A confiança dos empresários tem queda acentuada

A piora de índice da FGV não parece passageira e reflete as expectativas em relação aos próximos meses

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2021 | 03h00

A acentuada queda do Índice de Confiança Empresarial (ICE) medido pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) em março indica que o crescente pessimismo observado há vários meses se intensificou com rapidez. Depois de ter alcançado 97,5 pontos em setembro, o índice mais alto desde o último trimestre de 2019 e indicação de forte recuperação após a chegada da pandemia (em abril do ano passado, despencara para 55,9 pontos), o ICE vinha caindo. Mas a queda de 5,6 pontos entre fevereiro e março (o ICE passou de 91,1 para 85,5 pontos) é muito mais ampla do que as registradas nos meses imediatamente anteriores.

“Com a piora do quadro de pandemia no País, a confiança empresarial sofreu um forte recuo em março”, diz o economista Aloisio Campelo Jr., superintendente de Estatísticas do Ibre/FGV.

A piora não parece passageira. Caem tanto o Índice de Situação Atual, que mede a percepção do quadro do momento, como o Índice de Expectativas, que reflete as expectativas em relação aos próximos meses. Quanto a este último, diz Campelo, o aumento do pessimismo foi expressivo, afetando as perspectivas de vendas e de contratações.

O ICE reúne os resultados das sondagens da indústria, dos serviços, do comércio e da construção. O aumento do pessimismo está disseminado por todos os segmentos.

“A confiança do comércio despencou, ficando abaixo da confiança dos serviços, que já estava muito baixa em fevereiro”, observa Campelo. “A distância entre a confiança da indústria, em queda mais elevada, e a dos demais setores atingiu um recorde histórico em março.”

Indicadores da atividade econômica divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e por diferentes associações empresariais e instituições acadêmicas já vêm, há algum tempo, mostrando uma desaceleração da recuperação da atividade econômica iniciada em abril ou maio do ano passado.

O quadro conjuntural também marcado por sinais pouco otimistas turva todo o cenário. Entre esses sinais estão a aceleração da inflação; a persistência de altas taxas de desocupação e até mesmo seu aumento, como mostrou a Pnad Contínua; as dificuldades crescentes de uma política fiscal marcada por gestão errática; e a lentidão da vacinação da população.

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