A competitividade dos produtos industrializados

Há quatro anos, exportações de produtos industrializados ficam mais fracas do que o total exportado pelo País

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2021 | 03h00

Embora a corrente de comércio exterior (exportações mais importações) do Brasil tenha diminuído no ano passado, por causa da pandemia de covid-19, o saldo comercial aumentou, porque as exportações caíram menos do que as importações. O desempenho do comércio exterior da indústria de transformação, no entanto, foi pior do que o de outros setores.

Há quatro anos, as exportações de produtos industrializados apresentam resultados mais fracos do que o total exportado pelo País. Quando as vendas totais crescem, as de bens industriais crescem menos; quando o total diminui, o de produtos industrializados encolhe mais.

Ao analisar os dados do ano passado, o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) observou que os resultados foram afetados pela contração do comércio mundial, mas também “pela falta de competitividade do produto nacional, derivada de uma série de distorções internas”, entre as quais o sistema tributário, a má qualidade da infraestrutura e outros itens do chamado “custo Brasil”. A desvalorização cambial evitou que os resultados fossem ainda piores.

Quando se decompõe a pauta de bens industrializados de acordo com a intensidade tecnológica dos produtos, fica claro que a perda de competitividade é mais acentuada entre os de alta tecnologia.

No ano passado, as exportações de bens da indústria de transformação diminuíram 12,1% (as vendas totais caíram bem menos, 6,9%). As vendas de bens de alta tecnologia caíram 37,2%. O resultado se deveu principalmente à redução de 45,7% das exportações do ramo aeronáutico.

Essa queda é bem mais acentuada do que as dos demais produtos industrializados. As de média-alta tecnologia diminuíram 20,6%, em razão da redução das exportações da indústria automobilística.

Os dois resultados aprofundaram “ainda mais a tendência de perda de participação dos ramos mais intensivos em tecnologia nas exportações industriais do Brasil”, destaca o estudo do Iedi. Mantida a tendência, o Brasil perderá presença no segmento, o de alta tecnologia, que apresenta os resultados mais expressivos no comércio internacional.

A discreta recuperação do total das exportações industriais no quarto trimestre do ano passado não alterou essa tendência.

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