braga@hotmail.com

Ribeirão Preto

Medo

Será que o senador Flávio acredita no que disse na entrevista ao Estadão? A maneira como o governo é descrito parece uma obra de ficção, e um filme de terror quando ele se refere às urnas eletrônicas e a uma possível “genuína reação popular” diante de um resultado desfavorável ao atual presidente na eleição de outubro. Medo, muito medo.

Maria Ísis M. M. de Barros

misismb@hotmail.com

Santa Rita do Passa Quatro

Auxílio caminhoneiro

Benesse eleitoreira

Nós, brasileiros pagadores de escorchantes impostos, bancamos o vale-gás e o Auxílio Brasil, e agora teremos de financiar também o voucher a caminhoneiros? E os milhões de desempregados que não entram nessas benesses eleitoreiras, vão viver do quê?

Marisa Bodenstorfer

Lenting, Alemanha

Segurança pública

Redução da violência

De todas as capitais do Brasil, São Paulo foi a que teve menor média do índice de mortes violentas por 100 mil habitantes em 2021: 7,7, ante 9,5 em 2020. Ou seja, uma variação de -19,1%. Redução de quase 1/5. Trata-se de uma notícia extraordinariamente boa para todos os paulistanos. Não há nada que afete tanto o bem-estar do cidadão. Agradeço a todas as autoridades envolvidas que contribuíram para esse excelente resultado. Com base nisso, gostaria de sugerir a realização de uma estatística simples e que pode ser muito relevante para o diagnóstico e o debate em torno da questão da segurança pública: qual porcentual de armas utilizadas nestes crimes violentos era de armas legalizadas e qual o de armas ilegais? Com essa informação, daria para saber se a venda legal de armas é uma raiz da questão e qual o seu peso.

Jorge A. Nurkin

jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo

Urbanismo

Contraste

A restauração da Catedral de Notre-Dame, em Paris (Estado, 28/6), prevê a integração da catedral com os parques no seu entorno, aumentar em 30% a vegetação na área, incluindo árvores para fornecer sombra adicional. Um tremendo contraste com o infeliz projeto do Vale do Anhangabaú, em São Paulo, uma grande laje de concreto onde princípios básicos do urbanismo do século 21 foram deixados de lado e as árvores, mortas ou moribundas, testemunham o descaso de quem construiu aquela coisa.

Fabio Olmos

f-olmos@uol.com.br

São Paulo

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

PEDRO GUIMARÃES

Pedro Guimarães, o demissionário ex-presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), acusado de assédio sexual por várias funcionárias, já era alvo de um processo coletivo por assédio moral pelo Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de São Paulo (Estado, 30/6, B2). Aos 51 anos, casado há 20, se aproveitava de seu alto cargo para intimidar e constranger funcionárias do banco que o acompanhavam nas inúmeras viagens que faziam País afora, por meio de falas e toques, bem como de convites para encontros íntimos no hotel em que se hospedavam. Evocando o famoso bordão publicitário "vem para a Caixa você também", dizia "vem para o meu quarto você também", isento de escrúpulos e em total desrespeito ao seu estado civil, às funcionárias e ao posto que ocupava. Que as denúncias sejam devidamente apuradas a fundo e o "tarado" desavergonhado, punido com os rigores da lei.

J. S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

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DENÚNCIA DE ASSÉDIO

Denúncia de assédio é mais comum do que se imagina. Renan Calheiros teve até um filho com uma jornalista. Aparecer com a família para se justificar Renan também fez. E continuaram "casados e felizes para sempre". Bill Clinton também. É um fenômeno universal. Porém, dado o momento político, imagino que a comissão que vai investigar o caso deveria fazer uma checagem do posicionamento político das "vítimas". Pode ser "caó", tem muita alpinista social. A conferir.

