A pandemia pode redesenhar futuro da energia

Covid-19 surgiu quando o mundo entrava na 'década crítica' da transição para a energia limpa e redução das emissões de CO2

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2020 | 03h00

A pandemia de covid-19 causou mais perturbações na demanda global de energia do que qualquer outro evento na história recente e as cicatrizes permanecerão por muito tempo. É assim que a Agência Internacional de Energia (AIE) avalia o mercado mundial pós-pandemia e projeta sua evolução nos próximos anos.

Os números e os eventos em que se baseiam esse diagnóstico são, de fato, impressionantes. A demanda global de energia deve se reduzir em 5% neste ano, em razão do “grande choque” provocado pela pandemia e que fez de 2020 um ano “extraordinariamente turbulento”. Os investimentos, de sua parte, devem diminuir 18%, projeta a AIE em seu relatório anual.

A pandemia surgiu quando o mundo entrava no que a AIE chama de “década crítica” da transição para a energia limpa e a consolidação da redução estrutural das emissões de CO2. A crise pode ter ajudado a conscientizar o mundo sobre a necessidade dessas mudanças.

A pandemia provocou o corte de 8% no consumo de petróleo e de 7% no de carvão. Isso ajudou a diminuir as emissões, mas é um fenômeno temporário, que não assegura a persistência da redução nos próximos anos. “O mundo ainda está longe de ter colocado as emissões em rota decisiva de redução”, adverte a AIE.

Serão necessárias mudanças estruturais na forma como se produz e se consome energia para romper de maneira segura a tendência de aumento das emissões. Os governos têm condições – competência e instrumentos – para acelerar essa transição e colocar o mundo na rota que assegure o alcance dos objetivos definidos para a proteção do meio ambiente e das metas para o clima.

As exigências para atingir esses objetivos são, no mínimo, desafiadoras. Para que as emissões fossem reduzidas em 40% até 2030, seria necessário que as fontes renováveis de energia elétrica respondessem por 75% da produção (no ano passado, responderam por menos de 45%). Dentre as energias renováveis, a solar é apontada como a mais promissora, pois políticas de estímulo ao uso dessa fonte, bem como a maturação de tecnologias, estão propiciando mais acesso a capitais para o setor nas principais economias.

Mas a grande transformação de que o mercado necessita exige esforços conjuntos de governos, empresas, sistema financeiro e cidadãos.

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