A autoprodução de energia renovável

No Brasil, a crise hídrica deve intensificar as discussões sobre as fontes renováveis e aquecer o mercado

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

10 de julho de 2021 | 03h00

A energia limpa é a principal pauta do movimento global por uma economia ambientalmente sustentável. Diferentemente das fontes fósseis, as renováveis são inesgotáveis e não emitem gases de efeito estufa. A pandemia aumentou a pressão, e no Brasil a crise hídrica deve intensificar as discussões sobre as fontes renováveis e aquecer o mercado.

As condições são favoráveis. O Brasil ocupa o terceiro lugar do mundo em capacidade instalada de energia renovável. Enquanto 46% da energia produzida no País provém de fontes renováveis, a média mundial está em 14%. No caso da energia elétrica, 83% provêm de fontes renováveis, ante 26% no mundo.

O principal fator foi a expansão das usinas hidrelétricas. Mas isso trouxe riscos. No “apagão” de 2001, 90% da matriz elétrica era hídrica. O risco foi mitigado com a diversificação. Hoje, as hidrelétricas respondem por 68% do total. Do contingente de fontes renováveis, ela representa mais de 60%, seguida pela eólica (9%), biomassa (9%) e solar (1,4%).

Desde 2009, o volume de energia gerada por grandes empresas para consumo próprio dobrou. Como mostrou o Estado, a escalada se deve sobretudo ao avanço das térmicas, em especial as movidas por biomassa. O potencial de geração do setor de açúcar e álcool cresceu 181%. Nos próximos anos, o avanço da autoprodução deve ser pautado por projetos eólicos e solares.

Segundo a Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia, as fontes eólica e solar já custam 40% menos que a hídrica e 50% menos que as térmicas a gás. A dificuldade ainda está nos altos custos de instalação, mas a tendência é que sejam mitigados à medida que o modelo ganha escala e é barateado por avanços tecnológicos.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico projeta que, em 2025, a matriz elétrica será composta por 59% de fontes hidráulicas, 22% de térmicas, 13% de eólica e 3,7% de solar.

Outro desafio é prover estabilidade e previsibilidade ao sistema. Assim como as fontes hidráulicas, a eólica e a solar têm o ônus da intermitência. Mas as condições são favoráveis. O Novo Marco do Gás padronizou regulamentos e oferece incentivos à importação e produção de gás natural. Isso deve influenciar na expansão de usinas térmicas – não intermitentes – mais limpas e com menor custo.

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