A retomada do investimento não se consolidou

A taxa de investimento no Brasil ficou estabilizada em níveis próximos a 16% do PIB no triênio 2016/2018, pouco evoluindo em 2019

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2020 | 05h00

Repete-se, no que diz respeito aos investimentos fixos realizados na economia brasileira, a marca da lentidão que caracteriza a retomada econômica. Essa lentidão já havia ficado evidente nos dados sobre o setor terciário divulgados nesta semana pelo IBGE e agora também se evidencia no que tange à recuperação dos investimentos exibida no Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) relativo a novembro de 2019.

O Indicador revela quedas de 1% na comparação com o mês anterior e de 1,8% vis-à-vis o mês de novembro de 2018. Tendo em vista o nível baixo dos investimentos observado nos últimos anos, pode-se afirmar que a retomada ainda é precária.

Outras comparações feitas pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que no trimestre móvel setembro/novembro de 2019 houve leve alta do investimento, de 0,5%, em relação ao trimestre móvel anterior. Mais significativo é o crescimento de 2,1% na comparação entre os 12 meses terminados em novembro de 2019 e os 12 meses anteriores – mas, neste caso, cabe lembrar que houve baixa em relação ao porcentual de 2,6% registrado em outubro.

A taxa de investimento é sinal importante quanto ao futuro da economia e é, por isso, acompanhada de perto pelos especialistas. Entre outubro e novembro de 2019, só foram positivas as taxas de investimento em máquinas e equipamentos nacionais e na construção civil. Diferentes são os resultados em 12 meses, mostrando crescimento em todos os itens: máquinas e equipamentos nacionais e importados, construção civil e outros. Mas, nesta base de comparação, o investimento na construção civil cresceu apenas 0,4%, embora este seja um dos segmentos mais promissores no tocante ao futuro da economia.

O recuo do investimento em novembro de 2019 é, em parte, explicável pela diminuição das importações – o que, por sua vez, se deve à desvalorização do real, que provoca a alta do custo dos bens adquiridos no exterior.

A taxa de investimento no Brasil ficou estabilizada em níveis próximos a 16% do PIB no triênio 2016/2018, pouco evoluindo em 2019. A melhora da economia deverá estimular os investimentos das empresas, que precisam manter sua competitividade no mundo.

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