A decisão do Cade sobre a Embraer

Parceria entre a Boeing e a Embraer estará sacramentada em 15 dias, se nenhum conselheiro do Cade for contra a decisão; Cade entende que a operação trará benefícios à Embraer

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2020 | 04h00

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem restrições, o acordo entre a Embraer e a Boeing pelo qual a empresa aérea norte-americana passou a controlar parte da empresa aérea nacional. A autarquia concluiu que as empresas não concorrem nos mesmos mercados e que não há risco de problemas concorrenciais decorrentes da aquisição. Em janeiro, o governo Bolsonaro deu aval ao negócio. A deliberação do Cade, que é o órgão oficial de defesa da concorrência, ocorre 18 meses depois que as duas companhias anunciaram a operação, uma das mais relevantes do mercado brasileiro de fusões e aquisições.

Construtora de aviões de pequeno e médio portes, a Embraer sempre foi incluída entre as melhores empresas genuinamente brasileiras. Fundada em 1969 pelo coronel Ozires Silva, logo produziu o jato Bandeirante e ingressou no pequeno grupo de companhias globais fabricantes de aviões, disputando o mercado com a canadense Bombardier e a francesa Airbus. Privatizada nos anos 90, a Embraer tornou-se uma das mais rentáveis empresas do País. Dada a necessidade de produzir em escala, a opção dos acionistas foi se unir à Boeing, numa complexa engenharia acionária que deixou parte significativa da Embraer em mãos locais.

A Embraer foi dividida em três empresas. Numa delas, vendeu 80% do capital à Boeing por US$ 4,2 bilhões, para produzir o jato E195-E2, com capacidade para 146 passageiros, porte que não existia na Boeing. Outra operação, da qual a Embraer tem 51%, foi para produzir aviões militares, o principal dos quais é o EC-390. A terceira operação ficou somente com a Embraer, que produz o A-29 Super Tucano, avião militar de pequeno porte.

O Cade entende que a operação trará benefícios à Embraer, “que passará a ser um parceiro estratégico da Boeing”. A cooperação tecnológica e comercial pode favorecer os ramos que permanecem com a Embraer (aviação executiva e de defesa).

A parceria entre a Boeing e a Embraer estará sacramentada em 15 dias, se nenhum conselheiro do Cade for contra a decisão. “Não identificamos nenhum problema concorrencial apesar de a operação tirar um player de um mercado relevante, que é o de aviões de 100 a 150 passageiros”, disse ao Estado o superintendente-geral do Cade, Alexandre Cordeiro. Foi uma decisão de bom senso.

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