Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2022 | 03h00

Eleições 2022

Desalento

Estamos a poucos meses da eleição, e (bendito Cristo!) a que ponto chegamos: teremos de escolher entre um futuro já desperdiçado e um passado tenebroso. Não há melhor escolha para quem tem um mínimo de discernimento da situação. Mas o que pode levar um povo às más escolhas? Na maioria dos casos, falta de conhecimento para discernir o que é melhor para si e para o conjunto da sociedade. Mas essa ignorância é voluntária ou imposta? Na minha opinião, é imposta. Não se iludam, este baixo nível cultural e crítico da população média brasileira não aconteceu por acaso. O desmonte educacional foi habilmente tecido pela banda podre de nossa classe política. O mantra vigente dela é “quanto mais carente uma população, mais facilmente será conduzida, manipulada e comprada por muito pouco: um Auxílio Brasil, um vale-gás, um cargo em comissão, shows de artistas sertanejos, etc.”. Os maus políticos conseguiram tomar para si a democracia, deformá-la e moldá-la aos seus nefastos interesses. Hoje, um candidato bem-intencionado não se elege nem para vereador. Estamos aprisionados às péssimas escolhas, e foi este estado de coisas que afastou as pessoas da política e dos políticos. Elas não mais se sentem representadas. Já caímos em três esparrelas, e estamos às vésperas de cair na quarta. Fomos atirados num círculo vicioso. Ou só eu não vejo, estou enganado, e tudo está maravilhoso?

Alfredo Terenciano Netto

alfredoterenciano@yahoo.com.br

São Paulo

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Pobre futuro

Diante da perspectiva de ganhar as eleições no primeiro turno, o PT mal se preocupa com atacar frontalmente o bolsonarismo, como assim também formular propostas explícitas do seu futuro governo que possam preocupar os mercados. No entanto, resta o frágil temor de que Ciro Gomes ou Simone Tebet cheguem a um segundo turno, quando a vaga a presidente de Lula não estaria garantida. Portanto, Bolsonaro no segundo turno seria o rival ideal. Pobre futuro!

Jorge Spunberg

jspunberg@gmail.com

São Paulo

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Piorando

Após dois governos efetivamente incompetentes do PT, o atual veio para completar o quadro: a pior cadeia de supostos representantes do povo.

Italo Poli Junior

italipoli10@gmail.com

Jaú

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Atentado à democracia

Sobre a entrevista do senador Flávio Bolsonaro ao Estadão (30/6, A10), será possível que uma pessoa inteligente como ele não acha que colocar em dúvida a credibilidade do processo eleitoral sem apresentar nenhum indício de fraude é um atentado contra a democracia?

Paulo Roberto Martins Serra

paulo.martins.serra@gmail.com

Lorena

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Estratégia golpista

O Brasil desenvolveu as próprias urnas eletrônicas para evitar a complexidade e a insegurança do voto em papel, oferecendo às eleições um abrangente e democrático sistema de checagem e auditagem, para quem se interessar. Isso já faz 1/4 de século, e até hoje nunca nenhuma fraude foi encontrada, em qualquer eleição feita por meio dessas máquinas. Agora, o atual governo, que se elegeu por meio delas, quer que lhes acoplem impressoras para checar o resultado eletrônico pela contagem dos votos em papel. A proposta, além da estratégia nitidamente golpista, é tão absurda quanto passar o dinheiro numa máquina contadora de cédulas, também segura, e depois conferir o valor encontrado manualmente.

Abel Pires Rodrigues

abel@knn.com.br

Rio de Janeiro

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Assédio na CEF

Apenas mais uma crise

Desde o início do atual desgoverno, o Brasil está vivendo uma crise após a outra, não porque Bolsonaro não sabe escolher os seus auxiliares e ministros. Ao contrário, ele escolhe somente aqueles que rezam pela sua cartilha, independentemente do caráter ou da competência da pessoa. Tivemos de tudo: Ricardo “passar a boiada” Salles, Milton (“homossexualismo é resultado de uma família desajustada”) Ribeiro, Damares (“meninos vestem azul e meninas vestem rosa”) Alves, sem esquecer a máxima de Eduardo (“um manda, outro obedece”) Pazuello. Assim, não surpreende que o capitão tenha colocado no comando da Caixa Econômica Federal uma pessoa como Pedro Guimarães, acusado de assediar mulheres, até num outro banco privado.

