Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2022 | 03h00

Congresso Nacional

Delírio legislativo

É impressionante o desserviço que a maioria dos deputados federais da atual legislatura nos está impondo. A “bancada do agronegócio” quer anular medida protetiva da Anvisa, revogando ato que proíbe o uso, em culturas agrícolas de alimentos, do agrotóxico carbendazim, pondo em risco a saúde dos consumidores, além de interferir num órgão do Poder Executivo. Já a “bancada da bala” tentou acelerar projeto de lei que retira a governança funcional e orçamentária dos governadores sobre as respectivas polícias militares. Não precisamos ser especialistas no assunto para perceber que a dinâmica das nomeações de comandantes atende às necessidades de segurança pública no espaço estadual, não podendo ficar engessada, como querem esses pretensos deputados. Ademais, os comandantes-gerais estarão sujeitos a concessões políticas para permanecerem na função, situação que certamente vai afetar a disciplina nos quartéis. Quanto à autonomia orçamentária dessas forças, o Poder Judiciário está aí para demonstrar as consequências perdulárias deste desvio funcional que retira do Poder Executivo o planejamento orçamentário. Estamos assistindo a um delírio legislativo.

Honyldo Roberto Pereira Pinto

honyldo@gmail.com

Ribeirão Preto

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No rumo da Venezuela

A razão diz que Jair Bolsonaro não faria nada sozinho, se não contasse com o apoio da miopia ideológica. Enquanto cidadãos de diversos setores se unem em torno de um manifesto contra agressões à ordem constitucional, surge um contramanifesto de autoria do Movimento Advogados de Direita Brasil (ADBR), que se diz favorável às liberdades de opinião, à democracia e em apoio a Bolsonaro. Enquanto isso, o Congresso Nacional tentou votar ontem um projeto que concede autonomia às polícias militares, retirando a subordinação aos governos estaduais e passando os comandos a ser escolhidos em lista tríplice elaborada pela corporação com mandatos de dois anos. Na Venezuela, Hugo Chávez construiu uma ordem constitucional a seu gosto, organizou uma milícia paramilitar armada, dominou as Forças Armadas com aumento de soldos, delegando setores da economia ao comando das altas patentes, como a PDVSA reduzida a 5% de sua capacidade, e deixando o Congresso subordinado a Diosdado Cabello, poderosa liderança e chefe supremo do narcotráfico. Lá, como aqui, uma parte da cidadania inicialmente favorável às políticas populistas, mais adiante, teve de emigrar junto com mais de 3 milhões para Miami e países vizinhos ou contentar-se com viver dos cacos de um país quebrado. Vamos reproduzir no Brasil a mesma experiência ou será preciso desenhar para abrirmos os olhos enquanto é tempo?

Alberto Mac Dowell Figueiredo

amdfigueiredo@terra.com.br

São Carlos

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Eleições 2022

Realidade surreal

O ex-deputado Roberto Jefferson lançou sua candidatura à Presidência da República em pleno cumprimento de pena em prisão domiciliar por envolvimento com milícias. O ex-governador José Roberto Arruda, cassado e preso no escândalo do mensalão do DEM, é concorrente ao mesmo cargo no Distrito Federal. Anthony Garotinho e Eduardo Cunha, condenados até a tampa por corrupção, têm igualmente fortes pretensões a cargos políticos. Não, isso não é um filme surreal. É a realidade política brasileira. Absurda e surreal.

Luciano Harary

lharary@hotmail.com

São Paulo

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Cardápio paulista

Aliando-se a Lula, Geraldo Alckmin cuspiu no prato em que comeu. Em campanha por Fernando Haddad, comerá no prato em que cuspiu...

A.Fernandes

standyball@hotmail.com

São Paulo

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Turismo em São Paulo

Falta de segurança

Incrível o que acontece na maior cidade da América Latina: guias turísticos têm reclamado de que não podem levar turistas ao centro de São Paulo, por causa de tantos assaltos. E, pasmem, alguma autoridade disse que é melhor evitar andar a pé e fazer esse trabalho de carro. No mundo todo, turistas caminham para conhecer lugares considerados históricos, mas não em São Paulo. Quando é que o prefeito e os vereadores vão partir para a ação e acabar com essa falta de segurança? Os discursos já nos cansaram. É visível o abandono da cidade.

