A importância do auxílio emergencial

Com a redução do valor do auxílio a partir de setembro, renda do brasileiro pode cair até 20% em relação à de agosto

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

03 de outubro de 2020 | 03h00

O pagamento de auxílio emergencial para a população de baixa renda poder enfrentar as consequências da pandemia de covid-19 teve papel essencial para preservar minimamente as condições de vida de boa parte dos brasileiros beneficiados. Criado em abril, com a previsão de três pagamentos mensais de R$ 600 por beneficiário, o auxílio de mesmo valor foi estendido por mais dois meses. Recentemente, o governo o renovou por mais quatro parcelas a partir de setembro, mas com o valor reduzido para a metade. Passados seis meses desde a chegada da pandemia ao País, seria difícil imaginar como milhões de famílias teriam conseguido chegar até aqui com mínimas condições de saúde se não tivessem recebido o auxílio.

Estudo divulgado há pouco pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em sua mais recente Carta de Conjuntura mostra que, em agosto, os moradores de 4,25 milhões de domicílios do País sobreviveram graças exclusivamente ao auxílio emergencial de R$ 600. Esse número representa 6,2% do total de domicílios do País. É um número próximo do observado em julho.

O estudo do Ipea tem como base os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Covid-19. Essa pesquisa vem sendo realizada pelo IBGE com frequência semanal para avaliar com maior acuidade o impacto da covid-19 sobre as condições de vida da população.

Para os demais brasileiros beneficiados pelo pagamento do auxílio, o efeito pode não ter sido tão intenso como o observado nos domicílios que dependeram exclusivamente desse benefício. Mas foi notável para a renda dos beneficiados.

De acordo com o Ipea, o rendimento efetivo dos trabalhadores ocupados na pandemia continuava abaixo do rendimento habitual (este de R$ 2.384 por domicílio, aquele de R$ 2.132). Considerado o pagamento do auxílio emergencial, porém, a renda domiciliar foi 3% maior do que seria caso o valor recebido por domicílio fosse o rendimento do trabalho habitual.

O estudo projeta que, com a redução pela metade do valor do auxílio, a renda domiciliar pode ser até 5,3% menor do que a renda habitual. A perda será maior entre as famílias de renda muito baixa. Com a redução do auxílio emergencial a partir de setembro, a renda pode cair até 20% em relação à de agosto.

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