Omar El Seoud

elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

MAIS 277 MIL EMPREGOS

No último mês de maio foram criados 277 mil novos postos de trabalho com carteira assinada (Desemprego cai para 9,8%, o menor nível para maio desde 2015, 1/7, B6), como indicam os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Mais do que em abril (197 mil) e maio de 2021 (266,5 mil). No acumulado do ano até maio, foram criados 1,051 milhão de empregos com carteira assinada. O setor de serviços foi o que mais criou novas vagas, 120.502, seguido pelo comércio, com 46.557 vagas, a indústria, com 46.975 postos, construção civil, mais 35.557, e agropecuária, 26.747 vagas. Porém, nem tudo são flores no mercado de trabalho. Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no mesmo mês de maio, o índice de desemprego ficou em 10,5%, com 11,3 milhões de brasileiros sem trabalho e 28 milhões subempregados. Sem falar da angústia de uma inflação acumulada em 12 meses de 11,73%.

Paulo Panossian

paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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GREVES

Basta a aproximação das eleições para os sindicalistas petistas promoverem greves prejudiciais à população, objetivando o desgaste dos candidatos adversários. Esperemos que os eleitores, conscientes dessa prática condenável, punam os candidatos desse nefasto partido.

F. G. Salgado Cesar

fgscesar@hotmail.com

Guarujá

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METRÔ E APLICATIVOS

A respeito da segunda greve de motoristas e cobradores de ônibus em 15 dias, que mais uma vez tumultuou o já caótico trânsito e prejudicou a vida de milhões de pessoas na cidade de São Paulo, cabem duas observações. Um elogio à direção do Metrô, que disponibilizou, de pronto, um maior número de vagões com menor intervalo de tempo entre eles, ajudando em muito a quem precisava se deslocar. E uma crítica aos aplicativos, que se aproveitaram da situação para duplicar sem dó nem piedade as tarifas sob a descabida alegação de tratar-se de valor dinâmico, que varia conforme a demanda. Num dia em que mais de seis mil coletivos de 13 empresas não deixaram as garagens, as empresas de aplicativos deveriam se mostrar solidárias para com a população, a exemplo do que fez o Metrô. Tratou-se, como se viu, de um flagrante, descabido e condenável uso da famigerada "lei de Gerson", de levar vantagem sobre a indefesa massa de pessoas que necessitam do transporte coletivo para seus afazeres e o ganho do pão de cada dia. Aplausos ao Metrô e uma sonora vaia aos aplicativos. Em relação aos motoristas e cobradores de ônibus, que pensem melhor em como fazer suas justas e cabíveis reivindicações, sem tanto prejudicar o trânsito e a já sofrida população paulistana.

J. S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

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OPERAÇÃO PAESE

Estou aqui me perguntando o porquê do julgamento da greve pela população. Porque 50% da frota não fica rodando no município. Não existe uma possibilidade de ter uma operação Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese) disponível para determinados terminais? Estamos falando de 2,5 milhões de pessoas.

João Camargo

inteligencianomundo@hotmail.com

São Paulo

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CAMPANHAS ELEITORAIS

Embora a tônica das previsões indique que a disputa final se trave entre Bolsonaro e Lula – que encarnam direita e esquerda –, é verdade que ao rejeitar um candidato o eleitor tenha preferência pelo outro. Muitos gostariam de nova opção. Mas a legião de homens e mulheres que se rotulam como a suposta terceira via nas eleições presidenciais não decolou. João Doria e Eduardo Leite – que deixaram os governos de São Paulo e Rio Grande do Sul – perderam-se em meio ao caminho e outros patinam. Cada dia torna-se mais presente na lembrança a afirmação de Jânio Quadros que, ao justificar a renúncia, dizia ser nova a sua postura, principalmente num país “onde não se renuncia nem ao posto de inspetor de quarteirão”. Chegamos ao estado de polarização em que hoje nos encontramos por conta do insólito comportamento da classe política que, ao reassumir o poder depois dos militares de 1964, com o objetivo de guardar diferença em relação ao período tido como de exceção, fantasiou-se de democrata e vendeu ao povo a mentirosa ideia de que a democracia é o remédio para todos os males de uma nação. Hoje, o que temos é a viabilidade explícita apenas dos representantes das duas vertentes que vão do centro aos extremos. O resto é tão dividido e não passa de uma aglomeração de nanicos que não se entendem. Apesar do quadro que não ajuda porque a campanha é feita no pólo negativo das críticas e não no positivo da esperança, aguarda-se que o eleitor vote da melhor forma e escolha os melhores governantes e parlamentares para o Brasil e os Estados federados. Que os eleitos tenham discernimento para promover as reformas necessárias, e as eleições seguintes sejam mais propositivas do que estas que se aproximam.

