Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2022 | 03h00

PEC dos Benefícios

Estado de emergência

A apenas três meses do primeiro turno das eleições, empacado há meses em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, o presidente Jair Bolsonaro fez “o diabo” para que o Senado aprovasse a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 1/22, que institui o estado de emergência até o fim do ano para ampliar o pagamento de benefícios sociais. Faltam, agora, a análise e o crivo da Câmara dos Deputados. A proposta prevê R$ 41,25 bilhões para a expansão do Auxílio Brasil e do vale-gás de cozinha; para a criação de auxílios aos caminhoneiros e taxistas; para financiar a gratuidade de transporte coletivo para idosos; para compensar os Estados que concederem créditos tributários para o etanol; e para reforçar o programa Alimenta Brasil. Esse valor não precisará observar o teto de gastos, a regra de ouro ou os dispositivos da Lei de Responsabilidade Fiscal que exigem compensação por aumento de despesa e renúncia de receita. O reconhecimento da vigência do estado de emergência serve para que os pagamentos não violem a legislação eleitoral, vez que a criação de benefícios destinados a pessoas físicas é proibida em ano de eleições. Diante do milionário pacotão de bondades de última hora, na base do toma lá e dá cá seu voto, resta claro que o que está de fato em estado de emergência é a perspectiva cada dia mais distante da reeleição de Bolsonaro. Já não é sem tempo. Basta!

J. S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

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PEC Kamikaze

A tragédia socioeconômica em que vivemos é evidente e os parlamentares tinham de agir para mitigar seus efeitos. No entanto, de parte do desgoverno federal, é evidente que a PEC Kamikaze, como a própria equipe econômica do governo apelidou a PEC dos Benefícios, é puramente eleitoreira, ainda que a oposição tenha conseguido alguns freios para evitar a explícita compra de votos. Veremos como o Supremo Tribunal Federal (STF) analisará a questão sobre a inconstitucionalidade da medida, já revelada por juristas de renome. Tudo de civilizatório construído a duras penas no País cai por terra, e a solução deve começar de cima, como indicam todas as pesquisas de intenção de voto.

Adilson Roberto Gonçalves

prodomoarg@gmail.com

Campinas

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Sem juízo

Se fossem só os governistas aprovando esta PEC, já seria um absurdo. E os demais senadores? Perderam o juízo? Que emergência é esta que só apareceu agora? Guerra? Piada! Crime eleitoral. Louve-se, como sempre, a seriedade de José Serra, um verdadeiro senador, estadista, que votou contra. Voto só ele merece.

Ellis A. Oliveira

elliscnh@hotmail.com

 Cunha

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Emenda à Carta

Uma Constituição que pode ser modificada de supetão, ao sabor do momento da política, não vale o papel em que está escrita.

Arnaldo Mandel

amandel@gmail.com

São Paulo

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Eleições 2022

Mentira recorrente

Em 2018, durante a campanha, Jair Bolsonaro afirmou taxativamente que não queria se reeleger. Porém, nunca se dedicou à função da Presidência e entrou em campanha pela reeleição desde o primeiro dia no cargo. Agora, Lula acaba de afirmar a mesma coisa. É mentira recorrente?

Aldo Bertolucci

aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

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Internacional

Nacionalismo

O mundo sem países, sonhado por John Lennon em Imagine, ficou aparentemente mais perto de acontecer com a criação, em 1993, da União Europeia. Hoje, com a moldura ameaçadora da “operação militar” (eufemismo de guerra) desencadeada pela Rússia contra a Ucrânia – por motivos existenciais de sobrevivência daquele país, ameaçado, segundo seus líderes, pela expansão lenta da Otan, a partir da derrubada do Muro de Berlim e a emergência de novas e expressivas potências –, verifica-se que o nacionalismo ainda permeia as questões de poder. Tudo parece indicar que o esforço de tentar a construção de um planeta sem países fracassou e o que se presencia é um cenário mais dramático, em que não só correntes nacionalistas e xenofóbicas se reoxigenam, mas também se observa um aumento do número dos chamados grupos de ódio, insuflados por imigrações ilegais, estimuladas por guerras locais em outros pontos e intolerâncias religiosas.

Paulo Roberto Gotaç

pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

ESTADO DE EMERGÊNCIA

Teria o presidente do Senado sido cooptado por Bolsonaro? O Senado aprovou emenda constitucional absolutamente imprópria que declara o Brasil em estado de emergência (Estado, 1/7, B1), obviamente para possibilitar benefícios sociais (leia-se compra de votos) ao atual governo. Até há pouco tempo Rodrigo Pacheco fingia ser um parlamentar independente.

