A pandemia e a modernização dos mercadinhos

Com a expansão das vendas a distância, muitos conseguiram superar as perdas das vendas diretas causadas pelo isolamento

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2021 | 03h00

O comércio tradicional de bairro, do qual fazem parte mercadinhos e supermercados não vinculados às grandes redes nacionais, mostrava resistência mais forte às mudanças tecnológicas do que a de outros segmentos da economia. A pandemia mudou o quadro. Estabelecimentos que faziam apenas vendas presenciais ou atendiam a um pequeno número de encomendas por telefone tiveram de transformar rapidamente sua forma de atuação. Com a expansão das vendas a distância, muitos conseguiram superar as perdas das vendas diretas ao consumidor causadas pelas medidas de distanciamento social.

Foi um involuntário salto tecnológico? Uma expressão bem mais modesta é preferida pelo presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios do Estado de São Paulo (Sincovaga), Álvaro Furtado. Foi “um soluço de sobrevivência”, disse ele ao Estadão, para descrever a mudança na forma de atuação de empresas como os 100 varejistas de pequeno porte da capital filiados ao Sincovaga.

De acordo com números da entidade sindical, quase metade (46%) de suas filiadas na capital registrou aumento de vendas na pandemia. E, desse aumento, as vendas a distância responderam por 63%. É um indicador notável da transformação pela qual passou essa modalidade de comércio em tão pouco tempo.

Para muitas delas, pode ter sido o caminho da sobrevivência. Para estas e as demais, porém, pode ter sido também o início de uma jornada pela modernização dos negócios. Se a trajetória for mantida, haverá ganhos para os comerciantes, com operações mais eficientes e rentáveis, e para o consumidor, com serviços que lhe trazem mais comodidade sem necessariamente implicar aumento de custo.

Os ganhos, para os comerciantes, já surgiram. No primeiro trimestre do ano, as vendas de supermercados de bairros não ligados a grandes redes cresceram 21,2% em valor e 9,4% em volume, na comparação com as de 2020, segundo pesquisa da consultoria Nielsen. No comércio de produtos alimentícios esse desempenho só é superado pelo dos chamados atacarejos, com aumento de 23,1% no valor das vendas.

O fato de o Sincovaga ter detectado que 79% de seus filiados investem em redes sociais e 28% criaram áreas para vendas não presenciais é sinal de que as mudanças tendem a se aprofundar.

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