Izabel Avallone

izabelavallone@gmail.com

São Paulo

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

POLÍTICOS VIRTUOSOS

De acordo com os mais recentes levantamentos sobre a eleição presidencial deste ano, destacam-se Lula e Bolsonaro liderando as pesquisas. Os bancos podem comemorar, pois nos próximos quatro anos o endividamento do Brasil continuará crescendo. Os nobres parlamentares permanecerão remendando a Constituição, cumprindo ordens de acordo com os interesses dos milionários. A miséria que se percebe nas ruas não terá fim. As crianças continuarão a jogar futebol nos campos improvisados ao invés de frequentarem as escolas públicas. As verbas para a saúde serão direcionadas para fins políticos. As promessas feitas durante a campanha eleitoral serão esquecidas com o tempo. Os eleitores ainda não perceberam que não são apresentadas opções de políticos virtuosos há décadas?

José Carlos Saraiva da Costa

jcsdc@uol.com.br

Belo Horizonte

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DECLÍNIO POLÍTICO

O Brasil é o único país do mundo que lança um candidato a presidente da República retirado do cárcere onde estava preso, cumprindo 11 anos de reclusão por roubar o erário, depois de julgado e condenado em três instâncias jurídicas, quando da época em que exerceu esse mesmo cargo de presidente. Alhures, no estrangeiro, não dá para acreditar que não exista no Brasil um homem limpo, culto e capacitado para presidir os brasileiros, a ponto de se retirar da cadeia um traste velho e corrupto para se candidatar à Presidência. Esse candidato cognominado Lula da Silva é um preguiçoso, tem pouca instrução, não sabe redigir um bilhete pedindo perdão ao povo brasileiro pela roubalheira que cometeu. Mas, justiça seja feita, é um tremendo espertalhão, cínico e debochado na arte de enganar e mentir, sabendo dar nó em pingo d’água. Sabe falar em público com grande oratória as mesmas besteiras, com gestos eloquentes de um desenvolto tribuno que impressionaria até Ruy Barbosa, que ele ignora e pensa que foi um antigo jogador do Corinthians. O senhor Lula é dono de uma fortuna incalculável amealhada nos 13 anos em que o seu partido (PT) o manteve no poder. Enriqueceu a ele próprio, à sua família, aos seus amigos íntimos e aos competentes e caríssimos advogados que o defendem com unhas e dentes. Não é discreto em sua vida particular, ostentando a fortuna que roubou do povo brasileiro, fazendo voltas ao mundo com suas amantes, gastando dinheiro a rodo, enquanto a população brasileira se empobreceu com as crises da pandemia da covid-19 e a estagnação da economia mundial nos últimos três anos. Existem candidatos aos montes com expressiva capacidade de trabalho, cidadania e honestidade para concorrer a tão importante cargo em nossa República, brigando entre si por um lugar ao sol nas urnas, entre outros, o atual presidente da República, Jair Bolsonaro. Com tantos brasileiros ilustres, bem preparados intelectual e moralmente, é triste termos que aturar essas excrescências de Lula da Silva como candidato a presidente da nossa República e Geraldo Alckmin como vice, sendo mais do que uma calamidade cívica, mas uma decadência jurídica das altas autoridades dos nossos tribunais eleitorais. Com esse declínio político, realmente o Brasil envergonha a comunidade mundial.

José Batista Pinheiro

batistapinheiro30@gmail.com

Rio de Janeiro

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ELEIÇÃO FÁCIL

Numa eleição suspeita, nunca foi tão fácil escolher a melhor opção e a melhor proposta para o Brasil. Numa chapa, dois militares de formação sólida voltados para a família e os bons costumes; na outra chapa, um ladrão-presidiário e um desavergonhado, a chamada chapa dos bandidos, cujo fato em si constrange e causa vergonha aos brasileiros. Resta saber se os suspeitos e cínicos Edson Fachin e Alexandre de Moraes terão coragem de levar à frente o seu diabólico plano de destruição dos valores morais e da pátria brasileira.

Moacyr Rodrigues Nogueira

moaca14@hotmail.com

Salvador

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PESTE OU CÓLERA

Sobre o excelente artigo O medo da derrota de quem tem apego ao poder (Estado, 1/8, A4), infelizmente não teremos escolha, é a peste ou a cólera, até porque Arthur Lira já está em tratativas com Lula para permanecer no poder. Em troca de quê?