Dirceu Cardoso Gonçalves

aspomilpm@terra.com.br

São Paulo

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POLARIZAÇÃO

Numa polarização que só nos diminui como país, já que divisão não é somar, vemos que há incentivo para que essa equação maléfica se perpetue. O famoso “dividir para governar”. Lula foi seu criador e mentor, a partir da invenção do “nós contra eles” e da crítica à herança maldita recebida de FHC. O “nós” relativizava um governo de minoria que usou do mensalão para governar. A Petrobras foi saqueada utilizando uma funcionária presidente de fachada como sinônimo de capacitação de boa governança. Como consequência, durante a Operação Lava Jato, desvendou-se que um gerente seria capaz de devolver milhões de dólares desviados. A empresa pagou ação milionária nos EUA a acionistas prejudicados, não permitida aos brasileiros. Isso é o que chegou até nós. A esquerda pragmática foi a vencedora do embate contra os ideológicos e sonháticos. Hoje se prepara para o próximo ato. Atos que, executados ontem, se assemelham ao que se faz hoje. Pobre país que não mudará com ideologia, já que o pragmatismo sairá novamente vencedor, não importa que lado polarizado vença.

Sergio Holl Lara 

jrmholl.idt@terra.com.br

Indaiatuba

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FACE EXPOSTA

Negociatas no Ministério da Educação envolvendo pastores, assédio moral e sexual na Caixa e o "neguinho" do Nelson Piquet expõem ao mundo a face do Brasil atual, onde a situação já está ruim e tende a piorar com Bolsonaro ou Lula. Nada é tão ruim que não possa piorar.

J. A. Muller

josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

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PRESIDENTE

Senhor presidente, o desafio não é prender bandido. É não deixar virar bandido.

Ricardo Freitas

r.l.a.freitas@gmail.com

São Paulo

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ELEITOR PAULISTA

A imprensa noticia que a política Marina Silva, acreana, ex-petista e ministra do governo Lula, anuncia que será candidata a deputada federal por nosso Estado. E cabe a pergunta: o que essa figura, que só aparece em época de eleição, veio fazer aqui em São Paulo em vez de ficar e se candidatar em seu Estado? O meio político informa que o motivo é ela ser “puxadora” de votos, mas aqui? Creio ser o eleitor paulista suficientemente informado da “qualidade” dessa figura política, sumida nesses anos após sua passagem pelo governo petista no qual foi esquecida pelo dono do partido. Se fez algo, foi em seu Estado, então, que diabos a leva a ser candidata aqui? Eleitor paulista, se esqueça dessa figura, porque se votar nela estará elegendo também figuras que você nunca viu ou ouvir falar. Também as pesquisas informam que o candidato Haddad é favorito para ser o próximo governador paulista, mas não creio em tal pesquisa, porque ele também pertence a um partido cujo governo presidencial em quase 14 anos foi marcado por dois grande processos, mensalão e petrolão, portanto não merece nosso voto. 

Laércio Zannini

spettro@uol.com.br

São Paulo

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VIOLÊNCIA ESTIMULADA

A violência estimulada se alastra (30/6, A4). Esse tema, tal como exposto no artigo, precisa ser abordado de maneira diferente, ou seja, procurar e identificar as causas, propor soluções que não são fáceis, e não fazer apenas um relato daquilo que vemos e lemos diariamente.

Paulo Braga

pfbraga149@gmail.com

São Paulo

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SÁBIO TROPICAL

Sobre a coluna O começo do fim (29/6, C8), só quero dizer uma coisa: eu amo Leandro Karnal! Os sábios de hoje são maravilhosamente charmosos, divertidos e brilham como sol neste momento de tanta escuridão e sofrimento em nosso amado Brasil. Vai passar! Os Karnais que temos em nosso solo – são muitos, embora espalhados na imensidão deste país – não nos deixam perder a esperança de um novo tempo. Obrigada, mestre!

