A China retoma o ritmo de antes da pandemia

Os dados chineses, em comparação com os de outras grandes economias mundiais, mostra um quadro menos tenebroso

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2021 | 03h00

Com crescimento de apenas 2,3%, o Produto Interno Bruto (PIB) da China apresentou, em 2020, seu pior desempenho em 44 anos. A comparação traz lembranças terríveis. Em 1976, a China estava começando a se livrar da Revolução Cultural que marcou o regime controlado por Mao Tsé-tung e devastou a economia nacional. Visto desse modo, o desempenho da segunda maior economia do mundo – e em rápida marcha para se tornar a primeira – foi desastroso na pandemia, que começou lá.

O resultado do ano passado é baixo para os padrões chineses, sobretudo os das últimas décadas, quando o crescimento da economia com frequência foi de dois dígitos. Em 2019, o PIB chinês cresceu 6%.

Os resultados mais recentes da China e sua comparação com os de outras grandes economias mundiais, no entanto, mostram um quadro bem menos tenebroso. É um cenário que, nas circunstâncias atuais, parece trazer luz para a economia mundial.

A recuperação tem sido rápida – e vem se acelerando. No primeiro trimestre de 2020, quando o novo coronavírus impôs as perdas mais pesadas à economia do país, o PIB da China encolheu 6,8% na comparação com o resultado de igual período de 2019. Nos três meses seguintes, porém, a economia cresceu 3,2% em relação ao ano anterior; no terceiro trimestre, o aumento foi de 4,9% e, no quarto, de 6,5%, sempre na comparação com o resultado de um ano antes. Ou seja, a economia chinesa já opera a um ritmo mais de 6% mais intenso do que o de antes do início da pandemia.

Ainda não se conhecem os dados sobre o desempenho das principais economias do mundo no ano passado, mas resultados parciais indicam que nenhuma delas terá crescido.

A recuperação rápida permitiu a retomada igualmente expressiva da produção industrial e das exportações chinesas. Da mesma forma, a demanda da China por bens importados é crescente, o que estimulará as economias dos países fornecedores. A China é, há muitos anos, o principal destino dos produtos exportados pelo Brasil, razão pela qual sua recuperação tende a ter impacto positivo sobre a economia no País.

Mas a China, como outros países, ainda enfrenta as consequências da pandemia e parte de seu setor produtivo, formada por pequenas empresas, talvez não consiga acompanhar o ritmo das demais.

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