A produção agrícola resiste à pandemia

É do campo que continuam a vir números positivos neste período recessivo

Notas & Informações, O Estado de S. Paulo

01 de maio de 2020 | 03h00

Embora também tenha sido atingida pela pandemia da covid-19, como era inevitável, a produção agropecuária deverá continuar crescendo neste ano, evitando, assim, uma deterioração ainda mais acentuada dos resultados de toda a economia. O impacto da grave crise sanitária na atividade agropecuária levou os pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) a reverem para baixo sua projeção de crescimento do PIB agropecuário em 2020, de 3,8% para 2,4%. Mesmo menor, será um resultado estimulante.

A Carta de Conjuntura editada pelo Ipea destaca que, em relação às projeções de março, os maiores ajustes ocorreram com os dois produtos com maior peso no PIB do setor, a soja e a carne bovina. A estimada queda da produção do primeiro item, a soja, não tem a ver com a pandemia, mas com problemas específicos da cultura. Ela decorre da redução da colheita no Rio Grande do Sul aferida pelo levantamento da produção agrícola do IBGE, no qual o trabalho do Ipea se baseia. O resultado da colheita em outros Estados será suficiente para assegurar o crescimento da safra de soja.

Mas a pandemia afeta a produção de dois outros itens de peso expressivo no PIB agropecuário. O Ipea reviu de 3,5% para 1,1% o crescimento da produção de bovinos e outros animais vivos e de 1,0% para 0,8% a de cana-de-açúcar.

O desempenho do setor canavieiro está diretamente ligado ao do petróleo. A acentuada redução do preço do óleo no mercado mundial nas últimas semanas, em decorrência da queda da demanda provocada pela pandemia, afetou diretamente o preço do álcool.

Já o consumo da carne bovina caiu porque esta é a proteína animal mais cara e, diante do risco de perda de emprego e redução de renda, boa parte dos consumidores procura alternativas mais em conta. É possível, por isso, que a produção de frangos e de suínos seja beneficiada por essa mudança de escolhas de consumo.

Embora sejam preliminares, dados do Sistema de Inspeção Federal (SIF) da produção de proteína animal mostram queda de 10,2% nos abatimentos de bovinos no primeiro trimestre do ano, na comparação com os resultados de um ano antes. Mas os de suínos e aves cresceram 2,4% e 5,5%, respectivamente.

É do campo que continuam a vir números positivos neste período recessivo.

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