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A cada nova projeção, novos sinais ruins

Já se pode antever que resultados não serão nada animadores, mas isso não parece comover o governo

Editorial Econômico, O Estado de S. Paulo

23 de junho de 2019 | 05h00

A cada mês, a atividade econômica fica um pouco mais fraca, o que faz caírem seguidamente as projeções para todo o ano. Em abril, o Monitor do PIB calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV) caiu 0,1% na comparação com março. Foi a terceira retração seguida desse indicador na comparação com o mês anterior, o que mostra a dificuldade da recuperação. No trimestre móvel encerrado em abril (fevereiro-março-abril), a redução foi de 0,9% na comparação com o trimestre móvel anterior. Em relação a abril de 2018, a queda foi de 0,3%.

A taxa acumulada de 12 meses aumentou 0,6%. É o menor crescimento desde o resultado acumulado de 12 meses registrado em outubro de 2017. Isso reforça as projeções de que, ao longo de 2019, o crescimento do PIB brasileiro dificilmente alcançará 1%. Será o terceiro resultado anual ruim consecutivo (o PIB cresceu 1,1% em 2017 e em 2018). É uma expansão insuficiente para reverter o drama social representado pelo grande número de brasileiros desempregados ou subocupados.

A redução de 1,9% do PIB da agropecuária de março para abril explica boa parte da redução do índice geral registrada nessa comparação. O que também chama a atenção é a piora do desempenho da indústria, que registrara expansão durante 14 meses, sugerindo a superação da grave crise por que passou nos três anos anteriores, mas em abril voltou a cair. A redução foi de 0,4%. Na comparação com abril de 2018, a queda da agropecuária foi de 2,0% e a da indústria, de 2,3%.

Pelo lado da demanda, o consumo das famílias avançou 0,7% em abril na comparação com março e 2,1% em relação ao resultado de um ano antes. No trimestre móvel terminado em abril, o aumento de 1,3% foi puxado pelo consumo de serviços (expansão de 1,8% na comparação com o trimestre móvel anterior). A formação bruta de capital fixo (que mede os investimentos) aumentou 0,4% na comparação com março e 1,4% sobre abril de 2018.

Pela metodologia utilizada na sua composição, o Monitor do PIB da FGV antecipa os resultados oficiais da produção divulgados trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já se pode antever que esses resultados não serão nada animadores. Mas o mau desempenho da economia e o drama social que dele decorrem não parecem comover o governo.

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