A recuperação da indústria está atrasada

Entre outubro e novembro, houve resultado positivo em apenas 6 e 15 regiões pesquisadas

O Estado de S.Paulo

18 Janeiro 2019 | 04h00

O fraco comportamento da indústria registrado em novembro pela pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ficou evidente nos dados regionais sobre o setor. Esses dados mostram que, entre outubro e novembro, houve resultado positivo em apenas 6 das 15 regiões objeto da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) Regional. Não fosse o crescimento da produção paulista (+0,7%), de grande peso no desempenho nacional, teria havido queda, e não uma pequena alta de 0,1% na média do País.

Outros números já apontavam para as dificuldades do setor secundário, como os da fragilidade de recuperação do emprego industrial. Como a indústria oferece empregos de melhor qualidade do que o comércio e os demais serviços, é possível que o comportamento industrial imponha limites a uma retomada mais vigorosa.

Entre os Estados que registraram maiores aumentos da produção industrial estão Pernambuco (+1,4%), Paraná (+1,1%) e Ceará (+0,9%), superando os de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Mas o fato de alguns indicadores superarem a média não basta para compensar as quedas fortes observadas em Goiás (-6,2%), Amazonas (-3,5%) e Rio de Janeiro (-2,2%). Até em Estados onde a indústria tem grande dinamismo houve recuo, como Santa Catarina (-0,9%).

No lado negativo, o exemplo de Goiás é o mais expressivo. Em relação a novembro de 2017, o recuo no Estado atingiu 14,2%, o que ajudou a derrubar a média nacional da indústria no período (-0,9%). Além das quedas nos setores de veículos automotores, reboques e carrocerias, caiu a produção de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, itens alimentícios como açúcar cristal e VHP e medicamentos.

No plano positivo, destacou-se o Rio Grande do Sul, com alta de 12,7% em novembro, na comparação com um ano antes, e de 6,3% no acumulado dos 11 primeiros meses do ano, em comparação com igual período de 2017. Além de automóveis e autopeças, cresceu a produção de tratores agrícolas e máquinas para colheita e produtos de metal, como construções pré-fabricadas, revólveres, pistolas e espingardas.

A retomada da atividade econômica, já visível em outros setores, demora para chegar à indústria, cuja competitividade é afetada por tributos, deficiências logísticas e qualidade da mão de obra.

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