Iria de Sá Dodde

iriadodde@hotmail.com

Rio de Janeiro

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HUMILHANTE

Tudo neste caso do presidente da Caixa é tenebroso, mas ele levar a mulher na palestra que estava fazendo e falar dos filhos, e ela se prestar a isso, é vergonhoso e humilhante.

Enviado via iPhone

ceciliacenturion.g@gmail.com

São Paulo

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AMIGOS DO PRESIDENTE

Olhe em volta, presidente Bolsonaro. Com presidente de Caixa, pastores, ministros, filhos 01, 02, 03 e 04, primeira-dama que fala por Deus e o tal do Ciro, que se diz fiel e dedicado, já reparou que com os "amigos" que tem pode dispensar os inimigos? Faça uma "limpeza" aí e veja que a vida pode ser mais fácil e produtiva.

Ruy Carlos Silveira Crescenti

ruycarlos39@uol.com.br

Águas de São Pedro

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BOCA ABERTA

O ex-presidente da CEF Pedro Guimarães, o assediador sexual e moral da atualidade, merece a indignação popular quando sair às ruas, como fez, em Londrina (PR), o ex-deputado federal Boca Aberta com o deputado cassado Arthur do Val. Com megafone em punho, o ex-deputado fez jus ao nome e saudou Arthur do Val com elogios como "vagabundo" e "estuprador". Com direito, ainda, a socos e pontapés.

Vicente Limongi Netto

limonginetto@hotmail.com

Brasília

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DEPUTADOS

Os ex-deputados Mamãe Falei e Boca Aberta, enquanto participavam de uma passeata na cidade de Londrina (PR), discutiram até chegar às vias de fato. Lamentável que pessoas daquele naipe tenham feito parte de Câmaras, lugar para onde eles nunca deveriam ter entrado.

Virgílio Melhado Passoni

mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)

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HIBERNAÇÃO

A acreana Marina Silva resolveu dar as caras e anunciou sua candidatura a deputada federal por São Paulo. A ex-ministra de Lula hiberna e reaparece no ano eleitoral. É igual àquele político que só visita a periferia nas eleições e depois desaparece.

J. A. Muller

josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

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ESTADO DE SÃO PAULO

As pesquisas dão Haddad em primeiro lugar em São Paulo. Não acredito. O Estado de São Paulo é inovador, mas não tem tanta gente estúpida. O PT não vinga no Estado nem a pau. Na capital até pode, afinal, é a maior cidade. Tem muita gente de fora que não se preocupa com taxas, roubos e mentirosos. Mas o Estado tem duas opções boas. À esquerda, Márcio França. À direita, Tarcísio Freitas. Seria muita estupidez colocar Haddad. Deus nos livre.

Roberto Moreira da Silva

rrobertomsilva@gmail.com

São Paulo

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AULAS DE DEMOCRACIA

Diante das insistentes investidas do presidente Bolsonaro contra a democracia, as eleições, o voto e as instituições brasileiras, sugiro que o horário eleitoral gratuito veicule aulas de democracia, explicando como funciona o processo eleitoral, mostrando como era fácil fraudar eleições na época do voto de papel e as etapas todas do processo eleitoral com a urna eletrônica, como é feita a apuração, quais os mecanismos de auditoria e controle usados, etc. Até o dia da eleição cada brasileiro estaria sabendo tudo sobre o processo eleitoral. Os partidos políticos abririam mão de metade de seu tempo de propaganda gratuita para que as aulas de democracia fossem ao ar. O Brasil agradece a gentileza.

