A CEF desinveste e lucra mais

A boa situação permitiu à Caixa devolver R$ 3 bilhões ao Tesouro no início de junho

O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2019 | 04h00

A Caixa Econômica Federal (CEF) parece enquadrar-se às diretrizes do governo Bolsonaro, contribuindo para as contas públicas via devolução de recursos ao Tesouro Nacional e promovendo a venda de ativos. O balanço recém-divulgado relativo ao primeiro trimestre de 2019 confirma a disposição do banco de melhorar seus resultados.

O lucro de R$ 3,9 bilhões no período, superior em 23% ao do primeiro trimestre de 2018, não decorreu do aumento dos empréstimos, que recuaram 2%, mas de medidas de enxugamento. O montante de R$ 2,5 bilhões foi obtido com a venda de ações do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB Brasil RE), corte de 24,4% das despesas com propaganda e redução de provisões para devedores duvidosos. Ao mesmo tempo, foi registrada elevação de 2,3% das receitas com serviços, que propiciaram ingressos de R$ 6,5 bilhões à CEF.

A boa situação de caixa permitiu ao banco devolver R$ 3 bilhões ao Tesouro no início de junho. Outros R$ 7 bilhões deverão ser devolvidos nas próximas semanas graças à venda de ações ordinárias da Petrobrás, mas o programa de desinvestimento deverá ir mais longe. O presidente da CEF, Pedro Guimarães, confirmou os estudos para a venda de participação no Banco Pan, do qual a CEF comprou 35% do capital em 2009, com maus resultados. A instituição também pretende abrir o capital de subsidiárias, como a Caixa Seguridade, a Caixa Cartões e a Caixa Loterias.

O ajuste da CEF foi ajudado pela redução de despesas administrativas, pela devolução de prédios comerciais e por um programa de demissão voluntária (PDV) que deverá propiciar economia anual de R$ 716 milhões.

Historicamente, a Caixa é a grande financiadora da construção e da venda de imóveis, em sua maior parte com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), por ela administrado. A promessa é elevar o crédito habitacional, com crescimento entre 20% e 30% neste ano. Isso significa uma recomposição do crédito habitacional após a estagnação do primeiro trimestre, quando essas operações cresceram apenas 3,3% em relação a igual período de 2018, avanço muito inferior ao registrado pelos bancos privados.

A CEF diminuiu muito a carteira de crédito comercial e as operações com pessoas jurídicas, e, em menor escala, cortou crédito às pessoas físicas.

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