A indústria oscila entre a retomada e a estagnação

A maioria das empresas tem se empenhado no ajuste de estoques, que constituem fonte expressiva de custos financeiros

O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2019 | 04h00

A Sondagem Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI) relativa a agosto mescla informações sobre as dificuldades vividas pelo setor secundário com dados que sugerem expectativas melhores para os próximos meses. Parece necessário um exercício de futurologia para fazer afirmações mais bem fundamentadas acerca do comportamento que se deve prever para a indústria no último quadrimestre deste ano.

Há, de fato, alguns sinais do esforço desenvolvido pelo setor industrial para não mergulhar na desesperança. A situação de estoques acima do planejado registrada entre janeiro e julho de 2019, por exemplo, foi parcialmente corrigida em agosto, mas ainda supera a média histórica. A maioria das empresas tem se empenhado no ajuste de estoques, que constituem fonte expressiva de custos financeiros.

A produção industrial cresceu em agosto e se situa em 51,4 pontos, acima da linha de corte de 50 pontos que separa os campos positivo e negativo, mas o ritmo de crescimento foi menor que o de agosto de 2018. O mesmo ocorreu com o nível de emprego, que evoluiu 0,2 ponto em relação a julho de 2019, mas ficou em 48,6 pontos, ou seja, na faixa negativa. A utilização média da capacidade também teve pequena melhora, mas o nível atingido de 69% está 5 pontos abaixo da média do período 2011/2014.

O que mais preocupa é que as expectativas, embora ainda no patamar positivo, estão em declínio. A demanda é fraca, limitando a aquisição de matéria-prima – o aço é um bom exemplo, pois o segmento siderúrgico não consegue adequar preços às variações cambiais. É mau sinal a fraqueza relativa à contratação prevista de pessoal, pois o setor secundário opera com trabalhadores mias bem qualificados que recebem salários acima da média brasileira. Entre os pontos mais delicados está a expectativa de perda de ritmo das exportações, que indicam o grau de competitividade do produto brasileiro no mundo.

Tudo ponderado, a intenção de investir recuou entre agosto e setembro, embora seja superior à de setembro do ano passado e à média histórica.

Os indicadores da CNI confirmam as dificuldades da indústria previstas pelos analistas econômicos, apontando para a perspectiva de mais uma queda do setor em 2019, depois dos resultados insatisfatórios dos últimos anos.

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