A evolução da demanda de bens industriais

Como a produção industrial, o consumo aparente de bens industriais vem crescendo há oito meses

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2021 | 03h00

Como a produção industrial, o consumo aparente de bens industriais vem crescendo há oito meses. É um sinal de firme e contínua recuperação da atividade industrial. Mas o gráfico da evolução desde o início da pandemia de cada um desses indicadores no resultado acumulado de 12 meses mostra algumas discrepâncias. Há diferença conceitual entre um indicador e outro: o cálculo do consumo aparente exclui da produção de toda a indústria os bens destinados ao mercado externo, mas acrescenta os produtos industrializados que o País importa. Daí o desempenho desigual entre eles.

Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente de Bens Industriais aumentou 3,6% em dezembro, na comparação com novembro. Com isso, o quarto trimestre de 2020 acumulou alta de 9,4% em relação ao terceiro. Em relação a dezembro de 2019, a alta foi bem mais expressiva, de 20,1%.

A Pesquisa Industrial Mensal do IBGE, de sua parte, também cresceu pelo oitavo mês consecutivo e teve, em dezembro, alta de 0,9% sobre novembro. Também a produção registrou alta expressiva na comparação com igual mês de 2019, com aumento de 8,2%.

No resultado acumulado de 12 meses, porém, o desempenho mostra algumas diferenças entre consumo aparente e produção industrial. De meados do segundo semestre de 2019 até o fim do primeiro semestre de 2020, o consumo aparente vinha apresentando resultados melhores do que a produção. Ou subia mais ou caía menos.

Essa tendência mudou em junho do ano passado. O consumo passou a cair mais do que a produção. Assim, no acumulado de todo o ano de 2020, o consumo aparente medido pelo Ipea teve queda de 5,2%; a redução da produção foi menor, de 4,5%, segundo o IBGE.

A diferença teria sido mais ampla se o resultado do consumo aparente de bens industriais em dezembro não tivesse incorporado, por razões contábeis, importações de plataformas de petróleo no total de US$ 4,8 bilhões. Com isso a demanda de bens de capital no mês foi 99,2% maior do que a de novembro.

Resultado muito positivo foi a evolução da demanda acumulada em 12 meses de seis segmentos da indústria, entre os quais outros equipamentos de transporte (13,9%), farmoquímicos (4,2%) e produtos de metais (1%).

Tudo o que sabemos sobre:
bens de capitalindústria

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.