A Petrobrás mantém-se no bom caminho

Preservar a política de redução do endividamento é o mais importante para que a empresa recupere o grau de investimento

O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2019 | 04h00

A Petrobrás começou a corrigir seus rumos em 2016, na gestão Pedro Parente, manteve a política em 2018, com Ivan Monteiro, e deverá aprofundar as mudanças na administração Roberto Castello Branco, iniciada na última quinta-feira. Nos discursos que marcaram a posse do novo presidente da estatal, destacou-se a afirmação do ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, de que “não há nenhuma possibilidade de o governo intervir nos preços dos combustíveis”.

Mas outros pontos da política da empresa também têm grande significado, como a defesa de um mercado competitivo e o fim dos subsídios aos consumidores. O Brasil abriu o mercado de petróleo no governo Fernando Henrique. Atraiu investidores internos e externos para os leilões de campos terrestres e marítimos, inclusive do pré-sal, mas o peso da Petrobrás na produção e no refino continua sendo dominante. No refino, esse predomínio é total. A chegada de novos concorrentes para construir refinarias e comprar ativos de refino da estatal é vista pelo Ministério de Minas e Energia como auspiciosa para a competição e para a queda de preços de derivados.

Castello Branco reconheceu os esforços do governo de Michel Temer para pôr a estatal no bom caminho, mediante esforços de exploração e produção de petróleo e gás, venda de ativos e redução de dívidas, ainda muito elevadas devido à administração temerária que marcou os governos petistas.

Para facilitar o entendimento dos consumidores sobre a política da Petrobrás, o ministro Albuquerque se comprometeu a dar mais transparência à política de preços dos derivados, “para que a população entenda o que está pagando”. Hoje, os parâmetros dessa política não são conhecidos.

O esforço da Petrobrás para superar a crise dependeu fortemente da determinação das administrações anteriores, mas contou também com cotações favoráveis do petróleo. Esse reforço à política de ajuste iniciada há três anos deve se manter nos próximos meses.

Preservar a política de redução do endividamento é o mais importante para que a empresa recupere o grau de investimento nas classificações das agências de risco, com o que poderá tomar recursos a custos menores. Além disso, os resultados da Petrobrás também ajudam o governo, dada a condição da empresa de maior pagadora de tributos do País.

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