A expansão do PIB paulista e as incertezas

A retomada não deve ganhar impulso expressivo nos próximos meses e a vida continuará difícil para as famílias e para as empresas

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2021 | 03h00

Embora se mantenha lenta, a recuperação da atividade da economia do Estado de São Paulo continua mais acentuada do que a da economia brasileira, que deve crescer menos de 4% em 2021. Mas fatores que geram incertezas podem afetar os resultados dos próximos meses.

Em seu boletim, a Fundação Seade, que acompanha mensalmente a evolução da produção estadual, reduziu em 0,2 ponto porcentual sua projeção média para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) paulista no ano, apontando para expansão de 5,2%. O limite inferior da margem de crescimento foi mantido em 3,6%, mas o superior caiu de 6,7% para 5,9%.

É provável que o ritmo de expansão do PIB paulista em março tenha sido menor do que o de fevereiro, que já fora inferior ao de janeiro (sempre na comparação com o mês anterior), mas ainda assim os resultados acumulados no período de 12 meses permanecem bastante satisfatórios.

Nos 12 meses terminados em fevereiro, o crescimento foi de 0,9%. No acumulado até março, o crescimento pode ter alcançado 1,5%, de acordo com a série montada pela Fundação Seade (chamada PIB+30) para antecipar resultados com base nos dados disponíveis no mês de referência. Esses resultados confirmam a tendência de retomada gradual observada desde novembro, quando o PIB paulista acumulado em 12 meses, que vinha sendo comprimido desde o início da pandemia, finalmente igualou o do período anterior. Desde então, a expansão vem se acentuando, ainda que com certa moderação.

A retomada não deve ganhar impulso expressivo nos próximos meses. A vida real continuará difícil para as famílias e para as empresas. Quanto à pandemia, “permanece a questão sobre o ritmo e a abrangência da vacinação”, lembra a Fundação Seade. Trata-se de “fator crucial para definir a trajetória do PIB”.

Há ainda o risco de aceleração da inflação por pressões combinadas da alta das commodities e do dólar. A trajetória da produção da indústria de transformação ainda é incerta. Do lado do emprego e da renda, permanecem altas taxas de desocupação e dificuldades para as famílias de renda mais baixa por causa do atraso do benefício emergencial.

De bom, só o crescimento acelerado dos Estados Unidos e da China, os dois maiores mercados para produtos brasileiros.

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