A expansão e o futuro do e-commerce

Compras online tendem a se intensificar mesmo depois de normalizadas as atividades das empresas

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2021 | 03h00

Entre os novos hábitos que, por bem ou por mal, a pandemia de covid-19 vem estimulando, um deles tende a se consolidar e a se intensificar mesmo depois de normalizadas as vidas das famílias e as atividades das empresas. Trata-se das compras online.

Era previsível que as vendas pelo e-commerce cresceriam rapidamente no ano passado, em vista das dificuldades que o necessário isolamento exigido para conter a propagação do novo coronavírus impunha às compras presenciais. Mesmo assim, o resultado é expressivo. Como mostrou reportagem do Estado, o comércio online cresceu 41% no ano passado, de acordo com a consultoria Ebit-Nielsen.

A pesquisa constatou que, no ano passado, o total das vendas do e-commerce alcançou R$ 87,4 bilhões. O crescimento de 2020 é o maior avanço anual registrado desde 2007. Em 2018, o aumento sobre o ano anterior tinha sido de 12% e, em 2019, de 16%.

Além do aumento expressivo do volume de negócios por meios eletrônicos, observou-se a disseminação regional dessa modalidade de compras. A Região Sudeste continua a responder por mais da metade das vendas online, mas o Nordeste, por exemplo, quase dobrou (de 18,5% para 31,7%) sua fatia no total negociado pelo e-commerce em todo o País.

Embora baseados em fonte diferente da utilizada pela Ebit-Nielsen, dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostram evolução porcentual bastante próxima. De acordo com a CNC, o faturamento real do e-commerce estimado com base em informações da Receita Federal alcançou R$ 224,7 bilhões no ano passado, com aumento de 37% sobre 2019.

Muitas empresas iniciaram as vendas online em 2020, como forma de manter suas operações na pandemia. Mas 84,3% dos negócios por esse meio se concentraram nas lojas de departamento, segundo a pesquisa.

Trata-se de uma reação notável num cenário de grandes restrições por causa da crise sanitária. Pode ser um caminho a ser trilhado pelas empresas mesmo em situações econômicas, sociais e sanitárias menos drásticas do que a atual.

É preciso levar em conta, porém, que a venda presencial continua a responder pela maior fatia dos negócios. E que, no ano passado, o comércio brasileiro perdeu 75 mil estabelecimentos. 

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