A China cresce quase o dobro da economia global

O crescimento do PIB chinês em 2018 foi de 6,6%, o que corresponde a 80% mais do que a média mundial, estimada em 3,7% pelo FMI

O Estado de S.Paulo

24 Janeiro 2019 | 04h00

Com um Produto Interno Bruto (PIB) da ordem de US$ 12,2 trilhões, a dados de 2017, a China cresceu 6,6% em 2018. Foi o menor crescimento em 28 anos e poderá cair um pouco mais neste ano, segundo especialistas. Mas esse indicador, que poderia parecer um revés para um país que chegou a crescer a taxas anuais de dois dígitos, ainda corresponde a 80% mais do que a média mundial de crescimento, estimada em 3,7% pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Como segunda maior economia do mundo, a China continua, portanto, sendo grande contribuinte do PIB global.

A China vem de uma década de diminuição da velocidade de crescimento. Desde 2011, quando o PIB chinês cresceu 9,2%, essa queda foi ininterrupta. Em 2017, o avanço foi de 6,8% e, para 2019, está prevista variação menor. O banco Standard Chartered estima que o crescimento de 2019 deverá ser da ordem de 6,3%, mas o Grupo Nomura prevê uma alta em torno de 6%.

Ainda não está claro o quanto a perda de ritmo da economia chinesa no último trimestre, quando cresceu 6,4%, foi influenciada pela contenda comercial com os Estados Unidos. Mas é provável que o efeito negativo se agrave em 2019. O comércio exterior poderá ser o ponto mais fraco da economia chinesa. O economista-chefe do Grupo Nomura para a China, Ting Lu, prevê que o país cresça um ponto porcentual menos do que em 2018 apenas por conta da queda das vendas externas. Houve, em 2018, antecipação de exportações, mas a conta “terá de ser paga neste ano”, diz ele.

Citado pela Broadcast, a agência de serviços noticiosos online do Grupo Estado, o Standard Chartered ainda fala numa “fase branda” de ajuste chinês, pois prevê novos estímulos oficiais. No trimestre em curso, o crescimento deverá ser de 6,3%.

O crescimento chinês baseou-se em investimentos maciços em infraestrutura e no comércio exterior. Com uma poupança bruta da ordem de 45% do PIB, os bancos chineses dispõem de vultosos recursos depositados pela população, com os quais podem conceder enormes empréstimos, nem sempre de boa qualidade. Este é um ponto vulnerável, que os gestores econômicos do país têm evitado enfrentar.

Agora, o desafio é crescer menos e com mais qualidade, dando mais ênfase ao consumo doméstico. É o que prometem as autoridades chinesas.

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