Marisa Bodenstorfer

Lenting, Alemanha

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ESTATAL NA AMAZÔNIA

É de estarrecer a notícia de que o PSB, do ex-governador Geraldo Alckmin, ainda nem venceu as eleições com o PT e já pensa em agredir a Amazônia, criando uma estatal de capital misto (Estado, 31/7, A2). Sua atribuição seria “articular instituições de pesquisa, militares e universidades para o aproveitamento econômico da região”. Ora, o planeta Terra é um sistema termodinâmico fechado, como a panela de pressão, que troca calor com o exterior, mas não massa. Já nos tem dado contundentes amostras de estar em desequilíbrio, como as chuvas catastróficas no Brasil e as altas temperaturas no hemisfério Norte, devido ao aquecimento global. É consenso mundial que a Amazônia tem importância fundamental no seu equilíbrio térmico. Bolsonaro permitiu a destruição daquela floresta, com uma volúpia suicida e ignara. Neste quadro assustador para a nossa civilização é que o PSB ainda pensa em criar mais uma estatal para explorar a Amazônia, inclusive com a mineração? A candidatura Lula, no caso, deve passar a ser vista com muito mais atenção. Sei do potencial da Amazônia em jazidas minerais, como o nióbio, mas a sua real importância é a floresta para o combate ao aquecimento global, que se sobrepõe a tudo. Também seus rios voadores, oriundos daquela floresta, são essenciais para a população e a economia do Brasil. O atual governo permitiu, até agora, seu desmate de área maior que a do Estado de Alagoas. A Amazônia precisa, e com urgência, ser reflorestada.

Gilberto Pacini

benetazzogp38@gmail.com

São Paulo

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MENOS IMPOSTOS

Assusta um jornal de grande respeito discordar da diminuição dos impostos. Cada Estado e município deve se adequar ao seu orçamento, pois nada produzem, somente arrecadam. Que bom para a população se tivéssemos impostos diminuídos. Uma família, quando seu orçamento é diminuído, se ajusta a ele ou está fadada ao fracasso.

Ricardo Lima Carvalho

berranteroo@terra.com.br

Rondonópolis (MT)

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PESO, MEDIDA E PREÇO

Os consumidores em geral não têm hábito de leitura dos rótulos de produtos em supermercados. E alguns leem só data de vencimento. Atualmente, diante dos elevados e constantes aumentos dos preços dos produtos, abdicamos dos costumes e preferências por marcas tradicionais. Porém, também somos iludidos com preços menores ou promocionais de certas marcas. Recentemente uma senhora pegou vários pacotes de papel higiênico, olhou para mim e disse: “Está R$ 1 mais barato”. E eu já tinha visto, mas o rolo, ao invés de 30 metros de comprimento por 10 centímetros de largura, possuía só 20 metros por 10 centímetros de largura. Falei para a senhora: “É pegadinha, sai mais caro!”. Os fabricantes astutos usam todas as formas de “promoção”. Enfim, nós, consumidores, devemos adquirir o costume de ler as embalagens e entender sobre medidas, pesos e preços.  

Alex Tanner

alextanner.sss@hotmail.com

Nova Odessa

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ONDE VIVE J. R. GUZZO?

Para o jornalista J. R. Guzzo, os recentes manifestos em favor da democracia não indicam, para o cidadão comum, a falta de democracia no Brasil. Argumenta a plena liberdade de imprensa e a inexistência de atos antidemocráticos, e elogia a liberdade econômica deste governo, elegendo-a como a mais intensa dos tempos recentes. Também acusa o Supremo Tribunal Federal (STF) de demandar inquérito ilegal, "inédito e perpétuo", seja lá o que isso signifique, condenando o deputado Daniel Silveira por este divulgar vídeo com ofensas aos magistrados da Corte. Finaliza escrevendo que a censura é discurso de adversário político e as tentativas de sabotagem das decisões congressuais são dos governadores, mancomunados com o STF (Estado, 31/7, A11). Como cidadão incomum, indago: em qual mundo vive o sr. J. R. Guzzo? 

Honyldo Roberto Pereira Pinto 

honyldo@gmail.com

Ribeirão Preto

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TERRAPLANICE

"Entre tantos manifestos, não parece claro para cidadãos quem sente falta de democracia no Brasil", escreve J. R. Guzzo. Sr. Guzzo, fica claro que, já que o senhor não vê problema nenhum, com certeza seu voto deverá ser para que o sr. Jair Messias Bolsonaro e sua terraplanice continuem o maravilhoso governo retratado.

