A confiança está voltando ao comércio paulista

Políticas de transferência de renda, como o auxílio emergencial, tiveram papel decisivo no estímulo às atividades do varejo

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2020 | 03h00

É rápida a recuperação da confiança do empresário do comércio do Estado de São Paulo, mas, mesmo batendo recordes de alta, o índice continua menor do que o de 2019. Em setembro, a despeito do aumento de 14,9% (para 85,9 pontos), a maior evolução calculada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), o Índice de Confiança do Empresário (Icec) ficou 25,5% abaixo do registrado um ano antes.

Outros indicadores também mostraram evolução bastante animadora. O Índice de Expansão do Comércio (IEC) acompanhou a elevação do índice de confiança e teve a segunda alta consecutiva depois do início da pandemia, de 16,2%, passando a 75,8 pontos. O Índice de Estoques (IE) subiu 4,3% em setembro, depois de quatro quedas mensais sucessivas.

Os economistas da entidade consideram que as políticas de transferência de renda, como o pagamento do auxílio emergencial para milhões de beneficiários a partir de abril, tiveram papel decisivo no estímulo às atividades do comércio varejista. A despeito da queda da renda do trabalho e do aumento dos índices de desemprego, as transferências de renda asseguraram, ainda que momentaneamente, bom nível de consumo.

Da parte do empresariado, a reação foi animadora. “O cenário se reflete na confiança dos empresários do comércio, que percebem uma recuperação da economia, com o recente aumento de suas receitas”, na avaliação da FecomercioSP. Mesmo com a persistência de incertezas no cenário econômico de médio prazo – a condução da política fiscal, que indicará a evolução da dívida pública; a redução do valor do auxilio emergencial e do número de beneficiários a partir de setembro; a situação do mercado de trabalho –, “o alívio nos fluxos de caixa das empresas tende a alavancar as expectativas no médio e no longo prazo”, diz a entidade.

Apesar da melhora recente, os estoques estão inadequados, “principalmente por causa do acúmulo de mercadorias”. Um ajuste será necessário nos próximos meses.

No quadro atual, recomenda a entidade representativa do comércio no Estado de São Paulo, é necessário planejamento baseado no giro do negócio. Para as pequenas empresas, o conselho é manter estoques reduzidos e realizar inventários mensais para evitar perdas.

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