A indústria siderúrgica a todo vapor

Com a aceleração da demanda das indústrias de máquinas e equipamentos, o índice de produção está em 73,5% da capacidade instalada

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2021 | 03h00

Mais do que recuperada da crise, a indústria do aço está superando seu desempenho anterior a ela. O Instituto Aço Brasil, representante das empresas do setor, projeta para 2021 o melhor desempenho no consumo aparente e nas vendas internas desde 2013 e a maior produção da história.

Em abril de 2020, as siderúrgicas chegaram a paralisar fornos e linhas de produção, operando com 45% da capacidade instalada. Com a aceleração da demanda das indústrias de máquinas e equipamentos, automotivos e, sobretudo, construção civil, o índice está em 73,5%. De janeiro a julho, a produção, as vendas internas e o consumo aparente cresceram, respectivamente, 22%, 38,4% e 44,9% em relação ao mesmo período de 2020.

Os desarranjos provocados pela crise ainda geram atritos. A indústria de construção, também em crescimento, alega que seu desempenho só não é melhor por causa da alta nos preços do aço. A Câmara Brasileira da Indústria de Construção chegou a acusar as siderúrgicas de desligar os altos-fornos para especular, e protocolou denúncia de reajuste abusivo no Ministério da Justiça e um pedido para zerar a tarifa de importação de aço no Ministério da Economia.

As siderúrgicas alegam que os fornos foram desligados em razão da contração súbita da demanda e que a alta das commodities elevou expressivamente os preços de insumos como o minério de ferro e a sucata.

A Secretaria Nacional do Consumidor parece corroborar suas alegações. Em nota, o órgão afirmou que a recuperação abrupta do mercado de construção em 2020 gerou um descasamento entre demanda e oferta e que não identificou ações oportunistas por parte dos fornecedores. Segundo o Aço Brasil, o mercado se encontra plenamente abastecido e em vias de normalização.

A confiança do setor é alta. O Aço Brasil, que já revisara a previsão de crescimento do consumo aparente de 2021 sobre 2020, de 5,8% para 15%, revisou-a agora para 24%.

Na agenda pública, as siderúrgicas fazem coro com o resto da indústria e outros setores produtivos por mais investimentos em infraestrutura e um sistema tributário mais justo e ajustado, que simplifique procedimentos, elimine a cumulatividade de impostos e desonere investimentos. Na arena política, os produtores de aço pedem um ambiente institucional mais estável.

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