Filippo Pardini

filippo@pardini.net

São Sebastião

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TAPAR O SOL

Concordo com a linha editorial e admiro os colunistas. Gosto inclusive do senhor J. R. Guzzo. Seus comentários são críticos, e acredito que isso faz bem para a democracia, embora a sua crítica, com o passar do tempo, esteja se tornando cada vez mais parcial e tóxica. Sua condescendência com os absurdos cometidos pelo presidente está perto do limite. Na última coluna, ele chegou ao absurdo de relatar fatos isentando o governo federal de qualquer culpa, dizendo que não há atos antidemocráticos, ninguém é perseguido, a imprensa continua livre, ou seja, não existe ataque à democracia. Inteligente ele é, o suficiente para saber o que está fazendo. Sabe iludir com as palavras e tapa o sol com uma peneira de tessitura bem fina, fazendo parecer que o Brasil é um mundo diferente daquele que vivo. Acredito que o Estadão deva reavaliar a sua participação. A mim está começando a dar enjoos e ânsia de vômito.

Fabio Iko Motta

fabio.motta@akttomsistemas.com.br

São Paulo

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CARTA DA USP

A Carta às Brasileiras e aos Brasileiros em Defesa do Estado Democrático de Direito, elaborada pelos alunos de Direito da Universidade de São Paulo (USP), em defesa das urnas eletrônicas e do sistema eleitoral brasileiro e agredindo Bolsonaro, desconsiderou os hackers que, quando querem, violam qualquer sistema. Também peca por não permitir auditoria para dirimir dúvidas quanto ao resultado do processo eleitoral, além de não considerar a parcialidade dos controladores/elaboradores da eleição, favoráveis ao líder nas pesquisas e claramente contrários ao atual presidente. O triste é que, para muitos, o próprio guardião da Constituição a transgride impunemente sob o olhar indiferente, inclusive dos acadêmicos da USP, quando se diz que qualquer estudante de Direito tem consciência do desrespeito à Carta Magna pelo STF, que deveria ser o seu protetor.

Humberto Schuwartz Soares

hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)

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UNIVERSIDADES PÚBLICAS

Sou leitor do Estadão desde a mais tenra idade, primeiro graças ao tio que me criou e posteriormente como assinante. Não tenho a mínima ideia de quantas cartas enviei, tampouco as que foram publicadas. Jamais tive a pretensão que minhas cartas fossem publicadas já que, inegavelmente, o número de leitores cujas opiniões merecem ser divulgadas é incontável. A maioria dos meus familiares próximos estudou em escolas públicas e privadas, quer em cursos fundamentais e médios, quer em cursos universitários, e obtiveram êxitos tanto no Brasil como no exterior. Portanto, é com profundo descontentamento que leio no Fórum dos Leitores carta de leitor, que teve privilégio de estudar em universidades de elite, criticar esta coluna com a pretensão de que suas opiniões deveriam prevalecer, e ainda fazer críticas sem conhecimento de causa sobre universidades públicas. Lamentável.

Carlos Gonçalves de Faria

marshalfaria@gmail.com

São Paulo

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TSE E STF

O baixo índice de conhecimento das funções dos tribunais superiores (Maioria dos brasileiros desconhece função do STF e do TSE, diz pesquisa, 31/7, A7) é retratado na alta taxa de rejeição a tais instituições. A máxima de que se cuida apenas daquilo que se conhece é a explicação. Com largos orçamentos, está na hora de os magistrados se mostrarem de forma mais efetiva à população. É por isso que o despresidente é tão ruim: não conhece o povo que pretendeu governar, não gosta de parte significativa dele – pobres, nordestinos, indígenas, mulheres, negros, intelectuais, etc. –, e tenta arrastar seu desamor para o único segmento do poder que ainda pode impedi-lo de continuar praticando seus crimes. Saber é poder!

Adilson Roberto Gonçalves

prodomoarg@gmail.com

Campinas

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SABER, VIVER E SOFRER

Sete em cada dez brasileiros não sabem o significado da sigla STF. E de muitos outros símbolos herméticos que identificam nossas instituições. Os irracionais também não são conscientes da morte. Por isso vivem o presente sem a angústia do futuro. O desconhecido é um móvel da vida espontânea e resistente, enquanto os conhecedores, ainda que voluntariamente, conduzem o mundo, não sem angústias por suas incongruências.

Amadeu Roberto Garrido de Paula

amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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SABESP

No domingo, 31/7, completamos quatro dias com um vazamento de água ininterrupto de onde foram desperdiçados milhares de litros de água limpa e cristalina, jogados na sarjeta. Com a falta de chuvas, os níveis de água dos reservatórios diminuindo dia após dia, será que é necessário um consumidor alertar a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) de sua mínima obrigação? No caso atual de urgência imperiosa, depois vamos ficar buscando água de tudo que é lado, e rezando muito para chover.

Rubens Bello

rubensmanoelbello@gmail.com 

Jandira

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