A pandemia e os novos hábitos de consumo

Como consequência do isolamento, atividades domésticas e o comércio eletrônico aumentaram em muitos casos

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2020 | 03h00

A pandemia impôs mudanças importantes no modo de vida de milhões de pessoas. Passados oito meses desde a identificação dos primeiros casos de brasileiros infectados pela covid-19, já é possível quantificar algumas transformações observadas no País. Pesquisa da FecomercioSP mostra, por exemplo, que 7 entre 10 brasileiros mudaram seus padrões de consumo durante a pandemia e por causa dela.

O consumo caiu para boa parte dos entrevistados, pois muitos deles relataram perda de renda, o que era previsível com as alterações que a pandemia impôs ao mercado de trabalho, com o aumento da desocupação, a redução de jornada e rendimento para muitos que continuaram a trabalhar e as incertezas quanto aos ganhos futuros. A inflação, especialmente de alimentos, igualmente inibiu as compras.

Gasta-se menos com roupas e sapatos, pois, segundo a pesquisa, 42% dos entrevistados reduziram o consumo desses itens. As despesas com viagens e turismo foram cortadas por 30% dos entrevistados. Até mesmo o consumo de itens essenciais, como alimentos e remédios, foi reduzido por 22% das pessoas.

Como consequência do isolamento social, atividades domésticas aumentaram em muitos casos. Sete entre 10 entrevistados (72%) disseram que estão cozinhando mais em casa do que faziam antes da pandemia. Quatro entre 10 (42%) disseram que praticam mais atividades físicas em casa.

Como era previsto, aumentou o número de pessoas em todas as faixas de renda que compram pela internet. Entre as que ganham até um salário mínimo, 41% passaram a comprar mais pela internet do que faziam antes da crise. Entre as que ganham mais de dez salários mínimos, o aumento foi de 39%.

É possível que o aumento maior entre os que ganham menos se deva à base de comparação menor: é provável que, antes da pandemia, os que ganham menos compravam proporcionalmente menos pela internet do que as pessoas de renda mais alta.

O setor de serviços parece ter sido mais beneficiado que outros: 56% dos consumidores admitem ter pedido mais comida por aplicativos na pandemia. Outros 36% adquiriram algum tipo de curso.

Embora ainda haja muitas oportunidades para o comércio eletrônico, boa parte dos consumidores anseia pelas compras em lojas.

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