A mais grave e mais longa crise da aviação

Muitas companhias 'estão queimando caixa' para manter suas operações

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2021 | 03h00

O resultado de maio para as companhias aéreas em todo o mundo foi um pouco melhor do que o de abril. Mas isso nem de longe significa que as dificuldades do setor, um dos mais duramente atingidos pela crise econômica provocada pela pandemia de covid-19, estejam dando sinais de que estão passando. A demanda global de passageiros em maio deste ano foi 62,7% menor do que a de um ano antes, o que representa um ganho em relação à demanda de abril, que foi 65,2% menor do que a do mesmo mês em 2020. São números da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês). 

Mas, como ressalvou o diretor-geral da Iata, Willie Walsh, em entrevista ao Estado (8/7), “é bom colocar as coisas em contexto”. A indústria aérea mundial enfrentou crises severas neste século. Em 2001, sua receita diminuiu 6,4%, queda considerada muito forte na época; na crise financeira de 2009, a perda foi de 16,5%.

Nada disso se compara com o impacto da crise atual. “É uma escala completamente diferente”, disse Walsh, lembrando que, na pandemia, a perda de receita alcançou 56%. Além de muito mais intensa, esta crise está sendo bem mais longa.

O relatório da Iata observa que a pequena melhora de maio em relação a abril não encobre o fato de que o tráfego aéreo continua bem abaixo dos níveis que se observavam antes da pandemia. O resultado de maio é 85,1% menor do que o de maio de 2019. Assim, o nível de operação corresponde a apenas 15% do que se registrava num ano normal.

Não é de estranhar que as dívidas das companhias aéreas tenham aumentado em US$ 220 bilhões desde a pandemia, alcançando atualmente cerca de US$ 650 bilhões. E continuam aumentando. Muitas companhias “estão queimando caixa”, como diz Walsh, para manter suas operações.

Ele estima, por isso, que a dívida total chegue a US$ 700 bilhões até o fim do ano. E levará tempo para a normalização. “Acreditamos que voltaremos aos níveis que tivemos em 2019 provavelmente em 2023 ou 2024”, disse o diretor-geral da Iata a este jornal.

A Iata afirma que a recuperação das viagens internacionais continua prejudicada pelas restrições a viagens impostas pelos governos. Mas há sinais que alguma coisa começa a melhorar, com a gradual abertura dos mercados para passageiros vacinados. A abertura, porém, tem sido lenta.

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