A derrocada das principais economias

Em 10 dos 11 países analisados pela OCDE é aguda a queda das expectativas quanto à atividade econômica nos próximos seis a nove meses

Editorial Econômico, O Estado de S. Paulo

17 de maio de 2020 | 05h00

Foi sem precedentes, em abril, a derrocada das perspectivas de crescimento das principais economias do mundo em razão do impacto das medidas restritivas tomadas pelos governos para conter a evolução da pandemia do coronavírus. Esta é a conclusão do mais recente estudo da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) – da qual fazem parte 37 dos países mais desenvolvidos do mundo (o Brasil é candidato a se filiar ao grupo) – baseado no indicador composto que afere as tendências econômicas para os próximos meses. Esse estudo é conhecido como CLI (Composite Leading Indicators).

As medidas de isolamento que vários países começaram a impor à população logo no início da crise sanitária provocada pela covid-19 (no Brasil, a quarentena começou em março) tiveram, no mês passado, o impacto mais intenso até agora sobre a produção, o consumo e a confiança dos agentes econômicos.

Em 10 dos 11 países analisados pela OCDE é aguda a queda das expectativas quanto à atividade econômica nos próximos seis a nove meses. A exceção é a China, que já começou a flexibilizar as medidas de restrição às atividades econômicas e à circulação das pessoas. Mas a OCDE ressalta que suas projeções se baseiam em informações ainda parciais.

A situação no Brasil é muito diferente. O colapso das perspectivas para a economia brasileira é o terceiro mais acentuado no grupo de países avaliados pela OCDE. A queda do CLI de abril do Brasil foi de 7,82% em relação ao índice de um ano antes. Só Rússia (redução de 9,17%) e Reino Unido (queda de 7,93%) apresentaram resultado pior.

Há, ainda, uma notável deterioração das perspectivas para a economia brasileira em apenas um mês. Em março, a queda tinha sido de 1,26%.

O estudo inclui as perspectivas para os conjuntos das sete maiores economias do mundo, dos países da zona do euro e dos cinco maiores países da Ásia. Também na média desses grupos as perspectivas são ruins.

Não é possível prever quando as coisas começarão a melhorar. Não se sabe quando e com que velocidade a quarentena será levantada. Ainda não se conhecem com precisão seus efeitos sobre as economias nacionais. E muito menos se sabe como será a retomada quando a crise sanitária estiver controlada.

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