A conjuntura favorece o emprego

Ainda há um longo caminho pela frente, e o cenário de recuperação gradual se mantém para o início de 2020

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2020 | 04h00

A melhora do humor dos empresários revelada em pesquisas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV) realizadas na passagem de 2019 para 2020 parece agregar um fator positivo ao maior desafio da economia brasileira: o da criação de empregos, que tem peso decisivo para permitir uma retomada vigorosa do ritmo da atividade.

Em dezembro de 2019, o Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) do Ibre-FGV atingiu 89,9 pontos, levemente abaixo do nível de dezembro de 2018, mas em trajetória positiva, sugerindo “que as expectativas para o mercado de trabalho se tornaram mais favoráveis no último trimestre” de 2019, como enfatizou o economista Rodolpho Tobler, da FGV.

Divulgado simultaneamente ao IAEmp, o Indicador Coincidente de Desemprego (ICD), cuja queda é sinal de que o desemprego tende a diminuir, caiu para 95,3 pontos no mês passado e é inferior ao de um ano antes.

Note-se que o IAEmp ainda está abaixo da marca de 100 pontos que separam os campos positivo e negativo. Mas, se a economia der novos sinais de retomada, parece bastante provável uma aceleração da contratação de pessoal formal e informal.

Na avaliação de Tobler, “o patamar ainda baixo do indicador (de emprego) mostra que ainda há um longo caminho pela frente e que o cenário de recuperação gradual se mantém para o início de 2020”. Trata-se de uma análise correta, pois a recuperação do emprego dificilmente será rápida, dados os esforços das empresas para conter, até os limites possíveis, todos os custos, inclusive os de pessoal.

Cabe notar, ainda, que é do aumento real das rendas dos trabalhadores que a economia dependerá neste ano, pois há fatores que limitam a expansão do consumo.

É o caso do aumento dos preços de alimentos (a começar da carne) no fim do ano passado, que afeta as famílias de menor renda. Esse é um fator negativo cuja dissipação não está assegurada para este semestre, ainda que os indicadores de preços não sejam alarmantes.

Com indicadores ruins de desemprego, de emprego informal e de desalento, que deixam cerca de 25 milhões de pessoas atingidas pela precariedade das condições de trabalho, vencer os desafios de 2020 não será fácil. Daí a importância das tendências favoráveis relativas à confiança e às contratações.

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