A saída parece ter ficado mais distante

Lentidão da vacinação, quando são evidentes os sinais de recrudescimento da covid, é causa determinante para o aumento do pessimismo

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2021 | 03h00

Quanto mais nos aproximamos do fim da crise, um pouco mais distante ele parece estar. Assim pode ser resumida uma das conclusões mais notáveis da pesquisa Os brasileiros, a pandemia e de covid-19 o consumo, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com o Instituto FSB Pesquisa. As expectativas parecem ter piorado.

Em julho de 2020, quando o Brasil e o mundo, ainda um tanto atônitos com aspectos desconhecidos da pandemia de covid-19, buscavam os meios mais eficazes para conter sua disseminação enquanto não se descobrissem vacinas contra ela, 61% dos entrevistados acreditavam em retomada rápida da economia. Entre as pessoas entrevistadas entre os dias 16 e 20 de abril de 2021, 71% consideraram que a economia ainda vai levar um ano para se recuperar.

A lentidão da vacinação, quando são evidentes os sinais de recrudescimento da pandemia, é causa determinante desse aumento do pessimismo das pessoas: 83% dos entrevistados consideram que o ritmo da vacinação é lento. Das pessoas que ainda não foram vacinadas, 35%, ou mais de um terço, não têm expectativa de que sejam imunizadas ainda neste ano.

“Só a imunização em massa da população contra a doença recolocará o Brasil no caminho da retomada da economia, do dinamismo do mercado consumidor e na rota dos investimentos”, diz o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.

Esse momento, como reconhecem os entrevistados na pesquisa, parece distante. Segundo dados oficiais citados pela CNI na apresentação de sua pesquisa, apenas 13,2% da população foi vacinada. Entre os entrevistados na pesquisa, a porcentagem dos que tomaram a primeira dose da vacina cai para 9%; a dos que tomaram também a segunda, para 6%.

O custo da lentidão é alto para as famílias, para a economia em geral e para o País. É menor o temor da população com a perda de emprego (em julho do ano passado, 45% temiam ficar sem emprego; agora são 41%). Mas a renda continua sob risco. A pesquisa constatou que 32% dos trabalhadores perderam alguma parte de seu rendimento e 14% o perderam totalmente nos últimos 12 meses.

Nesse cenário, não é de estranhar que 71% disseram ter reduzido seus gastos desde o início da pandemia. E 37% acham que a redução será permanente. A saída, quando se chegar a ela, se mostrará mais apertada.

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