Ademir Valezi

valezi@uol.com.br

São Paulo

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PEC KAMIKAZE

A PEC Kamikaze, ou suicida, aprovada pelo Senado, é o retrato desse Brasil que não aprende, não evolui, não se renova. Afora o voto contrário e louvável de José Serra (Estado, 1/7, B1), os demais senadores endossaram as benesses eleitoreiras de Jair Bolsonaro e deles próprios, plenamente cientes do desastre fiscal que isso causará, cujas consequências repercutirão de alguma forma nos próprios beneficiados. Esse é o ponto. O brasileiro médio precisa começar a perceber quais as verdadeiras intenções por trás de um projeto popular, seja governamental ou originário do Congresso, e apreciar sua viabilidade. É evidente que isso demanda tempo e aprendizado, mas enquanto houver massa de manobra suscetível a interesses pessoais espúrios dos políticos, massa essa capaz de decidir uma eleição, não haverá renovação da classe política e a história se repetirá, para felicidade daqueles a quem pouco interessa que o povo aprenda a pensar. 

Luciano Harary

lharary@hotmail.com

São Paulo

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JAIR BOLSONARO

O Senado aprovou Proposta de Emenda à Constituição (PEC) eleitoreira, como um galho esticado em direção ao pântano onde Jair Bolsonaro está preso por lama sulfurosa, prestes a ser engolfado. Tal PEC será inócua, pois Bolsonaro já é um derrotado. No desespero, talvez seus cupinchas no Congresso Nacional tentem aprovar outra, proibindo prisão de ex-presidente genocida, misógino, racista, apologista de tortura, perpetrador de rachadinha e prevaricador. A História está com um cutelo na mão, pronta para castrar o "imbrochável" Bolsonaro.

Túllio Marco Soares Carvalho

tulliocarvalho.advocacia@gmail.com

Belo Horizonte

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ANO ELEITORAL

É lamentável que só em ano eleitoral nosso mandatário decidiu por um pacote de bondades que irá torrar R$ 40 bilhões dos cofres públicos para elevar o Auxílio Brasil, dobrar o valor do vale-gás e ajudar caminhoneiros e taxistas a encherem o tanque. Mesmo que há três anos o presidente Bolsonaro venha reclamando do preço dos combustíveis, só agora, a três  meses das eleições, ele decidiu agraciar tanta gente.

Virgílio Melhado Passoni

mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)

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HERANÇA MALDITA

O editorial do Estadão A verdadeira herança maldita (30/6, A3) aborda o problema crucial do próximo presidente, seja ele quem for, ou seja, o domínio ilegal sob o orçamento federal conquistado pelo Centrão, aproveitando o fato de estar na Presidência da República um velho companheiro, agora filiado ao PL, um dos partidos líderes do grupo. É uma absurda captura do orçamento federal por parte de desonestos parlamentares. Estes desperdiçam recursos, adquirindo caminhões de lixo compactadores inúteis e com sobrepreço, além de outras tranqueiras para cidades com poucos milhares de habitantes. Paralelamente, faltam recursos para a Educação, a Saúde e a infraestrutura fundamental para o País. Fico indignado que não se aplique a Constituição como freio para tanta roubalheira. Tem razão o editorial, o deputado Arthur Lira é uma praga que se abateu sob o nosso povo. Enquanto milhões passam fome, ele segue tranquilo e cometendo todas as espécies de ilícitos. E nenhum outro deputado entra com recurso contra isso. Nossos irmãos alagoanos poderiam fazer um grande gesto de patriotismo não o reelegendo. É por isso que os eleitores deverão escolher bem o próximo presidente, pois tem que ser um ou uma líder que consiga arregimentar parlamentares e assessores para acabarem com tanta roubalheira. Para tanto, a imprensa precisa ajudar e os eleitores, se informarem sobre os candidatos e partidos do Centrão e não votarem em nenhum deles.

Gilberto Pacini

benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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PIEDADE

Bolsonaro não tem pudor de expor-se ao ridículo dia e noite. Agora, adverte os EUA sobre o risco de, caso Lula da Silva ganhe as eleições, a nação do norte ficará isolada como a única nas Américas a não cair nas garras do comunismo. Seria motivo de ter ataques de riso. Porém, não é nada cômico. Essa criatura deixará uma herança maldita em todos os campos, da natureza devastada à economia destroçada nas garras sedentas do Centrão, cujo timoneiro-mor no Congresso arregaçou todos os orçamentos: secretos, visíveis, passados, presentes e futuros. Bolsonaro só não mentiu quando afirmou, lá no início: “Vou destruir tudo!”. Só Jesus na causa, mas acho que o Filho de Deus tem mais o que fazer. O apocalipse é total. Temos que rezar e pedir piedade.

Jane Araújo 

janeandrade48@gmail.com

Brasília

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CPI DA EDUCAÇÃO

Como bem salienta o Estadão, a CPI da Educação é um imperativo (30/6, A14). Precisa ocorrer, por vários motivos. Primeiramente, pelos atos de corrupção no ministério envolvendo manipulação de dinheiros públicos e uso indevido do fundo específico para objetivos exclusivamente educacionais. Em segundo lugar, porque se trata de um ministério que não cumpriu a sua missão neste governo, deixando de contemplar adequadamente todos os segmentos educacionais. E a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), ainda, poderá expor aos brasileiros as demais mazelas que o setor educacional vem enfrentando, aconselhando providências técnicas e administrativas para seu melhor funcionamento.