Jane Araújo 

janeandrade48@gmail.com

Brasília

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ECONOMIA NACIONAL

Relembrando o dito do saudoso Joelmir Betting, a Zona Franca de Manaus (ZFM) é “o rabo abanando o cachorro”. O mesmo pode ser dito com relação à Petrobras. É inadmissível que a ZFM gere um encargo total para a economia nacional de perto de R$ 60 bilhões sobre um faturamento de R$ 160 bilhões, isto é, 37,5%, e aproximadamente 150% sobre um valor acrescido bruto de estimados R$ 40 bilhões, a julgar pelos R$ 7 bilhões de salários gerados nessa “zona”. E ter de aguentar esse desperdício de recursos até 2050! O pior é que esses “esquemas”, tal como o da Zona Franca de Vitória, que atravessa a arrecadação de ICMS dos Estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais sobre suas importações do exterior, impedem a aprovação da reforma  tributária, que deveria unificar os tributos indiretos sobre produtos e serviços e eliminar o jurássico IPI que onera há décadas a indústria nacional e deveria ter sido combatido pelas Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) da vida. Com relação à Petrobras, é também inadmissível que, com uma posição exportadora líquida total (cru e derivados), a importação de 15% dos derivados consumidos gere a obrigação de praticar um preço de paridade internacional (PPI) acrescido de um injustificado custo de frete, quando 85% do consumo nacional de derivados são produzidos a partir de cru nacional. Afirmar que a Petrobras perde dinheiro na revenda de derivados importados é uma falácia, quando para cada barril de cru equivalente desses derivados a empresa exporta um barril de cru a um preço superlativo. Em nome de um alegado liberalismo econômico, a Petrobras terceirizou a importação de derivados para justificar e dar suporte à sua política de preços, quando podia perfeitamente assumir o aparente ônus dessas importações com o excelente resultado de suas exportações do correspondente volume de cru. As condições de oferta e demanda nos mercados internacionais desses produtos que justificam e exigem a prática do PPI não se justificam nas condições do mercado nacional, ainda dominado pela Petrobras com uma única refinaria privatizada. O rabo da Petrobras está abanando o cachorro da economia nacional condicionando o seu crescente nível de preços e de juros, bem como agravando a sua taxa de desemprego e sua já péssima concentração de rendas, com uma rentabilidade que, ao atual ritmo, beira os R$ 200 bilhões ao ano e representa indecentes 60% sobre seu patrimônio líquido. Isso não é liberalismo econômico.

Elie R. Levy

elierlevy@gmail.com

São Paulo

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SUÉCIA E FINLÂNDIA

Em ato irracional, Suécia e Finlândia se juntam à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), mudando de uma confortável paz a um estado de permanente alerta e elevados gastos. Nada indica qualquer ameaça russa a esses países. A falta de estadistas pode conduzir à ruína seus países.

Tibor Rabóczkay

trabocka@iq.usp.br

São Paulo

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OTAN

Os países integrantes da Otan enfrentam, aberta ou veladamente, as ameaças da Rússia e China. Entretanto, não estão pecando por omissão, porque estão a usar estratégias militares próprias à Guerra Fria. Aumento do efetivo de combate da Otan de 40 mil soldados para 300 mil, admissão da Finlândia e Suécia como integrantes da entidade após a concordância da Turquia, além do envio constante de armamentos leves e pesados para a Ucrânia, como forma de equilibrar a guerra com a Rússia. Fala-se até na possibilidade de a Ucrânia ganhar a guerra tal a firmeza de seus patriotas e pelo contingente de armas advindas de países do bloco, especialmente França, Itália e Alemanha. Só que não podemos nos esquecer das graves consequências que o conflito está trazendo para o mundo, inclusive para o Brasil.

José Carlos de Carvalho Carneiro

carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

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RESISTÊNCIA HEROICA

Absolutamente indefensável e repugnante a agressão russa. Heroica a resistência ucraniana. Isso posto, cabe admitir que, apesar da vitória moral dos ucranianos, no campo de batalha não há como enfrentar os russos. Moscou tem o segundo maior exército do mundo e, quantos mais armamentos o Ocidente enviar à Ucrânia, maior o poder de destruição que Putin voltará contra o país. É a estratégia dele. Usando da teoria dos jogos, o que resta fazer quando nem vitória nem rendição são alternativas? Ou uma guerra envolvendo a Otan ou um armistício. É loucura pura investir na primeira hipótese. Resta apenas a segunda. O tempo e o desgaste das sanções pode ser a melhor forma de devolver aos 44 milhões de ucranianos a fatia de um quinto de seu país. Até porque a saúde de Putin não está nada boa e ele não é eterno.

Jorge Alberto Nurkin

jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo

 

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