A recuperação do emprego com carteira assinada

No que se refere ao número de empregos com carteira assinada, 2019 deverá ser o melhor dos últimos seis ou sete anos

Editorial Econômico, O Estado de S. Paulo

22 de dezembro de 2019 | 05h00

O mercado de trabalho formal está registrando neste ano seu melhor desempenho desde 2013, antes, portanto, da recessão que a gestão econômica do governo Dilma Rousseff legou ao País. Com a criação de 99.232 postos com carteira assinada em novembro, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), da Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia, o mercado de trabalho formal soma a abertura de 948.344 vagas em 2019.

Diante desses números, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que “com toda certeza, como falta o mês de dezembro, devemos bater 1 milhão de novos empregos (no ano)”. É possível, mas é pouco provável que isso ocorra, pois no último mês normalmente o número de vagas fechadas no mercado formal costuma ser maior do que o de abertas.

Ainda assim, no que se refere ao número de empregos com carteira assinada, 2019 deverá ser o melhor dos últimos seis ou sete anos. Em 2015 e 2016, os piores anos da recessão, foram fechados, respectivamente, 945,4 mil e 858,3 mil vagas no mercado formal entre os meses de janeiro e novembro. Em 2017 o mercado começou a reagir lentamente. A reação intensificou-se no ano seguinte e parece consolidar-se neste ano.

Em novembro, os setores que mais abriram vagas com carteira assinada foram comércio (106.834 postos), serviços (44.287) e serviços industriais de utilidade pública (419). Só no Estado de São Paulo o número de empregados formais no comércio varejista aumentou em 27.398. As contratações no varejo são comuns nesta época, por causa do aumento das vendas no período.

Embora tenha fechado 24.815 postos em novembro, a indústria de transformação registra, no ano, a abertura de 123.931 vagas, claro sinal de que também esse segmento – cuja crise começou bem antes da recessão de 2015 e 2016 – está se recuperando. Entre todos os segmentos da economia, a indústria de transformação é o que oferece as melhores oportunidades de emprego em termos de rendimento, mas também exige melhor qualificação dos trabalhadores.

A despeito dos bons números do Caged, a situação geral do mercado de trabalho – que inclui o trabalho informal e o por conta própria – preocupa. A população desocupada é de 12,4 milhões de pessoas e a população subutilizada, de 27,1 milhões.

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