A pandemia, o novo consumo e o desejo de poupar

Brasileiros devem poupar mais para cobrir despesas inesperadas e tendem a aumentar o consumo de determinados produtos em detrimento de outros

Editorial Econômico, O Estado de S.Paulo

02 de janeiro de 2021 | 03h00

As restrições à vida cotidiana e as novas necessidades impostas à população pelas medidas de enfrentamento da pandemia de covid-19 podem trazer mudanças duradouras nos hábitos dos brasileiros. Uma das mudanças já ocorridas e que podem persistir é na relação entre poupança e consumo. Há maior desejo de poupar, sobretudo como medida de prevenção para cobertura de despesas inesperadas, e tendência a aumentar o consumo de determinados produtos, em detrimento do de outros.

São conclusões do levantamento Retratos da Sociedade Brasileira feito com 2 mil pessoas em 127 municípios na segunda quinzena de novembro pelo Ibope Inteligência para a Confederação Nacional da Indústria (CNI). A pesquisa deixa evidente que a maioria tem noção da gravidade da pandemia para a vida do País. Dos entrevistados, 71% entendem que a pandemia teve impacto muito grande na economia brasileira e 63% consideram que a crise atual é mais forte do que a de 2014 a 2016, no final do governo de Dilma Rousseff.

O impacto sobre a vida de cada um também foi grave. Quatro entre dez entrevistados disseram ter perdido renda no período mais grave da pandemia; 43% disseram que sua renda atual é menor do que a de antes da pandemia. Há confiança na recuperação da economia, mas com cautela. Duas em três pessoas pesquisadas acham que o tempo da recuperação será maior do que um ano.

Visões como essas determinam a maneira como as pessoas pretendem administrar seus recursos no futuro próximo. No cenário ainda marcado por incertezas, 35% delas pretendem reduzir seu nível de consumo e 41% pretendem manter o nível atual. São, assim, 76%, mais de três quartos, que não pretendem aumentar o consumo no futuro próximo.

“Consegui economizar durante a pandemia e quero continuar economizando” foi o principal motivo para 25% dos entrevistados que disseram que vão consumir menos. Em segundo lugar, com 24% das citações, veio a resposta “pretendo mudar certos hábitos depois da pandemia”.

Para os que pretendem poupar mais, o principal motivo apontado foi “não sabe quando as coisas voltarão ao normal”. Redução de gastos por precaução e temor de perda de renda também foram motivos apontados. Cautela e incerteza sintetizam esses sentimentos. 

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