A importância da recuperação das cadernetas

No primeiro semestre do ano, foi negativa em R$ 11,2 bilhões a captação das cadernetas no SBPE

O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2019 | 05h00

A captação líquida de R$ 2,8 bilhões nas cadernetas do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) em junho alimenta as expectativas de um segundo semestre mais favorável à aplicação, que tem grande importância para o financiamento da casa própria. Nos primeiros cinco meses de 2019, os bancos que atuam no SBPE elevaram em 40% as aplicações, com alta de 47% em maio, melhor resultado para o mês desde 2015.

No primeiro semestre do ano, foi negativa em R$ 11,2 bilhões a captação das cadernetas no SBPE e em R$ 3,3 bilhões a captação da poupança rural, na qual o agente financeiro dominante é o Banco do Brasil. Em cinco dos últimos seis meses a captação da poupança rural foi negativa.

A queda dos juros pagos aos aplicadores vem afetando as aplicações de renda fixa, inclusive a caderneta. Números da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostram que os investidores estão cada vez mais dispostos a tomar riscos, ampliando as aplicações em fundos de ações e derivativos. Um único fundo de recebíveis registrou captação de R$ 49,8 bilhões em junho, respondendo por quase 40% do total da captação líquida no primeiro semestre.

A retomada da captação das cadernetas do SBPE, que se destinam primordialmente ao crédito imobiliário, é importante para acelerar a recuperação do setor de imóveis. O custo módico da captação da poupança tem permitido, ainda, um aumento da concorrência no crédito imobiliário, em benefício dos mutuários finais.

Os bancos que mais disputam o mercado de financiamento habitacional parecem se antecipar à possibilidade de recuo da taxa básica de juros, prevista pela maioria das consultorias econômicas para este semestre.

Prestações menores na compra da moradia própria, em decorrência da queda dos juros dos financiamentos, permitem atrair novos consumidores. É um fato positivo num momento em que a recuperação do mercado imobiliário se dá em ritmo inferior ao esperado.

Se, além disso, for possível combinar a queda do juro com um aumento da confiança decorrente do avanço da reforma da Previdência, o crédito ajudará a construção civil a aumentar seu ritmo de atividade, favorecendo a criação de emprego e o investimento de cuja falta a economia tanto se tem ressentido neste momento.

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