A quarta alta consecutiva das vendas do varejo

É mais uma indicação de gradual normalização da atividade econômica, em boa parte por causa da redução das restrições

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2021 | 03h00

O volume de vendas do comércio varejista atingiu seu nível mais alto na série de estatísticas que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) iniciou em 2000. As vendas cresceram 1,2% em julho, na comparação com junho, mostrou a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC). É a quarta alta mensal consecutiva, sinal de firmeza do processo de recuperação.

Nos sete primeiros meses do ano, o aumento é de 6,6% em relação a igual período de 2020; no acumulado de 12 meses, de 5,9%. É mais uma indicação de gradual normalização da atividade econômica, em boa parte por causa da redução das restrições à circulação das pessoas.

“Apesar do avanço, o movimento intrassetorial do comércio é muito heterogêneo”, ressalva o gerente da PMC, Cristiano Santos. Alguns segmentos continuam a operar em níveis muito inferiores aos observados antes da pandemia. O setor de equipamentos e material para escritório ainda está 26,7% abaixo dos resultados apresentados antes da pandemia; o de combustíveis e lubrificantes está 23,5% abaixo.

A maior mobilidade e o aumento da confiança das pessoas estimularam as vendas de tecidos, vestuário e calçados, que aumentaram 2,8%. As vendas de supermercados ficaram praticamente estáveis, com expansão de 0,2%. Mas esse é um bom resultado diante da alta contínua e expressiva dos preços dos alimentos.

Outros segmentos que, no período mais grave da pandemia, mostravam boa movimentação, agora estão com as vendas em queda, como o de materiais de construção (-2,3%) e de móveis e eletrodomésticos (-1,4%).

Em média, avalia o gerente da pesquisa do IBGE, as atividades que conseguiram se adaptar mais facilmente ao comércio eletrônico estão apresentando desempenho melhor. Cristiano Santos aponta, entre eles, o de outros artigos de uso pessoal e doméstico.

Também a expansão do crédito favorece as vendas do comércio. Na outra ponta, a aceleração da inflação e a queda da renda real das famílias atrapalham os negócios.

A surpresa do varejo ampliado (que inclui as vendas do setor de veículos e de materiais de construção) em julho foi o aumento das vendas de veículos, motos e peças, de 0,2%. O setor automobilístico enfrenta sérios problemas de abastecimento de componentes, que tem paralisado linhas de montagem.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.