A lentidão da recuperação do turismo

Crescimento do setor entre maio de 2020 e fevereiro de 2021 foi de 127,5%, segundo o IBGE, mas número ainda não é o bastante

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2021 | 03h00

Embora com velocidade menor do que a do setor de serviços, as atividades turísticas mostram sinais de recuperação. A Pesquisa Mensal de Serviços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que, em fevereiro, o volume de serviços aumentou 3,7% em relação a janeiro. O índice especial montado com os itens dos serviços que se referem tipicamente a atividades turísticas subiu 2,4%.

É a segunda alta mensal consecutiva desse índice. Impressionante é a recuperação entre maio de 2020 e fevereiro de 2021, de 127,5%, segundo o IBGE. Talvez mais impressionante seja a constatação de que, apesar desse crescimento explosivo, o setor ainda precisa crescer mais 39,2% para retornar ao nível que apresentava em fevereiro do ano passado.

Esses números dão, de maneira inversa, a dimensão do terrível impacto da pandemia sobre esse segmento da economia, que emprega grande contingente de mão de obra.

Estima-se que, no ano passado, o turismo perdeu, em todo o mundo, o equivalente a US$ 4,5 trilhões, por causa da redução das viagens, esvaziamento de restaurantes e hotéis, cancelamento de convenções, adiamento de eventos e interrupção ou redução de outras atividades coligadas.

Segundo órgãos representativos do turismo em escala internacional, o faturamento caiu de US$ 9,2 trilhões em 2019 para US$ 4,7 trilhões em 2020. Responsável, antes da pandemia, por mais de 10% dos empregos em todo o mundo, o setor demitiu 62 milhões de pessoas no ano passado.

Números para o Brasil aferidos pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estimam que o rombo do setor no ano passado chegou a R$ 290 bilhões. A crise custou o emprego de 397 mil pessoas no setor.

Apesar da expansão em fevereiro na comparação com o mês anterior, os resultados em relação a um ano antes continuam muito ruins. Em fevereiro, o volume de atividades turísticas foi 31,1% menor do que o de fevereiro de 2020. Foi o 12.º mês consecutivo a registrar recuo nesse tipo de comparação.

Há queda nas receitas de empresas que atuam nos ramos de restaurantes, transporte aéreo, hotéis, agências de viagens, rodoviário coletivo de passageiros e serviços de bufê. Na comparação com o ano anterior, todas as 12 unidades da Federação em que o indicador é calculado registram queda.

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