A importância relativa da queda do CDS

O que está claro é que a queda do preço do seguro contra um default brasileiro é justificável

O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2019 | 04h00

Caiu ao menor nível dos últimos seis anos, na semana de 16 a 20 de setembro, o risco Brasil medido pelo Credit Default Swaps (CDS), uma espécie de seguro contra a quebra dos países. É uma boa notícia, pois mostra que o perigo de o País ficar insolvente é visto como cada vez menor pelos investidores internacionais. Mas o fato de a cotação do CDS ter caído a 116 pontos, contra mais de 200 pontos no início de 2019, não basta para justificar comemorações.

O que está claro é que a queda do preço do seguro contra um default brasileiro é justificável, pois os riscos de o Brasil se tornar insolvente diminuíram muito ante o avanço da reforma da Previdência. Mas isso não quer dizer, segundo conceituados especialistas, que aplicações em títulos brasileiros sejam, necessariamente, muito atraentes para os investidores globais. 

Entre os obstáculos enfrentados por esses investidores está o fato de que as cotações cambiais têm oscilado num ritmo nem sempre favorável a eles. Ou seja, o risco pode ser maior ou menor em face do grau de volatilidade da moeda brasileira. As variações da paridade real/dólar podem ter efeitos expressivos sobre o retorno das aplicações em papéis brasileiros cotados em reais. 

Não é outro o motivo pelo qual os investidores estrangeiros agem com cautela, como mostrou reportagem recente publicada pelo Estado. Segundo a matéria, nos últimos três meses o Brasil perdeu cerca de US$ 50 bilhões em recursos externos, nos cálculos do departamento econômico do Bradesco. 

São três os motivos citados na reportagem para a queda dos ingressos estrangeiros. Primeiro, a redução do diferencial de juros no Brasil e nos Estados Unidos tornou o País menos atrativo para estrangeiros. Segundo, muitas empresas estão trocando dívidas em moeda estrangeira por dívidas em reais, aproveitando a demanda por títulos negociados no mercado de capitais. Terceiro, apesar da queda substancial do CDS, o Brasil continua sem a classificação de investment grade (ou seja, com risco baixo para investidores globais).

Não há dúvida de que o custo menor do CDS é um ponto favorável ao Brasil. A diminuição do endividamento em dólares é outro bom sinal. Mas, para atrair os investidores globais, o Brasil tem também de demonstrar que voltará a crescer e dispõe de bons projetos para receber investimentos.

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