A crise sanitária afetou metade das empresas

Nada menos que 44,8% dos negócios em funcionamento no Brasil na primeira quinzena de julho foram afetados pela pandemia

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2020 | 03h00

Nada menos do que 44,8% de 2,8 milhões de empresas que estavam em funcionamento no Brasil na primeira quinzena de julho foram afetadas pela pandemia do novo coronavírus. É o que mostra a terceira rodada da Pesquisa Pulso Empresa que faz parte do segmento de Estatísticas Experimentais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mais do que constatar a amplitude dos problemas advindos da crise sanitária, a pesquisa ajuda a entender a situação das companhias que foram mais atingidas pela crise e as que se saíram melhor.

As maiores dificuldades foram observadas no setor terciário, no qual 47% das empresas foram afetadas negativamente. Entre estas, destacaram-se as que prestam serviços às famílias (55,5% delas foram atingidas). Isso se explica porque a maioria das famílias deixou de ir a bares e restaurantes (para se alimentar no domicílio), hospedar-se fora de casa ou frequentar salões de beleza e academias de ginástica.

Um porcentual expressivo (44%) de empresas comerciais sofreu com a crise, como lojas de vestuário e de calçados. No comércio de veículos, peças e motocicletas, os problemas afetaram 52,4%. Na área industrial, 42,9% das companhias enfrentaram dificuldades.

As companhias de menor porte (2,75 milhões, com até 49 empregados) foram mais atingidas do que as médias e as grandes empresas.

Não deixa de causar surpresa que 28,2% das empresas tenham sentido pouco ou nada os efeitos da crise. É o caso de 46,3% das companhias de serviços de informação e comunicação e de 46,4% das empresas de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correios.

Ainda mais surpreendente é que 27% das companhias tenham afirmado que ganharam com a pandemia, entre as quais 37,8% ligadas ao comércio varejista e 28,7% com atividades de atacado. Parece evidente que nesses nichos estão supermercados e farmácias, que comercializam itens essenciais.

Outros dados do levantamento revelam a flexibilidade das companhias, que enfrentaram a crise negociando salários ou postergando obrigações fiscais. Isso permitiu que 86% das empresas mantivessem ou até aumentassem o quadro de pessoal em relação à segunda quinzena de junho.

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