Mário Barilá Filho

mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo 

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SUPREMO

Em vários editoriais do Estadão, clama-se pela relevância de um Supremo Tribunal Federal (STF) isento da palpitação política, como passou a refletir, em claro retrocesso, a partir dos julgamentos da Operação Lava Jato, causando malefícios à nossa jovem democracia. Não se pode esquecer que a redemocratização iniciou-se com a Constituição de 1988, enterrando a fase do domínio militar sobre a política. Mas o que nos leva a atravessar grave crise política, quando já se passaram três décadas com eleições livres? Não seria o momento da consolidação democrática? O que nos causou este estado de coisas, que, quando parece que vamos avançar, retrocedemos como caranguejos (Arnaldo Jabor)? Certos jantares em homenagem a magistrados é uma prova do sintoma da gravidade da doença, reflexo desse ativismo político da Corte Superior. Um Moreira Alves deve estar se remexendo no túmulo. O fato é que o Estado Democrático de Direito, tão propalado a partir da Constituição de 1988, não resiste à quebra de pilares, sob pena da ruína de todo o  sistema. Se um pilar é abalado, sem recompor-se com a força da lei, inicia-se o processo de corrosão do sistema, passando os governantes eleitos a exercerem o poder como quase autoritários (regime), visto que respaldados por uma democracia já corrompida em sua força natural. Lembremos do mensalão que ocorreu no auge do primeiro governo petista. Houve uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), na qual o marqueteiro Duda Mendonça declarou que havia recebido do PT pagamentos da campanha eleitoral fora do País, o que infringia frontalmente a lei eleitoral. Uma ilegalidade gravíssima que foi perdoada pela oposição, especialmente pelo PSDB de FHC, quando se sabe que a democracia não aceita tergiversar sobre princípios, ainda que fosse para salvar o primeiro presidente operário do Brasil. Ali teve início a corrosão do sistema quando deixou-se de aplicar a lei para extirpar o mal instalado. A oposição não era o PT, mas era o PSDB. Se fosse o PSDB o partido do mensalão, o PT perdoaria o PSDB? Obviamente que não. O PT teria feito um bem à República, em sua típica hipocrisia, derrubando o presidente. Mas, logo em seguida, Lula foi reeleito, elegendo Dilma sua sucessora, conhecida por seu voluntarismo econômico, que lhe causou, merecidamente, sua destituição. Lembrem-se de 2013, aquela massa de brasileiros indo às ruas, cansados de serem desrespeitados. Com a Operação Lava Jato, o País conheceu um juiz federal de primeira instância destemido, heroico em sua jornada anticorrupção, mas que foi silenciado por Brasília. O fato é que o remédio amargo para que a democracia ressurgisse em novo patamar civilizatório foi desviado com a mão generosa do Supremo. É como aquela frase lapidar tirada da obra O Leopardo, de Lampedusa, que Luchino Visconti soube tão bem retratar no cinema: “Se quisermos que tudo continue como está, é preciso que tudo mude. Fui claro?”. A aristocracia siciliana tinha esperança de manter seus privilégios com a República italiana às portas. Vamos apoiá-la, mas mantendo nosso poder. O PSDB arruinou-se, merecidamente, pois não exerceu seu papel constitucional de oposição, que deveria lutar pelo respeito às leis, à democracia, combatendo, inclusive, se necessário, o mau operário presidente. Alckmin aderir a Lula é o seu réquiem. Agora elegeu-se um sucessor, que tripudia dos nossos melhores valores, com seu radicalismo de direita, dividindo o poder com o chamado Centrão. A fórmula foi aceitar que os parlamentares administrem um orçamento dito secreto. Como? No Estado Democrático de Direito? “Até quando, Catilina, abusarás de nossa paciência?” (Cícero). A mão generosa do Supremo deu-nos, outra vez, Lula e o PT. Eles falam em defesa da democracia, mas que bons exemplos lhe são favoráveis, se a corromperam da forma mais vil? Ou não se pode lembrar do mensalão, da Lava Jato e do apoio aos regimes ditatoriais de esquerda? Qual plano de governo? O mesmo de sempre que nos engana a todos. Bolsonaro e Lula são dois lados da mesma moeda. Não temos remédios a conta-gotas: ou o Supremo volta a exercer seu poder seguindo seu veio natural, como guardião intransigente da República, ou, lá na frente, que já nos espreita, encontraremos os efeitos do desastre.