José Carlos de Carvalho Carneiro

carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

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PALANQUE ELEITORAL

Não obstante, segundo a mídia, 33 milhões de brasileiros passarem fome, os nossos “pobres” senadores, apesar dos seus invejáveis salários/penduricalhos e a dotação de R$ 4.961.519,777 do Fundo Eleitoral e R$ 939 milhões do Fundo Partidário, cheios de sovinice, essa dinheirama toda não é suficiente para bancar o palanque eleitoral. Daí o eminente palanque eleitoral da CPI do MEC, também às nossas custas. Será mais um desperdício de tempo e dinheiro, a exemplo da CPI da Covid.

Humberto Schuwartz Soares

hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)

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OUTRA CPI POLITIQUEIRA

Mais uma vez o Senado, instigado pelo senador Randolfe Rodrigues, arma a lona de um cirquinho mambembe com artistinhas da “qualidade” de um Renan Calheiros para consumir nossos impostos. Inacreditável o quanto esse Randolfe é politiqueiro e divorciado daquilo que realmente interessa ao povo brasileiro. Esse rapaz não acrescenta nada à política séria que precisamos no Brasil. Alguém sabe dizer qual CPI trouxe algo de bom ao Brasil? Urge sabermos, todos nós, votar escolhendo melhor os candidatos, sob pena de o Brasil regredir 50 anos quando comparado a outras nações.

Joao Paulo de Oliveira Lepper

jp@seculovinteum.com.br

Cabo Frio (RJ)

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DISCUSSÃO ESTÉRIL

No limiar da instalação de nova CPI, conviria indagar se o propósito desta vez é investigar e gerar medidas concretas, ou, como na anterior, ficar só no blá-blá-blá. Randolfe Rodrigues, líder do novo processo e vice-presidente da CPI da Covid, poderia nos esclarecer quais os benefícios decorrentes de toda aquela despesa e trabalho – sessões, audiências, viagens, levantamentos, produção de materiais, discursos, reuniões, filmagens, relatórios, etc. Até que se prove o contrário, é de se admitir que tempo e recursos dedicados a investigar sem chegar a nada, salvo uma demissão aqui, outra ali, teriam sido melhor utilizados na definição de projetos capazes de gerar melhorias concretas para a população – de combate ao desemprego, por exemplo. Trocando em miúdos, membros da mais alta Casa do Congresso Nacional gastaram razoável fração do mandato parlamentar numa discussão, ao que tudo indica, estéril. Enquanto isso, o povo que paga seus salários continua a penar na mesma de sempre. É sensato percorrer o mesmo caminho infrutífero novamente?

Patricia Porto da Silva

portodasilva@terra.com.br

Rio de Janeiro

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APOIO DO CONTRA

A senadora Simone Tebet anda sem sorte. Precisando de banho de sal grosso. Motivo: o senador Jorge Kajuru (Podemos-GO) manifestou no plenário do Senado apoio à candidatura dela à Presidência da República. Apoio do contra é isso. Tebet continuará atolada nas pesquisas, variando entre 1% e 2%. 

Vicente Limongi Netto

limonginetto@hotmail.com

Brasília

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DATENA

Nos últimos seis anos, o notório apresentador José Luiz Datena já se candidatou a importantes cargos políticos por várias siglas partidárias em nada menos que quatro oportunidades, desistindo de todas na última hora (2016, 2018, 2020 e neste ano), colando ao seu nome e imagem a pecha de não levar a sério a carreira política, servindo apenas de joguete e fantoche nas mãos de seus padrinhos donos de partidos para criar confusão entre candidaturas rivais. Diante da sua condenável atitude de fazer de conta para pular fora no último dia de prazo (Estado, 1/7, A16), cabe o descrédito dos eleitores na próxima vez que anunciar seu nome numa eleição. Política é coisa séria e não palhaçada.

J. S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

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ENÉSIMA VEZ

O apresentador de televisão José Luiz Datena anunciou, pela enésima vez, que desistiu de concorrer ao Senado em São Paulo. Assim, além de falar mal, indevidamente, do ex-juiz Sergio Moro, fala mal de si mesmo, e com precisão nas entrelinhas, já que, ao que parece, o que diz não se escreve.

Marcelo Gomes Jorge Feres

marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

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DECISÕES IOIÔ

Depois de Aluízio “Irrevogável” Mercadante, temos agora José Luiz “Indesistível” Datena. Ninguém merece.

A. Fernandes

standyball@hotmail.com

São Paulo

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VILLA-LOBOS

Está sendo cometida uma injustiça contra Heitor Villa-lobos na divulgação de uma cópia restaurada de Deus e o Diabo na Terra do Sol (Clássicos voltam à tela nos 60 anos da Sociedade Amigos da Cinemateca, 30/6, C8). A música do filme, como está registrado nos créditos e pode ser ouvida pelo menos na cópia original, é daquele compositor. As canções de Sérgio Ricardo são ótimas e muito bem empregadas, mas a música principal é do grande Villa, inclusive é utilizado o trecho mais famoso das Bachianas Brasileiras N.º 5. Trechos de outras obras também são empregadas em cenas importantes, inclusive a final. Certa vez, Glauber Rocha definiu Villa-Lobos como o próprio Brasil.

Hélio Nascimento

hr.nascimento@yahoo.com.br

São Paulo

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