A maior queda do IPCA em 22 anos

A queda de 0,38% em maio é o segundo resultado mais baixo do índice desde agosto de 1998

Notas & Informações, O Estado de S. Paulo

11 de junho de 2020 | 03h00

A segunda queda mensal consecutiva registrada em maio pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) fez o índice acumular redução de 0,16% nos primeiros cinco meses do ano e somar alta de apenas 1,88% em 12 meses.

Esta última variação está abaixo do piso de tolerância, de 2,5% em 2020, da política de meta inflacionária seguida pelo Banco Central (BC). Por isso, esses números reforçam as projeções de que, em sua reunião da semana que vem, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC decidirá por nova queda da taxa básica de juros, hoje em 3% ao ano. Mas já há sinais de que, a partir deste mês, o IPCA voltará a registrar variação mensal positiva, embora as projeções para o ano continuem predominantemente abaixo de 2%, inferiores, portanto, ao piso da política de meta do BC.

A queda de 0,38% em maio é o segundo resultado mais baixo do IPCA desde agosto de 1998, quando recuou 0,51%, e a mais acentuada para o mês desde 1980, quando começou a série desse indicador de preços. Em abril, o IPCA já havia caído 0,31%. São dois resultados que expressam, com grande evidência, a fraqueza da demanda e os impactos que o isolamento social teve na atividade econômica – consumo, produção, emprego, renda – e, claro, sobre os preços em geral.

O grupo de preços que mostrou mais sensibilidade às transformações da vida econômica e social impostas pela pandemia foi o de serviços. Em maio, esse grupo registrou queda média de preços de 0,45%, a mais intensa de toda a série do IPCA.

As medidas de alívio do isolamento social e a gradual retomada das atividades econômicas devem afetar os preços daqui para a frente, sobretudo os de serviços, mas não é possível antever a dimensão desse impacto. “O que a gente pode vir a observar é que haja maior movimentação na economia e, com isso, haja uma mudança também nos indicadores de serviços”, disse o gerente da pesquisa do IPCA, Pedro Kislanov. “Mas os cenários são muito incertos ainda.”

A alta da gasolina já promovida pela Petrobrás fará subir os preços dos transportes. Mas a reabertura da economia deve provocar variações acentuadas de outros preços, parte dos quais poderá registrar saltos. Ainda é difícil antecipar quais serão esses preços ou qual o tamanho dos saltos. 

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