Paulo Chiecco Toledo

pct@aasp.org.br

São Paulo 

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PESO DAS PALAVRAS

Que tristeza a confissão (O peso das palavras nas relações de trabalho, 30/6, B8) de um professor e conselheiro de entidade sindical patronal e um advogado que se declara militante de que não conhecem o significado de “patamar mínimo civilizatório”, “direitos absolutamente indisponíveis”, “prévia” e “coletiva”, expressões e palavras simples, oficialmente residentes no País desde o Diretório dos Índios, de 17/8/1758, e que não foram criadas pelos juízes do Trabalho ou pelo STF. O padrão de vida de 1/3 da população e o subemprego talvez expliquem a ignorância.

Luiz Carlos Gomes Godoi,

advogado e professor de Direito, foi desembargador do Trabalho

mariano-godoi@adv.oabsp.org.br

Santos

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OS PECADOS DO AUTOMOBILISMO

O racismo no automobilismo vai muito além de um piloto chamar o outro de "neguinho". Eu cito por exemplo as modelos profissionais que posam ao lado dos automóveis, antes das corridas. Geralmente são loiras. Raramente se vê uma negra. Essas profissionais são falsamente acusadas de serem garotas de programa, acusação sem nenhum fundamento, pois o público da Fórmula 1 e outras categorias são homens de família, sérios e religiosos.

Rynaldo Papoy

papoy3@gmail.com

Guarulhos

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BONDADES SOCIAIS

A Prefeitura paulistana vai pagar para que famílias “acolham moradores de rua” (Estado, 30/6, A18). Melhor seria se as famílias de origem se encarregassem disso sem qualquer remuneração. Mais uma vez, os ilustres “representantes do povo” fazem “bondades” com o dinheiro público, cortesia com o chapéu alheio.

A. Fernandes

standyball@hotmail.com

São Paulo

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VOTO DIRETO NA OAB

No dia 2 de junho de 2022, veio a lume a Lei n.º 14.365, que alterou o Estatuto da Advocacia, o Código de Processo Civil e o Código de Processo Penal, e o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti, destacou: “A lei é resultado do trabalho conjunto da diretoria do conselho federal com presidentes de seccionais, conselheiras e conselheiros federais e seccionais, membros de comissões e de caixas de assistência”. “Trabalho conjunto” que não incluiu o voto direto para presidente nacional da OAB. Omissão imperdoável que alcançou também legisladores federais e advogados, dentre eles, o senador Rodrigo Otávio Soares Pacheco, presidente do Senado Federal, e o deputado federal Fábio Ricardo Trad, ex-presidente da seccional da OAB-MS, que poderiam, ao seu tempo, incluir na citada lei um texto simples e de profundo significado democrático, como por exemplo: “A eleição do presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil dar-se-á através do voto direto, tendo como votantes os advogados regularmente inscritos”. Mas todos silenciaram, e às favas o voto direto, como exortariam os simpatizantes do atual sistema eleitoral, totalmente anacrônico. Esse assustador e inaceitável silêncio felizmente não atingiu o vice-presidente da OAB-SP, dr. Leonardo Sica, que lamentou: “Nós, aqui de São Paulo, gostaríamos que a lei tivesse abordado um pouco da democracia interna da OAB, inclusive permitindo eleição direta do presidente nacional. Isso, mais uma vez, não foi feito” (Estado, 14/6). Somos mais de 1,3 milhão de ilustres colegas inscritos que não podem, de forma alguma, aceitar o atual sistema eleitoral da valorosa instituição, historicamente antidemocrático.

Carlos Bobadilla Garcia

carlosbobadillagarcia@gmail.com

Campo Grande

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PANTANAL

Em três minutos seguidos, as cenas de incêndios e devastação no Pantanal marcaram muito mais dramaticamente do que meses de notícias. Alta dramaticidade mostraram o horror no capítulo da novela Pantanal desta terça, 28 de junho.

Luis Tadeu Dix

tadix@terra.com.br

São Paulo

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