A evolução da indústria paulista

Depois da forte recuperação, no segundo semestre do ano passado, as vendas do setor manufatureiro do Estado de São Paulo vêm mostrando fraqueza ao longo deste ano

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

07 de outubro de 2021 | 03h00

As vendas reais da indústria paulista diminuíram 2,4% entre julho e agosto. É a quarta queda mensal consecutiva do Total de Vendas Reais calculado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Depois da forte recuperação, no segundo semestre do ano passado, da queda provocada pela redução ou suspensão de atividades em razão da pandemia de covid-19, as vendas do setor manufatureiro do Estado de São Paulo vêm mostrando fraqueza ao longo deste ano. Houve crescimento somente em janeiro e abril.

O empresariado industrial paulista não tem grandes expectativas para os próximos meses. O Sensor da Indústria, outro indicador aferido pela Fiesp, alcançou 49,1 pontos em setembro, abaixo do nível de 50 pontos (numa escala de 100) que separa o otimismo do pessimismo. O nível de agosto representa piora da atividade industrial no período.

As horas trabalhadas na produção diminuíram 0,4% em agosto na comparação com julho e os salários reais médios ficaram 1,2% menores. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada, porém, ficou estável entre um mês e outro (alta de 0,1 ponto porcentual), atingindo 81,1%, 1,7 ponto acima da média histórica.

As expectativas do empresariado industrial paulista, como as de empreendedores de outros segmentos, combinam esperança e preocupação. Há, no caso da indústria, elementos fortes para alimentar o otimismo. As exportações estão em bom nível e podem crescer, puxadas pelo crescimento da economia global, em ritmo mais intenso que o da economia brasileira. O câmbio desvalorizado é outro estímulo forte para as vendas externas.

No plano interno, o avanço da vacinação, permitindo a reabertura mais ampla da economia, tende a estimular a demanda, igualmente impulsionando a produção industrial.

Mas há também problemas, alguns específicos da indústria, outros de abrangência mais ampla. Segmentos industriais, diz a Fiesp, “estão sendo afetados por gargalos associados à escassez de algumas matérias-primas, além de custos elevados com insumos”.

Há também a inflação e a crise hídrica, que pode afetar o preço da energia. E, embora não citada pela Fiesp, há a crise decorrente da falta de ação do governo federal em áreas de sua responsabilidade e de seu excesso de ação no plano eleitoral.

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