A indústria confia mais no futuro

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) em julho cresceu pelo segundo mês consecutivo depois de uma sequência de baixas

O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2019 | 04h00

Não fosse um certo otimismo ainda presente entre os empresários brasileiros com relação ao médio e ao longo prazos, chegaria a surpreender a distância que há entre as dificuldades que os industriais percebem no presente e as esperanças que alimentam quanto ao futuro. Essa diferença é clara no Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) de julho da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O Icei de 57,4 pontos em julho cresceu pelo segundo mês consecutivo depois de uma sequência de baixas. Está acima da linha divisória de 50 pontos que separa o otimismo do pessimismo e também é superior à média histórica de 54,5 pontos. O comportamento do indicador poderia ser visto como razoável dado o longo período de queda do setor secundário iniciado em 2014. Houve recuperação entre 2016 e 2017, mas depois vieram novos recuos, que não podem ainda ser dados como superados.

O indicador da CNI é subdividido por expectativas para os próximos seis meses e condições atuais – e estas são insatisfatórias, pois vêm caindo sem interrupção desde fevereiro deste ano, num momento em que a chegada de um novo governo ainda despertava confiança e propiciava mais atividade à indústria. Entre fevereiro e julho, o indicador de condições atuais caiu de 55,6 pontos para 47 pontos, um recuo muito forte, superior a 15%.

O indicador de expectativas também caiu: de 69,9 pontos em janeiro foi para 60,8 pontos em maio. Mas se recuperou em junho e julho e atingiu 62,1 pontos. É possível que a reforma da Previdência já venha surtindo algum efeito positivo sobre o ânimo das quase 2,4 mil empresas consultadas pela CNI entre 1.º e 11 de julho.

Entre os componentes do Icei, as expectativas positivas são maiores com relação à situação das empresas do que com a evolução da economia, embora também esta esteja no campo positivo. Entre as empresas, cresceu a confiança das grandes e das médias, mas a das pequenas diminuiu. É mau sinal, dado o alto número de pequenos negócios na economia brasileira.

Dadas as dificuldades conjunturais, parece evidente a importância de o governo dar estímulos à demanda. Isso poderá permitir que as expectativas de um futuro mais promissor se concretizem. O risco é de que os industriais consultados pela CNI tenham apenas manifestado a crença de que “pior do que está não fica”.

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