A disseminação do pessimismo e da desconfiança

Índices de confiança medidos mensalmente pela instituição – e corroborados, no caso da indústria, por pesquisa semelhante da Confederação Nacional da Indústria (CNI) – estão em queda

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

03 de outubro de 2021 | 04h00

O pessimismo dissemina-se pelo ambiente econômico. O salto de 14,3 pontos no Indicador de Incerteza da Economia Brasileira aferido pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) entre agosto e setembro, o maior desde abril de 2020, quando a pandemia atingiu duramente a economia brasileira, resume a deterioração das expectativas de consumidores e dirigentes empresariais da indústria, do comércio e dos serviços.

Índices de confiança medidos mensalmente pela instituição – e corroborados, no caso da indústria, por pesquisa semelhante da Confederação Nacional da Indústria (CNI) – estão em queda, desenhando uma tendência que se estende pelos diferentes segmentos.

A exceção é a construção, setor que, graças sobretudo ao mercado imobiliário, vem alcançando resultados brilhantes. Os lançamentos e as vendas de unidades habitacionais de diferentes padrões mostram forte evolução desde meados do ano passado. E podem manter-se aquecidos pelos próximos meses, pois as condições que os impulsionaram, especialmente a oferta de crédito e seu custo relativamente baixo, se mantêm.

Para os demais setores e para os consumidores, porém, o cenário contém sinais fortes de deterioração que acabam por minar suas expectativas e sua confiança.

No caso do aumento no Indicador de Incerteza, que passou para 133,9 pontos em setembro, o nível mais alto desde março deste ano, a alta decorre das diferentes crises, reais ou potenciais, que ensombrecem o cenário político e econômico.

“Entre os fatores que contribuíram para a alta estão as diversas crises do momento – política, institucional e hídrica –, o cenário fiscal indefinido, a inflação ascendente e dúvidas remanescentes quanto à pandemia que injetaram uma dose adicional de incerteza no mês”, resume a economista do Ibre/FGV Anna Carolina Gouveia.

A notória incapacidade do governo Bolsonaro de dar respostas adequadas a desafios antigos e a problemas emergentes, diante dos quais reage com demagogia e oportunismo, só agrava as coisas.As consequências são ruins. “Com todos esses choques, dificilmente o indicador de incerteza convergirá para a (já elevada) média de 20015-2019, como parecia possível alguns meses atrás”, completa a economista do Ibre/FGV.

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